Sejam Bem-Vindos!

"É uma grandiosíssima calúnia dizer que tenho revoltas contra a Igreja. Eu nunca tive dúvidas sobre a Fé Católica, nunca disse nem escrevi, nem em cartas particulares, nem em jornais, nem em quaisquer outros escritos nenhuma proposição falsa, nem herética, nem duvidosa, nem coisa alguma contra o ensino da Igreja. Eu condeno tudo o que a Santa Igreja condena. Sigo tudo o que ela manda como Deus mesmo. Quem não ouvir e obedecer a Igreja deve ser tido como pagão e publicano. Fora da Igreja não há salvação."
Padre Cícero Romão Batista

quinta-feira, 19 de maio de 2011


Resposta à um católico-protestante sobre a inclusão de músicas protestantes na liturgia católica




Anônimo disse...





Muito ruim esta resposta pois na minha opinião a pergunta foi respondida em tese, quando na verdade o que se pretendia era uma resposta direta. A pessoa que postou disse de forma direta, clara e objetiva: "qeu eu queria que vcs me dissessem quais sao os erros nessas músicas:

Por que ele vive!

"Deus enviou seu Filho amado para morrer no meu lugar..."

Faz um milagre em mim

"Entra na minha casa, entra na minha vida..."

Por que não responder de forma direta quais os erros destas músicas e ficar falando por hipótese? Na minha opinião ou vocês não sabem ou sabem que na verdade não existe motivo doutrinário concreto para banir estas músicas e só estão fazendo por puro preconceito pois foram criadas pelos protestantes e não pelos católicos. Os leitores merecem uma resposta decente.

Resposta:

Eles saíram dentre nós, mas não eram dos nossos. Se tivessem sido dos nossos, ficariam certamente conosco. Mas isto se dá para que se conheça que nem todos são dos nossos (I São João 2, 19).

Prezado anônimo, Salve Maria, mãe do meu senhor (Lc 1, 43).


O senhor pelo menos poderia:

1) Ser mais educado ao enviar comentários. Nosso blog não é um local para debates hostis e todos que tem tentado fazer isso tem tomado as chicotadas que merecem. Por isso, não reclame pelo tom ácido que usaremos com o senhor. Ao que parece, quem não sabe nada de nada é você, porque nem foi capaz de entender a profundidade da resposta que meu irmão John deu. A todo o tempo fiquei esperando um contra argumento seu, mas as únicas coisas que vi foi o senhor nos chamando de preconceituosos, de incultos da doutrina e de mais um monte de absurdos que o senhor parece nem saber o que significam. Aliás, saber parece não ser mesmo seu forte, pois se nas letras dessas canções o senhor não viu erros de doutrina, é porque o senhor já está completamente tomado pelas heresias de Lutero, Calvino e outros. Se o senhor quer convencer a nós, aos papas e ao reverendíssimo Dom Estêvão Bettencourt (que Deus o tenha) que nós estamos errados, deveria, pois começar a mostrar argumentos ao invés de ficar esbravejando e nos ofendendo. É duro pra nós saber que recebemos mais cusparadas de supostos irmãos de fé do que de díspares. Todavia, se até Jesus tomou cusparadas de seus irmãos de fé, quem somos nós para nos queixarmos. Que Deus tenha misericórdia de sua alma!

2) Ter a coragem e a honra de se identificar. É muito fácil e cômodo ficar no anonimato, pois assim nenhum covarde tem obrigação de assumir os erros que disse. Aliás, fica até difícil saber se o senhor é católico ou protestante.

Quanto à sua pergunta, vamos lá. Vamos dar uma resposta decente. Eu aceito seu desafio, porém abomino e recuso todas seus sofismas que o senhor chama de argumentações!

Os pilares da fé ou das "fés" protestantes são completamente diferentes dos nossos. As diferenças de doutrina vem por conseqüência. Por exemplo. Considere uma hipotenusa e um cateto adjacente. No início da intercessão entre os dois, se há um pequeno ângulo, praticamente não haverá qualquer tipo de desvio observável entre as duas retas. Entretanto, mais adiante vemos que elas estão em direções completamente diferentes. Isso é o mesmo que ocorre entre a doutrina católica e as doutrinas protestantes. Pequenos ângulos entre as doutrinas ocasionaram diferenças gigantescas a ponto de que nem se pode mais falar que professamos a mesma fé. Isso não é sem sentido, porque na verdade até nossa forma de olhar para Cristo é diferente. Logo, católicos e protestantes não falam a mesma língua e nem os protestantes concordam entre sí, como lhe mostrarei, senhor católico-protestante.

