Sejam Bem-Vindos!

"É uma grandiosíssima calúnia dizer que tenho revoltas contra a Igreja. Eu nunca tive dúvidas sobre a Fé Católica, nunca disse nem escrevi, nem em cartas particulares, nem em jornais, nem em quaisquer outros escritos nenhuma proposição falsa, nem herética, nem duvidosa, nem coisa alguma contra o ensino da Igreja. Eu condeno tudo o que a Santa Igreja condena. Sigo tudo o que ela manda como Deus mesmo. Quem não ouvir e obedecer a Igreja deve ser tido como pagão e publicano. Fora da Igreja não há salvação."
Padre Cícero Romão Batista

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Sua bênção, João de Deus...




Reconhecer e reverenciar...


Nasci apenas dois dias depois da tua partida, por ocasião da tua segunda visita ao Brasil. Eu sou de uma geração que ainda escutava os gritos e as passeatas d'àqueles que anunciavam uma libertação conseguida através das lutas ideológicas - aqui não discarto a necessidade das passeatas e das lutas - mas que não conseguiam conduzir suas histórias mantendo-se fiéis a Mensagem e a Esperança Cristã.

Aprendi a dar meus primeiros passos, num contexto onde ainda vivia-se no Brasil resquícios dos golpes militares, repressões, ditaduras, reformas, promulgação da Constituição, eticétera e tal. Mergulhada neste contexto encontrava-se a Igreja na  busca por, refletir nos dircursos religiosos à luz da fé, uma mensagem de esperança e de libertação. Um tempo onde a chamada teologia da libertação -  que utiliza como ponto de partida de sua reflexão a situação de pobreza e exclusão social à luz da fé cristã - parecia oferecer respostas efetivas e reativas às dificuldades deste momento histórico.


Em linhas caricatas e gerais, poderíamos afirmar que uma característica da Teologia da Libertação é considerar o pobre, não um objeto de caridade, mas sujeito de sua própria libertação. Assim, seus teólogos propuseram uma pastoral baseada nas comunidades eclesiais de base, nas quais os cristãos das classes populares se reuniam para articular fé e vida, e juntos se organizavam em busca de melhorias de suas condições sociais, através da militância no movimento social ou através da política, tornando-se protagonistas do processo de libertação. Além disto, apresentavam as Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) como uma nova forma de ser igreja, com forte vivência comunitária, solidária e participativa - não que eu concebesse este pensamento teológico como algo ruim mas, que permeado de correntes ideológicas, redirecionava e reconfigurava a viviência da fé cristã.



Faço aqui uma citação de quando o Cardeal Ratzinger pregou teu retiro anual espiritual e  escreveu:


"Sem resposta para a fome da verdade, sem cura das doenças da alma ferida por causa da mentira ou, numa palavra, sem a verdade e sem Deus, o homem não se pode se salvar. Aqui descobrimos a essência da mentira do demônio. Deus aparece na sua visão do mundo como supérfluo, desnecessário à salvação do homem. Deus é um luxo dos ricos. Segundo ele, a única coisa decisiva é o pão, a matéria. O centro do homem seria o estômago".
(Cardeal Joseph Ratzinger, O Caminho Pascal,--
 Curso de Exercícios Espirituais realizado no Vaticano na presença de S.S. João Paulo II
Loyola, São Paulo, 1986, p. 14-15).
Cresci em meios a estas mudanças. Quando nas poucas vezes em que falávamos sobre papa - entre família e amigos - no meu imaginário tu eras o único que conhecia, nesta época. Apesar da posição que assumías como Sumo Pontífice da Igreja, tu parecias próximo e dialogavas com todas as culturas, religiões e povos -  não somente porque sabias falar 13 idiomas - mas porque possuías o carisma, a sabedoria e o silêncio necesários à Missão.

Mais do que uma nomeclatura institucional,  Sua Santidade, tu portavas a capacidade de inspirar pessoas - como que fazendo-as recobrar a chama da esperança. Pessoas, assim como eu, dos lugares mais recônditos da terra, mas também, pessoas próximas a quem chamavas de amigos.

A estes homens e mulheres, que por teu ministério potifical, conduzites a crer que a santidade é possível. Orientastes por tua vida que não se trata de uma santidade desencarnada e perfeccionista, mas de uma santidade tocada pelas dores, mêdos e pelas misérias do ser humano - que pela graça de Deus eleva-o e plenifica-o. Como parte de tua ênfase especial na vocação universal à santidade, beatificastes 1 340 pessoas e canonizastes 483 santos. E, muito mais do que somente celebrar a festa dos santos, convidastes homens e mulheres, jovens e crianças a não acreditar que a santidade é algo inatíngivel.

Portando contigo os dramas, os mêdos e as lutas vividas na Polônia -tua terra natal - não te detivestes em anunciar ao mundo  as dores que te alcançaram  - provocadas pelas consequências da invasão alemã, depois soviética , no período da Segunda Guerra Mundial. Onde neste contexto, assististes ao assassinato de vários dos teus amigos e colegas. Mesmo vivendo estas experiências limítrofes, escolhestes e permitistes que a Graça de Deus fizesse de ti um Homem-Profeta capaz de cruzar o limiar da Esperança.

Resta-me, por tua vida e por teu exemplo, dizer-te:

Sua Bênção, João de Deus!!!








Autor: Fr. Sonival Marinho
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