Sejam Bem-Vindos!

"É uma grandiosíssima calúnia dizer que tenho revoltas contra a Igreja. Eu nunca tive dúvidas sobre a Fé Católica, nunca disse nem escrevi, nem em cartas particulares, nem em jornais, nem em quaisquer outros escritos nenhuma proposição falsa, nem herética, nem duvidosa, nem coisa alguma contra o ensino da Igreja. Eu condeno tudo o que a Santa Igreja condena. Sigo tudo o que ela manda como Deus mesmo. Quem não ouvir e obedecer a Igreja deve ser tido como pagão e publicano. Fora da Igreja não há salvação."
Padre Cícero Romão Batista

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Dom Dino: Olhar para frente

dom dino copyNo fim do ano é normal fazer um balanço do que foi feito e do que deixamos de realizar. Serve para descobrir o que precisa mudar na nossa vida e não apenas para ficar com saudade do passado. Sabemos que em 2013 enfrentamos desafios, sofremos derrotas, mas muita coisa boa aconteceu: a igreja Católica recebeu como presente de Deus o Papa Francisco, que mostrou todo o seu carisma exatamente aqui no Brasil no meio da juventude.
Agora, porém, é tempo de olhar para frente e descobrir o que devemos melhorar. E o tema da paz já se apresenta a cada um de nós no dia 1º de janeiro de 2014. Papa Francisco enviou à humanidade uma mensagem com o título: “Fraternidade, fundamento e caminho para paz”. Teremos oportunidade de aprofundar este assunto no mês de janeiro.
Hoje, desejando feliz ano novo a todos, quero fazer algumas reflexões gerais sobre a paz!
De onde nos pode vir a paz? Como nós imaginamos a paz? Guardada em algum lugar, embalada e prontinha para nosso uso e consumo? Ou, talvez, ela dependa da invocação de "bons fluidos", de alguma energia cósmica, a ser acordada e atraída com o foguetório bonito, mas extremamente poluidor, da meia noite de 31 de dezembro? Depende das boas graças de divindades, donas da paz, que nos podem conceder, se bem quiserem, um pouquinho dela?
Verdadeira paz neste mundo já é possível, sobretudo para quem tem fé em Deus. O fundamento último e o sustento inabalável da paz é o próprio Deus; e quem está firme em Deus pode ser operador esperançoso e perseverante da paz. O Deus da paz vem em socorro de todos os construtores da paz e os reconhece como seus filhos: serão chamados filhos de Deus".
Vários fatores são determinantes e devem ser cultivados pelo homem para que haja a possibilidade da paz. 
Para começar, a própria religião deve servir à paz, contrariamente, se ela for usada como instrumento ideológico para a violência, ou como manifestação fanática e fundamentalista contra os outros, então ela não é verdadeira nem presta culto a Deus; nesse caso, é um desvio da religião, uma espécie de enfermidade religiosa.
Os obreiros da Paz precisam estar empenhados na obra da justiça "fruto da justiça é a Paz" - e na busca da verdade. Sem esses dois fundamentos não haverá paz verdadeira e estável. Da justiça decorre o respeito pelos direitos humanos e pela dignidade inalienável de cada ser humano. Como pode haver Paz se o ser humano é humilhado, desrespeitado, desprezado, violentado, até mesmo no seu direito mais fundamental, que é o de viver?
A paz requer, além disso, a superação de hábitos e estilos de vida que comprometem o convívio pacífico: o egoísmo e o individualismo frios, insensíveis às necessidades e sofrimentos alheios e requer o cultivo de atitudes positivas, como a solidariedade, a bondade, a capacidade de perdão e reconciliação a gratuidade no serviço ao próximo, especialmente aos mais necessitados. Requer, respeito pela natureza, em vez da apropriação e exploração individualista dos bens dessa nossa "casa comum”.
Justiça e paz não são fatos dados e prontos, mas o fruto de uma busca contínua e conjunta, onde as pessoas compartilham valores e atitudes. Paz não existe sem justiça, como não existe justiça, sem honra à dignidade humana. E esses bens são a fina flor do esforço de gerações, que acreditam neles; por isso, também os passam às novas gerações pelo processo da educação. Pais e famílias, apesar de tudo o que se possa dizer em contrário, ainda são os grandes agentes desse processo. Mas também são poderosos agentes de educação a escola e outras estruturas educativas formais e informais, bem como os meios de comunicação social.
E por fim, nos perguntamos: ainda há possibilidade de paz em Caruaru? Vamos olhar o futuro com otimismo: também os fatos que mancharam a nossa cidade podem-se tornar apelos para a paz, a justiça e a democracia.
Dom Bernardino Marchió
Bispo Diocesano de Caruaru
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