Sejam Bem-Vindos!

"É uma grandiosíssima calúnia dizer que tenho revoltas contra a Igreja. Eu nunca tive dúvidas sobre a Fé Católica, nunca disse nem escrevi, nem em cartas particulares, nem em jornais, nem em quaisquer outros escritos nenhuma proposição falsa, nem herética, nem duvidosa, nem coisa alguma contra o ensino da Igreja. Eu condeno tudo o que a Santa Igreja condena. Sigo tudo o que ela manda como Deus mesmo. Quem não ouvir e obedecer a Igreja deve ser tido como pagão e publicano. Fora da Igreja não há salvação."
Padre Cícero Romão Batista

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

A Igreja Católica e os escândalos de pedofilia


            Antes que a Psicologia como ciência surgisse no século XX, Jesus Cristo deu provas de ser um grande psicólogo, quando disse a seus discípulos: “Quem escandalizar uma criança é melhor que lhe pendure uma pedra ao pescoço e seja lançado ao mar” (cf. Mt 18, 6).
Estas palavras duras de Jesus chamam a atenção dos homens e mulheres de qualquer tempo e cultura para esta verdade fundamental: as crianças necessitam aprender com os adultos os bons costumes, os princípios e valores que humanizam a vida. Numa palavra: os adultos têm de ser para elas formadores e não deformadores.
Sendo assim, resulta afirmar que a prática da pedofilia é repugnante e, consequentemente, inaceitável, uma vez que este tipo de comportamento, além de macular a inocência e simplicidade de uma criança, causa-lhe sérias feridas na dimensão constitutiva físico-psíquica e espiritual.
            Pois bem, se a pedofilia é um escândalo gravíssimo, esta se torna pior ainda quando praticada por membros da Igreja, porque estes devem a exemplo de Jesus ser os primeiros a acolher, amar, respeitar e orientar bem as crianças.
            Dito isto, cabe agora discernir o seguinte: se alguns padres escandalizaram o povo de Deus comportando-se como pedófilos, é preciso dizer que quem errou não foi a Igreja, mas, sim, alguns filhos desta Igreja. Não a Igreja, porque ela é santa. De fato, na carta de São Paulo aos Efésios 5, 27, diz-se que “a Igreja é sem mancha e sem ruga”. Portanto, “a Igreja é, aos olhos da fé, indefectivelmente santa” (CIC, 823). Agora, o que sucede é que “a Igreja, reunindo em seu próprio seio os pecadores, ao mesmo tempo santa e sempre na necessidade de purificar-se, busca sem cessar a penitência e a renovação” (LG, 22).
            Isto significa dizer, então, que os escândalos acontecidos e noticiados ultimamente pela mídia devemapenas nos entristecer, mas nunca nos abater. Devem apenas nos entristecer e nunca nos abater, porque foram cometidos não pela Igreja, e sim pelos filhos desta Igreja, os quais comungando da nossa mesma fé deveriam ter sido no mundo verdadeiros exemplos para seu rebanho e não o foram. Devem apenas nos entristecer e nunca nos abater, porque a pedofilia não é um mal da Igreja, e sim uma doença ligada ao transtorno da personalidade, e que, por este motivo, pode aflorar quer seja na Igreja, por causa de seus membros, quer seja na família, também por causa de seus membros. Devem apenas nos entristecer e nunca nos abater, porque, segundo os especialistas, os casos de pedofilia na Igreja chegam a 4%.
Como se pode constatar, a fraqueza não é da Igreja, mas está na Igreja. Não é da Igreja, porque ela é santa: santa no fundador, que é Jesus Cristo crucificado, morto e ressuscitado, santa na sua doutrina, cuja fonte é a Sagrada Escritura, a Tradição e o Magistério, santa nos sacramentos. Por causa desta sua santidade ontológica, é que a Igreja é “Mãe e Mestra”, conforme o papa João XXIII, e “perita em humanidade”, segundo o papa Paulo VI. Mas, a fraqueza está na Igreja, porque “todos os membros dela, inclusive os seus ministros, são pecadores. E em todos eles, o joio do pecado continua ainda mesclado ao trigo do Evangelho até ao fim dos tempos. A Igreja reúne, portanto, pecadores presos pela salvação de Cristo, mas ainda em via de santificação” (cf. CIC, 827).
Por estas razões, convém dizer que os escândalos de pedofilia na Igreja não devem jamais diminuir a nossa fé cristã e o nosso amor pela Igreja Católica. Pelo contrário, devemos amá-la sempre, porque “na base de toda a reflexão feita por Ela, está a consciência de ser depositária duma mensagem, que tem sua origem no próprio Deus” (Fides et ratio, 7). E mais, porque é nesta Igreja una, santa, católica e apostólica que encontramos um batalhão de santos e santas leigos, padres e religiosos desde o século I até o século XXI.
Ademais, é ingenuidade cognitiva fazer colocações do tipo: por causa destes escândalos de pedofilia é bom que a Igreja acabe com o celibato dos padres e estes se casem. É ingenuidade por três razões: primeiro, porque a pedofilia, como vimos, é um mal, é uma doença; segundo, porque o celibato é um valor, é um bem; terceiro, porque se o casamento fosse o remédio, então não deveria haver padrastos, pais pedófilos, os quais têm suas mulheres. Não há nada que ver uma coisa com a outra. Quem está doente, precisa de cura. Ajudemo-los, e não fantasiemos o que enriquece e enobrece o homem.
Que os escândalos de pedofilia na Igreja sirvam para purificar a igreja peregrina, para aumentar nossa fé cristã e para nos ajudar a entender que a Graça de Deus é-nos necessária! Amemos a Igreja e rezemos pelos nossos padres!
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