Sejam Bem-Vindos!

"É uma grandiosíssima calúnia dizer que tenho revoltas contra a Igreja. Eu nunca tive dúvidas sobre a Fé Católica, nunca disse nem escrevi, nem em cartas particulares, nem em jornais, nem em quaisquer outros escritos nenhuma proposição falsa, nem herética, nem duvidosa, nem coisa alguma contra o ensino da Igreja. Eu condeno tudo o que a Santa Igreja condena. Sigo tudo o que ela manda como Deus mesmo. Quem não ouvir e obedecer a Igreja deve ser tido como pagão e publicano. Fora da Igreja não há salvação."
Padre Cícero Romão Batista

sábado, 16 de fevereiro de 2013

Os papas que renunciaram


São passados quase 600 anos da última renúncia de um papa, Gregório XII, em 1416. Por isso, a inusitada e impensada renúncia do papa Bento XVII soa estranha, até aqui em Roma. 0s papas que renunciaram o fizeram em situação de forte crise, ou até de caos.

O papa São Clemente I em 97, em meio a uma crise na Igreja de Corinto, onde jovens se rebelaram contra os presbíteros (velhos). Ele escreveu a essa Igreja uma belíssima carta, que rivaliza com a de São Paulo. O cristianismo incipiente intimidava o poder. O imperador Nerva, literalmente mandou o Papa ir arrancar pedras, nas minas do Quersoneso. Parece que ele não renunciou, foi cassado. Sua festa é no dia 23 de novembro.

O papa São Ponciano renunciou formalmente em 235, antes de ser exilado por Maximino, nas minas da Sardenha. No conclave foi eleito o papa Ponciano, mas um grupo elegeu santo Hipólito, também papa. O imperador mandou os dois para o exílio. Ambos são mártires celebrados no dia 13 de agosto. Santo Hipólito - talvez sem querer - é o primeiro antipapa. Por ser mártir e santo, em geral ele não aparece como antipapa.

O papa Silvério, em 537. Em plena Idade Média, era grande a ingerência do poder civil na Igreja. Os ostrogodos invadiram o norte da Itália e chegaram a assediar Roma com 150 mil soldados. Houve falsificação de uma carta do papa Silvério. E em meio a esse caos, o papa teria renunciado. Alguns autores dizem que ele foi formalmente destituído.

O papa João XVIII em 1009. Na época toda a península itálica estava envolta em grande confusão política. Ela foi invadida por Henrique da Baviera, com grandes transtornos. O papa que só cuidava das coisas espirituais, renunciou e retirou-se para a Abadia de São Paulo fora dos Muros, nos arredores de Roma, onde morreu poucos meses depois.

O papa São Celestino V, em 1294. Por lutas internas na Igreja, a sede Pontifícia ficou vacante mais de dois anos. Em julho foi eleito o velho monge Celestino, aos 79 anos. Ele se viu em meio a tanta confusão, que renunciou já em dezembro. Ele é citado por Dante Alighieri na Divina Comédia (Inf. III, 59-60). Ele é o S. Pedro Celestino, festejado em 19 de maio.

O papa Gregório XII, em 1416. Era o tempo difícil dos papas em Avinhão e da volta para Roma. Ele foi eleito apenas por 15 cardeais. Enfrentou grande oposição do outro grupo. Ele tentou por algum tempo, conciliar a situação mas sem resultado, renunciou pelo bem da Igreja. Isso permitiu a eleição de um novo papa de consenso.

O papa atual, Bento XVI, anunciou a sua renúncia para o dia 28 de fevereiro de 2013. Ele enfrentou desde o início uma crise: muitos cardeais não aceitavam o secretário de Estado do Vaticano, D. Tarcísio Bertone, por ele não ser da carreira da Diplomacia do Vaticano. Isso incomodava aos carreiristas. Para mim, a renúncia do papa pode ser interpretada como: “Se ele deve sair, eu saio também!”

A crise cresceu com o anuncio, em janeiro de 2012, de que o papa “morreria” até dezembro e seu sucessor, já estaria designado: o cardeal de Milão Angelo Scola. O aviso escrito foi entregue a D. Bertone e divulgado na imprensa. Os citados nele, negaram o fato, “comme toujours!”

O ápice veio em fevereiro de 2012 quando o livro Sua Santidade publicou documentos particulares do Vaticano. Identificado o culpado, o mordomo (como em Aghata Christie), ele foi preso, julgado, condenado e anistiado em 22 de dezembro de 2012. Ele disse: “Eu fiz isso para salvar a vida do papa”. Sua advogada foi mais enfática:“Quando a verdade dos fatos vier a lume, Paolo Gabriele será homenageado”. A pergunta é: Por ter salvado a vida do papa?

Hermínio Bezerra
freiherkol@yahoo.com.br
Frade
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