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"É uma grandiosíssima calúnia dizer que tenho revoltas contra a Igreja. Eu nunca tive dúvidas sobre a Fé Católica, nunca disse nem escrevi, nem em cartas particulares, nem em jornais, nem em quaisquer outros escritos nenhuma proposição falsa, nem herética, nem duvidosa, nem coisa alguma contra o ensino da Igreja. Eu condeno tudo o que a Santa Igreja condena. Sigo tudo o que ela manda como Deus mesmo. Quem não ouvir e obedecer a Igreja deve ser tido como pagão e publicano. Fora da Igreja não há salvação."
Padre Cícero Romão Batista

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Bento XVI e a eclesiologia de comunhão no Concílio Vaticano II



O jornal vaticano L’Osservatore Romano (LOR) publicou recentemente um artigo sobre a reunião da revista internacional de teologia e cultura “Communio” fundada há 38 anos por Hans Urs von Balthasar, Henri de Lubac e Joseph Ratzinger. No texto se destacam alguns argumentos que sustentam o olhar do Papa Bento XVI sobre o Concílio Vaticano II, sua importância na história da Igreja em continuidade com a tradição, assim como o conceito da eclesiologia de comunhão engrenado com a missão.
Ante as distintas interpretações do Concílio que opõe diversos binômios como: modelo evangelizador ou modelo ritualista, paradigma democrático ou autocrático, linha progressista ou conservadora, entre outros, o artigo assinala que “Bento XVI ilustrou com claridade as duas hermenêuticas (chaves de interpretação) –por ele definidas como ‘a da descontinuidade e ruptura’ e a da reforma, a renovação e a continuidade’– no importante discurso à Cúria romana de 22 de dezembro de 2005, onde tomou nitidamente partido a favor da segunda”.
A primeira hermenêutica, assinalava o Papa naquela ocasião, “corre o risco de acabar em uma ruptura entre Igreja pré-conciliar e Igreja pós-conciliar. Ele afirma que os textos do Concílio como tais não seriam ainda a verdadeira expressão do espírito do Concílio. Seriam o resultado de arranjos, nos quais, para obter a unanimidade, foi preciso ainda retroceder, reconfirmando muitas coisas antigas já inúteis. Mas nestes arranjos não se refletiria o verdadeiro espírito do Concílio, e sim nos impulsos rumo ao novo que subjazem nos textos: só esses impulsos representariam o verdadeiro espírito do Concílio, e partindo deles e de acordo com eles seria necessário seguir adiante. Precisamente porque os textos só refletiriam de modo imperfeito o verdadeiro espírito do Concílio e sua novidade, seria necessário ter a valentia de ir além dos textos, deixando espaço à novidade na que se expressaria a intenção mais profunda, embora ainda indeterminável, do Concílio. Em uma palavra: seria preciso seguir não os textos do Concílio, mas o seu espírito”.
A outra hermenêutica da renovação e a continuidade, que defende o Santo Padre, não nega que nos grandes tema tratados pelo Concílio “poderia emergir certa forma de descontinuidade e que, em certo sentido, de fato foi manifestada uma descontinuidade, na qual, entretanto, feitas as devidas distinções entre as situações históricas concretas e suas exigências, resultava que não se abandonou a continuidade nos princípios; este fato facilmente escapa à primeira percepção.
Precisamente neste conjunto de continuidade e descontinuidade em diferentes níveis consiste a natureza da verdadeira reforma”.

Seguidamente o artigo faz uma análise sobre alguns aspectos da eclesiologia de comunhão que se deriva do Concílio Vaticano II: “dela deriva que a dimensão societária faz parte essencial e não acessória da comunhão assim como o Concílio a quis delinear, uma comunhão fundada não só na harmonia horizontal entre os componentes da Igreja, mas na ação trinitária, cristológica e sacramental na vida da Igreja mesma”.
Depois de assinalar que “a Igreja não é apenas uma sociedade nem simplesmente o Corpo de Cristo”, o artigo precisa que é ademais “fruto da obra trinitária da criação (…) A Igreja é, como afirma a Lumen Gentium citando São Cipriano, ‘um povo unido à unidade do Pai, do Filho e do Espírito Santo’”.
A comunhão eclesiástica “está no enraizamento dos batizados na obra trinitária de unificação da Igreja: povo de Deus, corpo de Cristo e templo do Espírito Santo. Está acima de todo a adesão à única fé na proclamação da palavra de Deus que representa a raiz da comunhão eclesiástica” como afirma a Dei Verbum.
O artigo do LOR sublinha ademais que “são os sacramentos, e de modo especial a Eucaristia, os que renovam, nutrem e reconstituem a comunhão na Igreja” que não pode ser entendida simplesmente como um “estar de acordo”. Esta última perspectiva, que embora seja útil, prossegue o texto, “reduziu a riqueza teológica da eclesiologia da comunhão e favoreceu uma praxe cristã às vezes muito ‘intimista’ correndo o risco de obscurecer a outra grande dimensão da Igreja conciliar: a missão”.
Sem dúvida, assinala o texto assinado pelo professor de teologia Erio Castellucci, o Concílio “Vaticano II impostou uma eclesiologia missionária, superando decididamente duas grandes reduções herdadas no curso dos últimos séculos. Uma primeira redução tinha que ver com a absorção da missão nas ‘missões’, pela que só quem ia a algum país longínquo era chamado ‘missionário’; uma segunda, consistia no convencimento de que a missionariedade constitui só um momento episódico e passageiro da Igreja que chegaria a seu término uma vez cristianizado todo mundo. O Vaticano II supera ambas as reduções, evidenciando a natureza missionária da Igreja, fundada nas mesmas missões trinitárias”.
O Vaticano II, continua, “pôs em evidência como a missão não é simplesmente uma das atividades da Igreja, mas pertence a sua mesma natureza. Se devêssemos indicar qual das duas é efetivamente a ‘novidade’ do concílio, deveríamos escolher a missão”.
Ao explicar finalmente a importância da comunhão e a missão, o texto assinala que “uma sem a outra não teria nenhum sentido, porque a comunhão sem a missão ficaria no intimismo e a missão sem a comunhão se dissiparia no ativismo. A comunhão, então, mais que o ‘centro’ da eclesiologia é um dos dois focos da elipse, porque compartilha com a missão a qualidade de eixo sustentador da Igreja”.
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