Sejam Bem-Vindos!

"É uma grandiosíssima calúnia dizer que tenho revoltas contra a Igreja. Eu nunca tive dúvidas sobre a Fé Católica, nunca disse nem escrevi, nem em cartas particulares, nem em jornais, nem em quaisquer outros escritos nenhuma proposição falsa, nem herética, nem duvidosa, nem coisa alguma contra o ensino da Igreja. Eu condeno tudo o que a Santa Igreja condena. Sigo tudo o que ela manda como Deus mesmo. Quem não ouvir e obedecer a Igreja deve ser tido como pagão e publicano. Fora da Igreja não há salvação."
Padre Cícero Romão Batista

sábado, 31 de março de 2012

"A Onde Vais, Senhor?"

  
Em Nova Jerusalém e em muitas cidades do Nordeste começou a temporada das “Paixões”. Estamos entrando na Semana Santa! Semana rica de significado e propícia para uma reflexão sobre o sentido da nossa vida e o significado da morte de Jesus. Vamos começar com a lenda do “Quo Vadis”.
Em Roma, ao início do cristianismo, iniciou-se grande perseguição de Nero. O apóstolo Pedro, pressionado por seus irmãos cristãos, procura afastar-se da cidade. Enquanto foge para o sul, ao longo da via Ápia, encontra Jesus que vai em direção oposta. Pergunta-lhe Pedro: “Aonde vais, Senhor?” Jesus responde: “Vou a Roma para morrer de novo”. Pedro compreende, volta atrás e sofre o martírio por Cristo, morrendo crucificado, segundo a tradição, com a cabeça para baixo.
A história do Quo Vadis se repete também hoje. Jesus vem para sofrer e morrer de novo em toda cidade e lugar onde está em ato a perseguição, o perigo, a morte,especialmente em nossos dias, com o desprezo da verdadeira dignidade da pessoa humana, a banalidade da vida humana, a perseguição dos seres humanos ainda no ventre materno, a discriminação de pessoas segundo a sua situação de humilhação e esquecimento, a tentativa de criar um sistema de amordaçamento dos que pensam o contrário e até com a perseguição. Mas Deus não se esquece e suscita ainda discípulos e discípulas corajosos que não fogem, que estão presentes, mesmo sofrendo perseguições abertas ou camufladas.
A história do Quo Vadis tem um sentido também para cada um de nós. Quando Jesus iniciou sua última viagem para Jerusalém que se concluiria com a morte, um dos apóstolos disse aos outros que estavam titubeantes: “Vamos também nós morrer com ele” (João 11,16). Com esse sentimento no coração todo verdadeiro homem de fé deveria iniciar a semana santa.
O domingo de ramos é rico de significado e memórias. Os Ramos constituem o aspecto mais vistoso e sugestivo do acontecimento: recordamos o ingresso triunfal de Jesus em Jerusalém. Os ramos de oliveiras abençoados pelo celebrante, antes da procissão, são sinais de vitória e levamos um depois para nossa casa, em recordação de Cristo vencedor da morte. O Papa João Paulo II ai se inspirou para proclamar a Jornada Mundial da Juventude.
A leitura da Paixão do Senhor que é proclamada neste domingo nos introduz no drama que podemos dividir em cinco comentários: 1. A hora da traição: Os chefes dos sacerdotes se colocam de acordo com Judas para lhes entregar o Senhor Jesus. 2. A hora da Amizade: Jesus recolhido com os apóstolos no Cenáculo cumpri o rito da Páscoa, parte com eles o pão, e se dá a seus amigos no sacramento da Eucaristia que institui. 3. A hora da angústia: Jesus se retira para o Horto das Oliveiras e conhece a solidão , a prisão, a fuga dos seus amigos; 4. A hora do julgamento: Jesus é processado pelo sumo sacerdote e por Pilatos; é renegado por Pedro e escarnecido pelos soldados. Marcos põe em relevo a traição de Pedro. Ela foi anunciada por Jesus na última ceia: “Hoje mesmo, nesta noite, antes que o galo cante, tu me negarás três vezes”. Depois descreve em todo o seu humilhante desenvolvimento, na voz de Pedro: “ Não sei e não compreendo o que queres dizer... Não conheço o homem que vós quereis dizer!”. 5. A hora da crucifixão e morte. Com o grito: “Deus meu, Deus meu, por que me abandonaste?” Assim, não há dor em nossa vida, que Jesus não tenha condividido conosco. Sabemos que o Senhor morreu por cada um de nós.
A participação nas celebrações da Semana Santa não nos leva a celebrar a morte: a nossa meta é a vida, é a Ressurreição! Feliz quem tem o dom de acreditar.”

Dom Bernardino Marchió
Bispo Diocesano de Caruaru.


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