Entre os protestantes pentecostais e neo-pentecostais Cristo é um curador. O papel de Jesus se reduz a uma fonte inesgotável de graças, o que é verdade, mas Jesus é muito mais que isso. Jesus é o Redentor da humanidade, o filho de Deus vivo, o Santo dos Santos. Jesus é o próprio Deus e nosso culto a Ele não se resume a apenas pedir graças, mas sim em dar a Ele o culto de adoração que lhe é devido.

Entre os protestantes históricos temos basicamente cinco pilares que se divergem profundamente. Entre eles vemos os batistas, os luteranos, os presbiterianos, os anglicanos e os metodistas. Os batistas negam o batismo das crianças, já os outros protestantes históricos aceitam esse batismo. Para os batistas, o batismo é só para a remissão dos pecados. Eles professam até hoje o batismo de São João Batista. Para os luteranos não há a pré-destinação pregada por Calvino e aderida pelos presbiterianos, anglicanos, metodistas e batistas. Os metodistas celebram o que chamam de "Santa Ceia", mas ao contrário das demais seitas históricas, eles utilizam qualquer tipo de bebida para servir de sangue de Cristo. Os batistas não crêem na presença real de Jesus na Eucaristia, já os anglicanos, luteranos e presbiterianos acreditam. Todavia, nenhum dos protestantes crê na transubstanciação apresentada pela Igreja de Cristo e certamente por causa da interrupção do vínculo com os apóstolos, nenhuma das formas de comunhão apresentada pelos protestantes é válida perante a Deus. As Santas Ceias protestantes se reduzem a um ato de piedade. Todavia, é possível achar um ponto em comum entre todos os protestantes, afinal, para eles não existe diferença entre imagem é ídolo.

É possível ver ainda protestantes que se divergem da doutrina cristã de tal forma que sequer podem ser considerados, nem mesmo pelos demais protestantes, como cristãos. São esses os Mórmons, as Testemunhas de Jeová, os Adventistas do Sétimo Dia, o Exército da Salvação e a Ciência Cristã. Curiosamente todas essas seitas nasceram nos Estados Unidos em um tempo de ultra-nacionalismo, quando os americanos começaram a aderir até mesmo à Eugenia. Talvez seja por isso que eles têm uma idéia comum de serem "religiões superiores", assim como a Eugenia pregava as raças superiores.

Talvez agora o senhor esteja começando a entender que há grandes discrepâncias em pontos cruciais entre a doutrina católica e as doutrinas protestantes. É bom que o senhor entenda que essas diferenças não são tão singulares assim, afinal, os protestantes professam em geral doutrinas anti-católicas. Eles crêem no milenarismo, crêem na dormência das almas após a morte, crêem somente na Bíblia como regra de fé e prática, crêem que são o retorno ao cristianismo primitivo (sem provas históricas disso), mas não crêem nos sete sacramentos professados pelos católicos bem como não crêem na Igreja enquanto instituição, salvo algumas raras e falsas exceções.

A Igreja pregada pelo protestantismo é uma Igreja supostamente "não institucional", um Corpo Espiritual. Só Cristo salva, e não essa ou aquela Igreja ou doutrina. Entretanto, é interessante ver como cai esse sofisma, porque Calvino, Lutero, Zuínglio e outros pseudo-reformadores a todo o tempo se condenavam ao inferno por causa de diferenças na livre interpretação da Bíblia. É apenas como se todos fossem parte de Cristo, mas como todos são parte do mesmo Cristo tendo tamanhas divergências de doutrina? Estaria Cristo dividido? Ou a doutrina não seria universal? É claro que essa visão protestante é incoerente. Até hoje os protestantes vivem dizendo que quem é católico, adventista, testemunha de jeová e demais, vai pro inferno. Veja por exemplo o que o dicionário priberam traz a respeito do que é "evangélico": Denominação de igrejas protestantes, as quais, unidas pela fé, divergem quanto ao rito. Isso é um absurdo e por isso fica-me claro o motivo pelo qual chamam o dicionário de "pai dos burros". Não se pode dizer que os protestantes estão unidos pela fé, afinal, com tantas divergências de doutrina não se pode ter unidade. Percebeu senhor pseudo-católico? Nem entre eles há consenso.

