Sejam Bem-Vindos!

"É uma grandiosíssima calúnia dizer que tenho revoltas contra a Igreja. Eu nunca tive dúvidas sobre a Fé Católica, nunca disse nem escrevi, nem em cartas particulares, nem em jornais, nem em quaisquer outros escritos nenhuma proposição falsa, nem herética, nem duvidosa, nem coisa alguma contra o ensino da Igreja. Eu condeno tudo o que a Santa Igreja condena. Sigo tudo o que ela manda como Deus mesmo. Quem não ouvir e obedecer a Igreja deve ser tido como pagão e publicano. Fora da Igreja não há salvação."
Padre Cícero Romão Batista

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Meu filho vocacionado? não pode ser, ele merece coisa melhor!








Não é nenhuma novidade a crise vocacional que a Igreja passa há alguns anos. Sabemos também que toda e qualquer vocação parte, surge, se origina no seio familiar. Porém, venho aqui refletir essa crise a partir da resposta de uma mãe para um promotor vocacional quando este perguntou se seu filho era vocacionado:
"Meu filho, não. Meu filho merece coisa melhor!"

A Igreja vive rezando há muito tempo ao Senhor da Messe que envie operários para messe (Mateus 9,35-38). Esta oração acontece em diversos âmbitos: nas casas religiosas, seminários, pastorais, grupos e movimentos e, hoje em dia em menor escala, em algumas famílias. Não duvido da intenção de cada filho e filha de Deus nas suas orações em favor das vocações sacerdotais e religiosas, mas o que me preocupo e me pergunto é que, quando um leigo, especialmente sendo pai e mãe, reza ao Senhor da messe, se o seu pedido, a sua oração, também são extensivos aos próprios filhos ou somente aos filhos dos outros? Se é levado em conta o possível chamado do Senhor dentro da própria família?

Vamos, então para estes dois aspectos ou nuances do nosso proceder quanto à oração pelas as vocações:
1. Vocação dentro da minha própria família: Se acredito que o Senhor pode suscitar vocação entre os meus, como procedo? será que tenho animado este vocacionado com minha palavra de animo? Tenho rezado por ele ? Tenho criado ambiente propício para que ele possa já ir vivenciando, ainda junto da família, este novo estilo de vida que está por abraçar? Se assim eu agir, meu filho ou filha terá grande probabilidade de ser feliz e bem sucedido, pois encontrará apoio e ambiente tranquilo para dar sua resposta a Deus.
2. Vocação na família alheia: Ainda que eu reze pelas vocações sacerdotais e religiosas, mas se tenho receio que alguém dentre os meus seja chamado à vocação religiosa ou sacerdotal, a minha oração (como cristão católico) é incoerente, pois estarei cerceando a ação do Espírito Santo de Deus que chama quem quer, aonde quer e quando quer (João 3,8) e, ao mesmo tempo, estarei condicionando a resposta do filho ou da filha pois, até inconscientemente, estarei dizendo, por exemplo, que eu quero, como um pai ou mãe, que meu nome seja perpetuado ou que é mais importante é ter profissões que, erroneamente escolhendo, estarei indicando para o meu filho para minha filha.
Os pais têm todo direito de quererem o melhor para o futuro de seus filhos, mas vejo também o perigo da vontade dos pais estar mesclada com a dos filhos, Desta forma não são poucos os jovens que se sentem frustrados em suas carreiras profissionais ou não, porque foram induzidos a não desapontar a vontade dos outros na própria vida.
Bem sei, também como padre, que o sacerdócio não tem mais o "glamour" que tinha há quarenta ou trinta anos atrás quando era um orgulho para a família ter um sacerdote ou ter uma religiosa entre seus filhos. Porém, sem querer polemizar os motivos da falta de vocações, continuo afirmando que "a messe é grande", e continua crescendo como ovelhas sem pastores. Pastores esses que surgem do povo para o povo, para conduzir e ajudar filhos de Deus até um encontro real com Jesus Cristo.

Nossas comunidades estão estéreis de vocações!E me atrevo a dizer que muitas se esterilizaram de tanto que abortaram suas vocações com sua falta de ânimo, maus exemplos e outras atitudes nada entusiastas das vocações.

Junto às nossas orações deve existir toda animação vocacional para aqueles que são chamados para servir o Senhor, ou seja, pastorais, grupos, movimentos eclesiais e famílias devem ajudar em todos os aspectos o vocacionado para que ele sinta-se acolhido, amado e tenha a tranquilidade de que o caminho vocacional que ele quer percorrer é importante para a Igreja, que sua família sente-se orgulhosa de que um dos seus foi chamado pelo Senhor para o seu serviço.

Alguém pode pensar: eu rezo pelas vocações, animo o vocacionado e depois ele não persevera, logo minhas orações foram em vão. Pois, então eu respondo: Se partirmos deste princípio não teríamos vocações sacerdotais e religiosas. Os seminários, conventos e casas religiosas em geral são sementeiras, ou seja, fazem cultivo sistemático dos vocacionados que para lá acorrem. Assim vocação = chamado + resposta, ou seja, vocação é o resultado do chamado (de Deus) mais a resposta (do homem). A oração do povo de Deus sustenta sobrenaturalmente o vocacionado para que seu sim seja diário, mas não depende daquele que reza a perseverança do vocacionado. Portanto, devemos continuar rezando, incentivando os vocacionados e confiar na misericórdia do Senhor que continua a chamar os seus filhos e filhos a trabalhar na sua messe.

Hoje, se sou sacerdote e religioso, pertencente a uma congregação religiosa, devo boa parte da minha perseverança, além da formação que tive, aos meus pais e minha comunidade que rezaram e me incentivaram em todos os aspectos para que o meu sim tivesse todo o suporte necessário para cultivar a minha vocação.

“Vinde Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis e renovareis a face da terra.”
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