Sejam Bem-Vindos!

"É uma grandiosíssima calúnia dizer que tenho revoltas contra a Igreja. Eu nunca tive dúvidas sobre a Fé Católica, nunca disse nem escrevi, nem em cartas particulares, nem em jornais, nem em quaisquer outros escritos nenhuma proposição falsa, nem herética, nem duvidosa, nem coisa alguma contra o ensino da Igreja. Eu condeno tudo o que a Santa Igreja condena. Sigo tudo o que ela manda como Deus mesmo. Quem não ouvir e obedecer a Igreja deve ser tido como pagão e publicano. Fora da Igreja não há salvação."
Padre Cícero Romão Batista

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

LIBERDADE


O texto que segue é de um dos meus alunos da Penitenciária José Maria Alkimim. Na digitação procurei deixar o máximo possível do original. Apenas algumas palavras modifiquei. Leiam e dexe seus comentários. É uma reflexão interessante deixada por ele, para pensarmos em nossa liberdade. Somos realmente livres?

LIBERDADE
Para mim a liberdade é um assunto interessante. Passei um tempo de minha vida privado do direito de ir e vir, resultado de más escolhas e um comportamento reprovável. Tudo isso se traduziu em vários anos de prisão. E, por incrível que pareça, foi no confinamento de uma cela que me apresentei a mim mesmo, ou seja, conheci o verdadeiro eu. Fiz um auto-retrato e descobri muitos defeitos. Procurei uma forma de corrigi-los. Nesse processo descobri que a liberdade não está rescrita ao ir e vir, mas, também, na maneira de agir e de pensar. Na forma como lidamos com nossas culpas e com as dos outros. Como encaramos a vida e as pessoas que correm ao nosso lado. O valor que atribuímos a cada momento seja ele bom ou ruim. Nessa auto-analise me vi preso a tabus e preconceitos; manias e vícios; senti carência de liberdade, de tudo isso que me afligia.
Em busca dessa liberdade comecei um processo de purificação, ou exorcismo mesmo. Nesta fase contei com a ajuda de alguns profissionais que trabalham no sistema prisional. Conversei muito com psicólogos, assistente social, pedagogas, professores e algumas mentes boas com quem convivi. Descobri que não era uma pessoa ruim, mas estava acostumado a fazer coisas ruins e tinha que mudar isso. Olhei ao redor e vi que meu campo de visão era restrito em relação ao espaço, mas imenso em relação as pessoas, já que vivia em presídios lotados, em meio a todo tipo de gente, de personalidade, e caráter diversos. Deixei de lado o egoísmo e passei a olhar para o drama de outras pessoas e descobri que muitas pessoas são infelizes por que vivem presas ao passado. Sempre se lamentando da pouca sorte, mas na maioria das vezes não fazem nada para mudar de vida. Não se acham merecedoras de uma vida melhor. E não conseguem se libertar de si mesmas. Não compreendem que o presente é resultado do que plantamos no passado. E, consequentemente, o futuro será construído com o que plantamos hoje. Quando prejudicamos alguém, estamos fazendo mal a nós mesmos. Estamos plantando para colher no futuro. Essa colheita pode ser muito triste. Somos filhos de Deus e possuímos a capacidade infinita, porém está em nossas mãos fazer o melhor. Temos o livre arbítrio para comandar a nossa vida. Podemos controlar nossos pensamentos e sentimentos. Assim, atrair para nós tudo o que é necessário para uma vida próspera e feliz. Entender isso nos faz livres.
Invariavelmente pensamos em liberdade física e a liberdade da alma das paixões e vícios, ficam sempre em outros planos. Mas, também, não é de se estranhar, pois é muito difícil de associar o conceito de liberdade a uma pessoa obesa, um alcoólatra, ou um viciado em drogas. Sabemos que cada um vive como melhor lhe aprouver. Porém, essas pessoas vivem em seu inferno astral. Uma espécie de prisão e precisam da liberdade, não a física, mas aquela da alma que vem de dentro e que, vamos combinar, é muito importante. Quando vemos um rosto bonito na TV, revista, logo associamos as que nos são anunciadas, alvo de nosso desejo, e não percebemos a prisão das vaidades. Não uso como exemplo as modelos lindas e bem sucedidas. Refiro-me as anorêxas que morrem em busca de um corpo perfeito; aquelas que se descabelam e vivem frustradas, ou sempre na lista de um cirurgião plástico sem conseguir se libertar da vaidade excessiva.
E o que dizer de um doente mental? Como será essa incrível prisão que é a loucura? O não saber nada? O não ter preocupações, não se ater a esse mundo cruel, vivendo numa outra realidade? Que tipo de liberdade se poderia adequar a esse caso? A sanidade mental? Creio que não. Sou lúcido o bastante para crer nisso.
É, minha gente! É incrível como as coisas acontecem na vida de cada um. Como estamos sempre nos esforçando para alcançar a tão sonhada liberdade. Liberdade financeira, liberdade de expressão, liberdade de escolha, liberdade, liberdade...
O engraçado é que nem sempre agimos como queremos, mas sim, do jeito que nos é conveniente. E, quando agimos assim, estamos presos a convenções sociais, obrigações, regras trabalhistas e uma série de coisas que nos privam da liberdade de sermos nós mesmos e passamos a ser o que é preciso ser para se viver bem em sociedade.
Na verdade quase todo mundo, nem que seja uma vez na vida, já teve vontade de se livrar dos grilhões sociais que os prendem, e fazer o que “lhes desse na telha”, mas essa liberdade custaria muito caro, então...
Creio que só quando conseguirmos enxergar a vida com toda a sua grandiosidade, toda a sua beleza, agradecer a tudo que Deus no deu; quando aprendermos a respeitar o próximo com suas deficiências; respeitar a infância como alicerce do futuro; respeitar a fauna a flora e os recursos minerais e respeitar a política, a nós eleitores, e, acima de tudo, respeito por nós mesmos. Nesse momento seremos verdadeiramente livres.
Hoje sou uma pessoa melhor com uma visão mais clara da vida e de mim mesmo. Posso dizer que vim, vi e venci. Acima de tudo, me libertei. Antes, por grades, atos, teimosia, vícios que era preso. Hoje só por grades. Antes eu era uma pessoa má. Hoje sou uma pessoa boa com o rótulo de presidiário, mas me considero mais livre do que muita gente lá fora.
E você, qual é a sua prisão? Qual a liberdade que buscas?
Boa sorte!
Marcio Davi
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