Sejam Bem-Vindos!

"É uma grandiosíssima calúnia dizer que tenho revoltas contra a Igreja. Eu nunca tive dúvidas sobre a Fé Católica, nunca disse nem escrevi, nem em cartas particulares, nem em jornais, nem em quaisquer outros escritos nenhuma proposição falsa, nem herética, nem duvidosa, nem coisa alguma contra o ensino da Igreja. Eu condeno tudo o que a Santa Igreja condena. Sigo tudo o que ela manda como Deus mesmo. Quem não ouvir e obedecer a Igreja deve ser tido como pagão e publicano. Fora da Igreja não há salvação."
Padre Cícero Romão Batista

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

A infalibilidade papal: o Papa é infalível? Quando? Como?



A doutrina da infalibilidade do Papa foi definida no 4º capítulo da 4ª sessão do Concílio Vaticano I (1869 - 1870), durante o pontificado de Pio IX. Ouvimos, porém, muitos questionamentos a respeito de o Papa ser isento de erro, se ele é também um homem falho e imperfeito, portanto sujeito ao erro e ao pecado. Alguns polemizam a respeito dessa questão por puro desconhecimento da doutrina (talvez alguma preguiça de aprender?), mas me parece que a maioria o faz por má fé. Por isso é muito importante e necessário que os católicos aprendam definitivamente a esse respeito, para que possam também elucidar a outros quando surge essa questão.

Em primeiro lugar, infalibilidade é diferente de "impecabilidade". A doutrina da infalibilidade do Papa não diz que o Sumo Pontífice é um homem perfeito, que nunca erra, não peca, que não se equivoca, ou que ele está para sempre livre de cometer falhas , enquanto for Papa. O que a doutrina da infalibilidade do Papa afirma é: o Papa é infalível quando fala nas condições "ex-cathedra". O que significa isto?

1) Quando o Soberano Pontífice se pronuncie como sucessor de Pedro, usando os poderes das Chaves concedidas ao Apóstolo pelo próprio Cristo (Mt 16, 19);

2) Quando o objeto de seu ensinamento é a moral, fé ou os costumes;

3) Que queira ensinar à Igreja inteira;

4) Quando é manifesta a intenção de dar decisão dogmática e não simples advertência, e declarando anátema que se ensine tese oposta.

Em resumo, o Papa é infalível quando se dirige, como Papa e sucessor do Apóstolo Pedro, que ele é, a toda a Igreja; quando o objeto de seu pronunciamento é a moral, a fé e/ou os costumes, e quando define que dará uma decisão dogmática.

Em outras palavras, o Papa é passível de falhas fora das três condições descritas acima. Mas será algum absurdo pensar que o Papa é infalível quando instrui a Igreja a respeito de doutrina? O que você acha disso?

A resposta é não, isso não é nenhum absurdo, pelo contrário. Ao menos para quem tem fé, o absurdo seria pensar que o Papa, sucessor de Pedro e pastor maior da Igreja, aquele que comanda toda uma imensa nação de fiéis que constituem o Corpo Místico de Cristo no mundo, fosse falho enquanto líder, pois nesse caso seria totalmente incapaz de assumir a missão de orientar e conduzir a Igreja! Se o líder máximo da cristandade não fosse infalível enquanto condutor da Igreja, não poderíamos crer em Igreja, nem nos Evangelhos, nem em Jesus Cristo, que prometeu que estaria com a sua Igreja até o fim do mundo. A infalibilidade é lógica, óbvia e consta explicitamente nas Sagradas Escrituras:

"Ide, pois, e ensinai a todas as nações; batizai-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Ensinai-as a observar tudo o que vos prescrevi. Eis que estou convosco todos os dias, até o fim do mundo." (Jesus Cristo à sua Igreja, no Evangelho segundo Mateus, 23, 19-20)

Nosso Senhor afirma aos Apóstolos que estará com eles e com a Igreja até o fim do mundo. Isto demonstra que os Apóstolos, não só os primeiros, mas também os seus sucessores, escolhidos pelos próprios Apóstolos (como vemos no livro de Atos), estão hoje conduzindo a humanidade sob a assistência de Nosso Senhor Jesus Cristo, que garantiu a infalibilidade da doutrina dos Apóstolos, conforme Jesus diz a seus apóstolos:

"Eu vos mandarei o Prometido de meu Pai; permanecei até que sejais revestidos da Força do Alto." (Evangelho segundo Lucas 24, 49)

"O Espírito da Verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê nem o conhece, mas vós o conheceis, porque permanecerá convosco e estará em vós." - "O Paráclito, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, ensinar-vos-á todas as coisas e vos recordará tudo que vos tenho dito." (João 14, 17.26)

Note a afirmação: "O Espírito da Verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê nem o conhece..." - Isto é, cabe aos Apóstolos ensinar a doutrina verdadeira e autenticamente, inspirada por Deus.

Jesus Cristo enviou seus Apóstolos a propagar à toda a humanidade o Caminho até o Pai. Portanto, se cremos em Jesus Cristo e nos Evangelhos, temos que crer também que os Apóstolos são infalíveis em seus ensinamentos, pois Cristo mesmo afirmou categoricamente que estaria com eles até o fim do mundo, para que cumprissem a missão de levar o Evangelho "até os confins do mundo": "Descerá sobre vós o Espírito Santo, e vos dará o poder; e sereis minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judéia, Samaria e até os confins do mundo".

