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"É uma grandiosíssima calúnia dizer que tenho revoltas contra a Igreja. Eu nunca tive dúvidas sobre a Fé Católica, nunca disse nem escrevi, nem em cartas particulares, nem em jornais, nem em quaisquer outros escritos nenhuma proposição falsa, nem herética, nem duvidosa, nem coisa alguma contra o ensino da Igreja. Eu condeno tudo o que a Santa Igreja condena. Sigo tudo o que ela manda como Deus mesmo. Quem não ouvir e obedecer a Igreja deve ser tido como pagão e publicano. Fora da Igreja não há salvação."
Padre Cícero Romão Batista

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Má interpretação gerou polémicas desnecessárias



Livro “Luz do Mundo” apresenta o perfil e o pensamento ortodoxo do Santo Padre sobre questões que afligem e interpelam a sociedade

Em Novembro do ano passado, partindo do Ocidente, o mundo vibrou de forma inesperada, ao ser anunciado que Bento XVI tinha admitido o uso de preservativos para travar o flagelo da sida. Com isto, ainda segundo os consagrados líderes de opinião, a Igreja Católica acabava por recuar nos seus cânones, aprovando, doravante, o recurso aos preservativos. Chegou-se a este ponto mercê da publicação da obra intitulada “Luz do Mundo”, da autoria do jornalista alemão Peter Seewald, que mais uma vez conseguiu, com a sua mestria de sempre, reunir as entrevistas feitas ao Santo Padre. 
O título do livro foi escrito pelo próprio Papa, com o seu punho. Quando a obra saiu a lume, apenas os indivíduos sabedores de alemão e italiano, sobretudo os residentes em Roma, tiveram acesso, enquanto outros esperavam por outras versões. 
Nesse sentido, os do mundo lusófono passaram a aguardar, impacientemente, pela difusão da obra na língua de Camões. Há dias, o livro foi posto à venda, mas sem destaque, pois não há qualquer concorrência nem grande impacto, porque talvez a agitação registada aquando da apresentação da obra no Vaticano (numa altura em que a imprensa internacional falava da mudança radical de Bento XVI no que diz respeito aos princípios da moral católica) tenha desaparecido completamente.
Outra razão pode prender-se com o facto de na Europa o livro “Luz do Mundo” ser considerado uma “matéria normalíssima”, que apresenta o perfil e o pensamento ortodoxo do Santo Padre sobre as questões principais que afligem e interpelam a sociedade hodierna, não abordando apenas o “dossier” sobre o uso de preservativo, que até, apreciando bem o livro, não aparece em grande plano.  Com três partes e 15 pontos, o Santo Padre fala dos “Sinais dos Tempos”, do “Pontificado” e, finalmente, coloca e responde esta pergunta: “Para onde caminhamos?”. 
Nos seus depoimentos, o líder espiritual da Igreja Católica e Chefe de Estado da Cidade do Vaticano, usando a sua autoridade moral, focou muitos problemas de suma importância que dominam a actualidade. 
Fala, por exemplo, do “Ecumenismo e Diálogo com o Islão”, reafirmando o seu empenho pessoal, juntamente com os esforços de todos os católicos, no movimento ecuménico  e na abertura ao diálogo inter-religioso.
 Debruça-se também acerca da relação entre fé e cultura na sociedade contemporânea, e outros factos interessantes, mas longe de gerar polémicas ou incompreensões. Quanto ao tema que provocou, incompreensível e desnecessariamente, um grande alarido, isto é, os preservativos, o mesmo encontra-se encaixado na segunda parte, ponto 11, que fala das “Viagens Pastorais”, e não das “grandes decisões”, ou “orientações essenciais” que pudessem levar a uma “mudança radical” do catolicismo em matéria de moral, como muitos pensavam ou ainda pensam.

O parágrafo da polémica

E como surgiu a frase ou o parágrafo que foi mal interpretado, gerando polémicas desnecessárias e estéreis? As páginas 118 a 121 apresentam dados concretos que ajudam o leitor bem intencionado a desvalorizar tudo o que foi dito e comentado naquele momento de “euforia vazia”. A prová-lo, vale a pena transcrever os escritos do jornalista Peter Seewald, que reproduziu as palavras de Bento XVI. 
Eis a pergunta que foi colocada ao Papa: “A sua visita a África, em Março de 2009, colocou mais uma vez a política do Vaticano em matéria de sida na mira dos meios de comunicação social [...] Em África, Vossa Santidade afirmou que a doutrina tradicional da Igreja tinha revelado ser o caminho mais seguro para conter a propagação da sida. Os críticos, provenientes também da Igreja, pelo contrário, dizem que é uma loucura proibir a utilização de preservativos a uma população ameaçada pela sida” (in Luz do Mundo, 1ª edição, Edição Lucerna, Cascais 2010, página 118).E Bento XVI respondeu literalmente desta forma: “Em termos jornalísticos, a viagem a África foi totalmente ofuscada por uma única frase. Perguntaram-me porque é que, no domínio da sida, a Igreja Católica assume uma posição irrealista e sem efeito – uma pergunta que considerei realmente provocatória, porque ela (a Igreja) faz mais do que todos os outros. E mantenho o que disse. Faz mais porque é a única instituição que está muito próxima e muito concretamente junto das pessoas, agindo preventivamente, educando, ajudando, aconselhando, acompanhando” (pág. 118-119).
Continuando: “Essa foi a verdadeira resposta: a igreja faz mais do que os outros porque não se limita a falar da tribuna que é o jornal, mas ajuda as irmãs e os irmãos no terreno. Não tinha, nesse contexto, dado a minha opinião em geral quanto à questão dos preservativos, mas apenas dito – e foi isso que provocou um grande escândalo – que não se pode resolver o problema com a distribuição de preservativos [...] Pode haver casos pontuais, justificados, como por exemplo a utilização por um prostituto, em que a utilização do preservativo pode ser um primeiro passo para a moralização, uma primeira parcela de responsabilidade para voltar a desenvolver a consciência de que nem tudo é permitido e que não se pode fazer tudo o que se quer. Essa tem, realmente, de residir na humanização da sexualidade” (pág. 119-120). Pois claro, estas palavras merecem uma interpretação correcta para evitar qualquer deturpação numa matéria séria e sensível, que o Magistério da Igreja Católica trata com liberdade, equilíbrio e sabedoria. Em suma, o Papa reafirmou o que o catolicismo sempre defendeu, mas que nem sequer foi salientado.
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