Sejam Bem-Vindos!

"É uma grandiosíssima calúnia dizer que tenho revoltas contra a Igreja. Eu nunca tive dúvidas sobre a Fé Católica, nunca disse nem escrevi, nem em cartas particulares, nem em jornais, nem em quaisquer outros escritos nenhuma proposição falsa, nem herética, nem duvidosa, nem coisa alguma contra o ensino da Igreja. Eu condeno tudo o que a Santa Igreja condena. Sigo tudo o que ela manda como Deus mesmo. Quem não ouvir e obedecer a Igreja deve ser tido como pagão e publicano. Fora da Igreja não há salvação."
Padre Cícero Romão Batista

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

A Igreja Católica e a Cremação de Corpos


noticia 3871O Dia de Finados que foi celebrado com muita participação nos cemitérios da cidade levanta uma questão de atualidade: a Igreja Católica permite a cremação dos corpos? É bom aprofundar o assunto a partir da Bíblia.
O nosso corpo mortal, como tantas vezes São Paulo o diz, chega ao seu fim com a morte. "E assim nós, que vivemos, estamos sempre entregues a morte por amor de Jesus, para que a vida de Jesus se manifeste também na nossa carne mortal" (2 Cor 4,11). Desde as origens a tradição cristã manteve certa prudência em relação a antiquíssima prática da cremação ou incineração dos corpos.
Na sua etimologia cremar ou incinerar se traduz por reduzir às cinzas. Nós cristãos lembramos anualmente com o início da Quaresma que viemos do pó e ao pó voltaremos. As cinzas, como sinal visível do que no mundo passa, contribuem com a reflexão sobre a nossa transitoriedade e caducidade. Por isso são muitos os fieis que se perguntam se depois da morte podem ter seus corpos cremados.
Algumas argumentações atuais são simplesmente banais e não correspondem ao valor que a Igreja oferece à prática da obra de misericórdia de sepultar os corpos dos que nos precederam na fé. Hoje, muitos pensam na cremação somente como algo ligado ao sistema ambiental, ao problema higiênico das grandes cidades ou ao custo econômico de um funeral. Outros simplesmente deixam na sua decisão final expressões como esta: "Não quero que ninguém venha no cemitério me visitar".
A prudência que a Igreja manteve sobre o fato dos corpos serem cremados, somente foi esclarecida no Código de Direito Canônico de 1983, quando foi levantada a proibição que se mantinha a respeito da cremação. A ressalva que foi estipulada é aquela de que a cremação seria permitida sempre e quando seus fins não fossem nem materialistas, nem utilitaristas e que por nenhum motivo fosse omitida a celebração ritual do que comumente conhecemos como a encomendação do corpo ou liturgia das exéquias.
O catecismo da Igreja Católica, em efeito, também expressa o ensinamento que não impede a cremação contanto que o corpo humano não seja nem manipulado, nem muito menos aproveitado por nenhum outro motivo diverso daquele da condução final das cinzas, de modo reverente e respeitoso, a um local apropriado. Não é recomendado, espalhar as cinzas no mar, no jardim ou serem depositadas num lugar da casa onde moram os familiares do defunto. A Igreja mantém a sua firme voz quanto ao respeito e a dignidade da pessoa, mesmo após a morte corporal.
A passagem desta vida para a Eterna deve ser marcada não por meras discussões sobre onde vão repousar os meus restos mortais. Alguns preparam o seu lugar, o seu túmulo e deixam estipulado o ritual, as músicas e as leituras; tudo isto denota organização, realismo e até maturidade. 0 que importa é que todos professem que Cristo é a nossa vida, e que esperamos a vida Eterna porque a nossa fé 0 proclama Senhor dos vivos e dos mortos. Não centremos a nossa esperança no espaço que ocuparão os nossos restos mortais.
Demos dignidade ao momento da sepultura e ofereçamos uma boa palavra para aqueles que pela dor não conseguem muitas vezes entender a separação.
Renovemos a nossa fé na palavra de Jesus que nos diz “ eu sou a Ressurreição e a Vida. Seja quem for enterrado segundo a tradição, seja quem for cremado no respeito à Lei de Deus, todos temos um destino eterno. E as palavras de Jesus nos mostram o caminho!
Dom Bernardino Marchió
Bispo Diocesano
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