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"É uma grandiosíssima calúnia dizer que tenho revoltas contra a Igreja. Eu nunca tive dúvidas sobre a Fé Católica, nunca disse nem escrevi, nem em cartas particulares, nem em jornais, nem em quaisquer outros escritos nenhuma proposição falsa, nem herética, nem duvidosa, nem coisa alguma contra o ensino da Igreja. Eu condeno tudo o que a Santa Igreja condena. Sigo tudo o que ela manda como Deus mesmo. Quem não ouvir e obedecer a Igreja deve ser tido como pagão e publicano. Fora da Igreja não há salvação."
Padre Cícero Romão Batista

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Jovens: evangelizá-los para serem evangelizadores



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"A Igreja espera muito dos jovens e precisa se abrir cada vez mais a eles para que encontrem seu lugar na Igreja e no mundo," disse Dom Bernardino
“A juventude mora no coração da Igreja e é fonte de renovação da sociedade. [...] A Igreja continua olhando com amor para os jovens, mostrando-lhes o verdadeiro Mestre — Caminho, Verdade e Vida — que os convida a viver com ele.”

Este é o sentimento da Igreja Católica no Brasil com relação aos jovens, expresso no Documento 85 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) sobre a evangelização da juventude.

Motivada por este sentimento e na tentativa de responder à urgência de evangelizar a juventude, de estar com eles, de conhecer seus anseios e de escutar os jovens é que a Igreja no Brasil promove a Campanha da Fraternidade de 2013 com o tema: "Juventude e Fraternidade".

Além da CF, o Brasil em 2013 será palco do maior evento católico jovem do mundo: a Jornada Mundial da Juventude (JMJ), que acontecerá no Rio de Janeiro, entre os dias 23 e 28 de julho. Estas iniciativas manifestam que a Igreja não só tem os jovens no coração, mas também deseja fazer algo urgente por eles.



Para Dom Bernadino Marchió, bispo de Caruarú (PE) e membro da Comissão Episcopal Pastoral para a Juventude da CNBB, estes eventos (CF e JMJ) são dois momentos importantes, uma grande oportunidade de movimentar toda a Igreja no Brasil.

“Já estamos sentindo que os jovens se sentem motivados a participar no Rio de Janeiro. Mas, dizemos a eles, não basta participar da Jornada, tem que se envolver no trabalho da juventude nas paróquias, nas dioceses, nos movimentos, nas várias instituições, não só da Igreja, mas de toda a sociedade. A nossa juventude evangelizada precisa estar no meio dos outros jovens para ajudá-los a descobrir um caminho de vida e de felicidade.”
Os desafios para evangelizar os jovens

Embora haja fortes iniciativas evangelizadoras, Dom Bernadino percebe também os desafios que permeiam a evangelização da juventude. O bispo aponta como principais desafios a linguagem, a abertura de espaço para os jovens, os recursos materiais e o carisma para falar a eles.

“A linguagem da Igreja é histórica, muito importante para quem conhece a Teologia, mas é uma linguagem que o jovem não sabe usar. Portanto, um dos desafios é a linguagem que temos que usar no encontro com os jovens”, lembra Dom Bernardino.

A Igreja tem um olhar especial para a forma como o Evangelho deve ser anunciado. A proposta para a nova evangelização, manifestada no último Sínodo dos Bispos, propõe uma linguagem alternativa para a maneira de se comunicar Jesus Cristo ao mundo.

Outro desafio é a abertura de espaços para o jovem. Dom Bernardino ressalta que a Igreja tem muitos espaços pastorais, logo, “é necessário oferecer estes espaços a eles. Se não oferecemos isso aos jovens, eles vão buscar em qualquer lugar que ofereça estas iniciativas, não importando se é uma iniciativa que leve para a vida ou para a violência."

Os recursos materiais também são lembrados pelo bispo como uma dificuldade de se chegar aos jovens. Os meios seculares estão investindo forte em tecnologias de última geração para atrair o público jovem. Esta estratégia age como “isca” que visa fisgá-los por aquilo que eles têm de mais sensível, ou seja, a emoção.

Especialistas apontam que as grandes motivações do jovem passam pela emoção, pelos atrativos dos olhos. Para Dom Bernardino, a Igreja precisa usufruir destes meios tecnológicos para falar aos jovens. Do contrário, “eles vão atrás dos grandes meios de comunicação que oferecem 'coisas bonitas' que os atraem."

carisma é uma ferramenta fundamental, segundo Dom Bernardino. "Precisamos encontrar evangelizadores, bispos, padres e leigos que tenham carisma para falar aos jovens. É preciso carisma para trabalhar com a juventude e não é somente chamar os jovens e depois não saber falar, não ter conteúdo para falar com eles."

Jovens, evangelizados para evangelizar

O lema da Campanha da Fraternidade 2013, “Eis-me aqui, envia-me”, traduz uma provocação missionária para a juventude. Além disso, a própria JMJ Rio2013 servirá para expressar o apelo de Cristo à Igreja, mas desta vez, de forma especial aos jovens: “Ide e fazei discípulos meus entre todas as nações” (Mt 28,49).

De acordo com Dom Bernardino, os jovens vão dizer “Eis-me aqui” quando encontrarem propostas que valham a pena ser vividas. “Cabe a Igreja demonstrar que seguir Jesus é bom, que ser consagrado a Deus traz felicidade às pessoas. Mas, também sendo leigos, engajados no mundo, na sociedade, na economia, na política é algo importante para construir uma sociedade de paz."

Segundo o bispo, a preparação dos jovens para a vida missionária deve partir da apresentação da Palavra de Deus, com suas exigências, suas belezas e propostas de vida. "Além disso, deve-se abrir espaços onde os jovens possam ter vida de comunidade, lugares onde as pessoas se sintam bem. A partir destas propostas positivas, eles poderão seguir em missão. Não sendo apenas discípulos, mas também missionários."
A juventude e o medo de evangelizá-la
Sínodo dos Bispos para a Nova Evangelização mencionou a juventude como o "presente e o futuro da humanidade e da Igreja” e afirmou encontrar na juventude um campo difícil, mas promissor, para a nova evangelização.

Umas das dificuldades pode ser percebida nas diferenças entre os próprios jovens. Além da jovialidade, eles se dividem em tribos, estilos de vida e comportamentos bem diferentes entre si, o que, às vezes, pode despertar certo receio na aproximação com estes jovens, tidos como "diferentes".

Para Dom Bernardino, a Igreja e a comunidade eclesial não precisam temer os desafios da evangelização da juventude, antes, é preciso abrir o coração, aceitá-la e orientá-la.

“Nós também já fomos jovens, embora numa outra época, mas também éramos diferentes. Não aceitávamos tudo aquilo que os adultos queriam mostrar para nós. E fomos caminhando, fomos tentando ocupar os nossos espaços. Hoje, também devemos valorizar todas essas expressões de alegria, generosidade e de “missionariedade” dos nossos jovens e deixar que eles avancem e se tornem protagonistas da sua vida”, recorda o bispo.

A Igreja espera muito dos jovens, lembra Dom Bernardino, e precisa se abrir cada vez mais a eles para que encontrem seu lugar na Igreja e no mundo.
A Campanha da Fraternidade, que completa 50 anos de existência, terá seu lançamento em 2013 na cidade de Natal (RN), em 15 de fevereiro, às 17h, durante solenidade oficial, seguida de Missa e show. 
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