Eu poderia perder minha manhã toda respondendo à sua questão aqui, mas lhe mostrarei apenas uns pontos de doutrina muito falhos nas músicas apresentadas. Primeiramente é bom lembrar que os Papas ao longo dos séculos já disseram por mais de uma vez que o canto da Igreja é o Canto Gregoriano (Encíclica Sacrosanctum Concilium, nº 116, Papa Pio XII). Das 23 Igrejas sui-juris, a maior é a romana e só ela perdeu sua tradição musical. Conicidentemente, só ela perde tantos fiéis. Fala-se hoje hipocritamente em conservar a cultura dos povos indígenas, mas os "católicos" não querem preservar sua própria cultura. Em segundo lugar, é salutar dizer que o Canto Gregoriano pode ser substituído preferencialmente pelo Canto Polifônico. É interessante ver que não há e nunca houve um canto que favoreça tanto a espiritualização quanto o Canto Gregoriano. Quem diz isso são especialistas no assunto e não eu. Todavia, caso não haja forma de se cantar nem o gregoriano e nem o polifônico, outros tipos de música artística podem ser tocadas. Não é o caso dessas músicas que nos foram apresentadas, pois na definição artística, o rítmo deve se submeter a melodia que deve se submeter à harmonia. Nessas músicas vemos que essa ordem não é obedecida e não sendo obedecida, essa ordem pode mexer no emocional, mas dificilmente alcançará a fé do homem. É o que vemos que ocorre no protestantismo pentecostal, por exemplo. As pessoas muitas vezes continuam freqüentando esses ambientes não por amor a Deus, mas sim por se sentirem bem lá ou por buscarem "milagres". Entretanto, vemos que Jesus sempre manifestava um milagre pela fé e não pelo bem estar. Ora, e a fé, que é o mais importante, onde fica? Não são raros os protestantes que defendem a fé sem obras e por isso rezam, mas não não mudam de vida. A fé sem obras é morta, já dizia São Tiago. Não duvido, pois, que haja boa vontade entre alguns protestantes, mas nem sempre a boa vontade é suficiente.

Vale dizer também que geralmente a busca de material protestante não se restringe apenas às músicas. Já ouvi "fiéis" católicos, principalmente vindos de ambientes carismáticos, pregarem o milenarismo, por exemplo. Até que ponto está a inculturação e quando começa o sincretismo? O Sincretismo pode começar já nas músicas, como aconteceu com o senhor. Alguns se mostram subversivos ao papado e por aí vai. De onde vem isso? Material protestante. Os católicos que buscam músicas não raras as vezes buscam materiais de formação e interpretação da Bíblia. Quando fazem isso acabam ou se tornando protestantes ou disseminando as discrepâncias protestantes na Igreja de Cristo. Entende agora, senhor católico-protestante, os perigos de se arrastar protestantismo para dentro de nossa Igreja?

O argumento de quem traz músicas protestantes para a Igreja Católica é em geral muito fraco. Veja bem que eles sabem apenas dizer: "Estamos falando da mesma coisa, estamos falando de Cristo". Ora, os protestantes abominam o sacrifício da cruz, enquanto nós católicos vemos nesse nossa redenção. Então, será que estamos mesmo falando do mesmo Cristo? É óbvio que não. O Cristo protestante não é o mesmo Cristo Católico.

E as músicas que nos foram enviadas? Vou analisar apenas duas e se o senhor quiser, estude mais a doutrina da Igreja para ver quantos erros há nelas.

"Como Zaqueu, eu quero subir, o mais alto que eu puder, só pra te ver... chamar sua atenção para mim."

Quem lê a Bíblia vê que Zaqueu não queria chamar a atenção de Cristo. Zaqueu queria ver Nosso Senhor, sinal claro de que ele estava arrependido de sua vida e que queria mudar por amor a Deus. A fé de Zaqueu o salvou e ele não queria chamar a atenção de Cristo. A Sagrada Escritura não fala isso e nem deixa margem para se pensar tamanho absurdo, mas na Livre Interpretação proposta pela Sola Scriptura Protestante, isso é lícito. Nenhuma passagem da Sagrada Escritura é de interpretação particular, meu caro (II Pd 1, 20). A interpretação da fé pende do Magistério (Hb 13). Continuemos na seqüência da "música".

"Eu preciso de ti, senhor. Eu preciso de ti, oh Pai, sou pequeno demais, me dá tua paz... Entra na minha casa, entra na minha vida, mexe com minha estrutura, sara todas as feridas..."