A própria entrega das Chaves do Reino dos Céus a Pedro, com a promessa de que o Inferno não prevaleceria sobre a Igreja, juntamente com o poder dado a ele, Pedro, diretamente por Jesus Cristo: "O que ligares na Terra será ligado nos Céus, e o que desligares na Terra será desligado nos Céus" (Mateus 16, 18-19), é a afirmação clara, direta e inquestionável da infalibilidade daquele que comanda a Igreja, pois, se Nosso Senhor disse aos apóstolos que eles deveriam ensinar o Evangelho à humanidade e que estaria com a sua Igreja até o fim do mundo, então, pela Providência Divina, esta Igreja não poderia ensinar senão a verdadeira doutrina de Jesus Cristo, o Caminho certo até o Pai. A confirmação definitiva consta em Lucas 22, 31, quando o Senhor Jesus Cristo fala a Simão Pedro:

"Simão, Simão, eis que Satanás vos reclamou para vos peneirar como o trigo; mas eu roguei por ti, para que a tua confiança não desfaleça; e tu, por sua vez, confirma os teus irmãos."



Até aqui não há nenhuma sombra de dúvida a respeito da autoridade e infalibilidade do Papa e da Igreja na Terra. - E aqui insistimos que não estamos nos referindo aos filhos da Igreja, pois sabemos que padres, bispos e papas estão sujeitos ao pecado, como qualquer ser humano. A infalibilidade se refere à Igreja enquanto Corpo Místico de Cristo e condutora da humanidade ao Caminho da Salvação e da Verdade. - Sem dúvida o Papa, como condutor máximo da Igreja, precisa ser infalível no que se refere à disseminação da verdadeira doutrina cristã para os povos.

Porém, como a criatividade humana não tem limites, os inimigos da Igreja nunca deixam de tentar contestar até mesmo as verdades mais simples a respeito de tudo que a confirme. Para negar o óbvio, desesperados apelam para todo tipo de insanidade: já ouvimos dizer até que Pedro teria perdido a sua autoridade por ter negado Nosso Senhor por três vezes(!). O mais curioso é que as pessoas que inventam desvarios como esses são aquelas que se colocam como conhecedoras das Sagradas Escrituras! Incrível que nunca tenham lido aquilo que Jesus Cristo mesmo diz a Pedro no Evangelho segundo João:

"Após a ceia, Jesus perguntou a Simão Pedro: 'Simão, filho de João, amas-me mais do que estes?' Respondeu ele: 'Sim, Senhor, tu sabes que te amo.' Disse-lhe Jesus: 'Apascenta os meus cordeiros.' Perguntou-lhe outra vez: 'Simão, filho de João, amas-me?' Respondeu-lhe Pedro: 'Sim, Senhor, tu sabes que te amo.' Disse-lhe Jesus: 'Apascenta os meus cordeiros.' Perguntou-lhe pela terceira pela vez: 'Simão, filho de João, amas-me?' Pedro entristeceu-se por que o Senhor perguntou pela terceira vez: 'Amas-me?', e respondeu-lhe: 'Senhor, sabes tudo, e sabes que te amo.' Disse-lhe Jesus: 'Apascenta as minhas ovelhas.'" (João 21, 15-17)

Jesus Cristo, Deus, sabe tudo. Por certo sabia das contestações que surgiriam, no correr da história, a respeito da autoridade e da infalibilidade do Papa. Por isso, fez questão de repetir por três vezes que estava entregando a Ele, Pedro, a missão de cuidar do seu rebanho, a Igreja, neste mundo.

Não. O Papa não é infalível enquanto homem. Como pessoa, ele é apenas um ser humano que dedicou e consagrou toda a sua vida, - literalmente toda a sua vida, - ao serviço de Deus e da Igreja. Mesmo assim, isso não significa necessariamente ser santo, pois, como foi visto, até mesmo São Pedro, que conviveu diretamente com o Senhor e foi o primeiro Papa da Igreja fundada por Jesus Cristo (embora não fosse chamado assim naquela época), era falho e pecou ao negá-lo. Até mesmo após a Ascensão do Senhor ao Céu, Pedro, que sempre manteve o seu livre arbítrio, parece ter se equivocado em questões teológicas, sendo que foi repreendido por Paulo, outro Pilar da Igreja e grande Apóstolo.

Sim, o Papa é infalível em suas funções como autoridade instituída diretamente por Nosso Senhor Jesus Cristo. A ele foi concedida a autoridade para instruir o Povo de Deus neste mundo, a frente da santa Igreja. Ele foi canonizado e morreu martirizado pelo Imperador Romano. A única ocasião em que Deus interfere no livre-arbítrio dos Apóstolos é quando estes cumprem a missão de doutrinar as "ovelhas" de Deus, pois os seres humanos não têm condições de comunicar Deus através da sua própria ciência ou por seus próprios méritos. Assim, o fiel comum não é capaz, através de elucubrações, estudos e debates com outras pessoas, de definir um ensinamento isento de erro; mesmo os grandes teólogos não possuem essa capacidade: suas conclusões somente são aceitas quando colocadas sob apreciação do Magistério da santa Igreja, centrada na figura do Papa.

Fonte: Voz da Igreja.
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