Eis que o "pequeno demais" se faz tão grande a ponto de contradizer a Bíblia quando o centurião diz: Senhor eu não sou digno de que entreis em minha morada (Mt 8, 8). Outro erro crasso é pedir a cura, a graça, mas em momento algum pedir, a exemplo de Cristo, "Seja feita a tua vontade" (Mt 26, 42). Aliás, é bom ver o caráter antropocêntrico dessa música, que se foca apenas no bem estar do homem, no seu emocional. A Missa é a Renovação do Sacrifício de Cristo, mas onde está esse caráter nessa música? Em lugar nenhum. Não se fala em momento algum de que Cristo nos deu a vida, não se dirigem as preces para a maior glória de Deus, mas apenas para a plenitude do homem. Essa música é completamente anti-litúrgica.

"Quero amar somente a ti..."

Soa-me essa frase como sendo uma provocação. Amar somente a Deus, e não aos "ídolos" católicos, já dizem os protestantes que até hoje, lendo suas Bíblias incompletas, não entenderam o que é idolatria. Ora, já oramos no Credo, uma oração antiquíssima da Igreja que remonta dos Tempos Apostólicos, Creio... Na comunhão dos santos. Quem são os protestantes para 16 séculos depois da fundação da Igreja de Cristo virem dizer que não existe essa comunhão? A comunhão dos santos é a participação no Corpo de Cristo pelo Batismo. É o vínculo de amor que permanece para sempre. Jesus mesmo disse para não amarmos somente a Ele (Deus), mas também para amar ao próximo como a nós mesmos (Mc 12, 31). Entendeu agora, senhor católico-protestante? Falemos de outra.

"Tem anjos voando nesse lugar, no meio do povo em cima do altar, subindo e descendo em todas as direções. Não sei se a Igreja subiu ou se o céu desceu, só sei que está cheio de anjos de Deus, porque o próprio Deus está aqui..."

Até agora não vi o sentido dessa música e nem vi o porque de abandonar 2000 anos de música cristã para aderir a tamanha heresia. Quando eu era "ministro de música" me disseram que nem as seitas protestantes quiseram essa canção, mas os católicos gostaram e colocaram onde? Na Missa! Pe. Marcelo Rossi que me perdoe, mas, com todo respeito, Missa não é show. Nem o senhor e nem ninguém tem o direito de fazer da Igreja uma boate. Essa música é ainda mais imprópria que a primeira, pois instiga a agitação em um local de recolhimento. Não se pode fazer isso. Além disso, o que os anjos fazem piruletando por todos os cantos? Poderia Deus estar no meio desse caos? Acredito que não. A Igreja Primitiva não era um caos, era um local de recolhimento, recolhimento esse muito bem mostrado pelo Canto Gregoriano.

Da mesma forma, os protestantes hoje dizem que são o retorno ao cristianismo primitivo, mas em momento algum vemos os apóstolos ou os Santos Padres narrarem que estão brincando de metralhadora ou de pião da casa própria, como tem sido postado no sítio youtube sendo motivo de vergonha e de chacota para os cristãos. Consideram hoje os infiéis que somos todos assim. Onde está isso na Bíblia, senhor católico-protestante? É dessas pessoas que vocês estão pegando essas músicas. O senhor não tem vergonha?

Não sei se a Igreja subiu ou se o céu desceu? Essa foi a pior estrofe que já ouvi! Como assim, a Igreja subiu? Será que estamos mesmo tão puros assim para poder cogitar a possibilidade de sermos arrebatados de corpo e alma para os céus, como foram Maria e Jesus? É isso mesmo que o senhor pensa, senhor pseudo-católico? E o céu descer, seria isso possível? Ainda mais com uma música dessas tocando, será que o céu desceria? Acredito que nunca!

Da mesma forma que apontei ao senhor esses erros, poderia apontar vários outros nessas e nas outras músicas, assim como poderia apontar em várias músicas ditas católicas. Todavia, não farei isso. Espero que tenha ficado claro para o senhor que a Missa não é um lugar qualquer. Não se brinca de ciranda-cirandinha na Santa Missa. Brincadeira tem hora e essa hora não é na Santa Missa. Leia o livro de São Leonardo de Porto Maurício "El tesoro escondido de la Santa Missa" e você vai entender porque há músicas específicas para ela. E mais, antes de dizer que todo preconceito é ruim, pense bem, porque nosso preconceito de que as músicas protestantes não podem ser usadas na Igreja Católica tem fundamento, e muito, ao contrário dos pseudo-argumentos que o senhor expôs.

Passar bem!

Ad majorem Dei gloriam!

Eduardo Moreira

FONTE: Blog do Apostolado São Clemente Romano.
Postar um comentário

Planeta Brasileiro