Sejam Bem-Vindos!

"É uma grandiosíssima calúnia dizer que tenho revoltas contra a Igreja. Eu nunca tive dúvidas sobre a Fé Católica, nunca disse nem escrevi, nem em cartas particulares, nem em jornais, nem em quaisquer outros escritos nenhuma proposição falsa, nem herética, nem duvidosa, nem coisa alguma contra o ensino da Igreja. Eu condeno tudo o que a Santa Igreja condena. Sigo tudo o que ela manda como Deus mesmo. Quem não ouvir e obedecer a Igreja deve ser tido como pagão e publicano. Fora da Igreja não há salvação."
Padre Cícero Romão Batista

domingo, 14 de abril de 2013

Pergunta e resposta: origem da devoção à Virgem Maria


Um leitor anônimo enviou-nos a seguinte pergunta:

"As ações da Igreja Catolica falam mais do que mil palavras, por favor, coloque aí no blog relatos dos pais da igreja antes de Constantino que fale a favor de Maria como advocatriz e intercessora, que fale que eles pediam a ajuda dos apostolos e dicipulos quando esses já estavam mortos, chega de muitas palavras, você fala, enrola demais e mostra de menos, quem não lê a biblia pode até cair no teu conto, mas quem le a biblia meu amigo não cai mesmo, afinal é facil criar dogmas estranhos a palavra de Deus e fazer leigos que não liam a biblia engolir como lideres católicos já fizeram.Então para um melhor esclarecimento, estou esperando sua postagem com provas reais de que o que a igreja católica prega de diferente do protestantismo seja a correta."

Apesar do tom acusatório e provocativo, ficamos felizes com essa pergunta, porque abriu-nos a oportunidade de abordar um assunto importante e ainda inédito neste blog. Quando começou a devoção à Virgem Maria? A Igreja sempre viu a mãe de Jesus Cristo como mãe da própria Igreja, ou isso foi uma invenção posterior? Desde quando Maria é vista como nossa intercessora junto ao Senhor Jesus? Desde quando a Igreja pede proteção à Maria? As perguntas são mais do que válidas: são justas. Afinal, os textos da Bíblia não falam dessas coisas explicitamente.

Meu caro leitor anômimo, gostaria de começar a responder os seus questionamentos com o esclarecimento de um ponto que é fundamental: você diz que "quem lê a Bíblia não cai", isto é, nâo aceita as explicações contidas neste blog, que não são nossas, mas representam a doutrina da Igreja Católica. Você entende as coisas dessa maneira por uma razão muito simples: acontece que você segue a religião do livro, e nós, católicos, não. Nós seguimos a religião do Espírito Santo, que foi derramado sobre a Igreja por nosso Salvador Jesus Cristo. Há dois mil anos o Senhor, glorificado pelo Espírito Santo, entrou no Cenáculo de Jerusalém e derramou o Espírito da Ressurreição sobre a sua Igreja, na pessoa dos Apóstolos: “A paz esteja convosco! Recebei o Espírito Santo!” (João 20, 19ss) Jesus batizou a Igreja no Espírito Santo!

No Domingo da Páscoa, os Apóstolos tornaram-se realmente cristãos; receberam a vida nova do Cristo ressuscitado, foram transfigurados em Cristo! Aí nasceu a Igreja: na Ressurreição! Aí ela foi batizada no Espírito e recebeu o poder de batizar: “Como o Pai me enviou, assim eu vos envio!” (Jo 20, 21). Entende a enorme diferença? Toda a sua fé está engessada, presa às palavras literais de um livro. Nessa mentalidade limitada, só o que está escrito no livro, literalmente, "pode". O que não estiver escrito no livro, literalmente, "não pode". Isso é reduzir a Salvação de Jesus, o maravilhoso Caminho deixado por Cristo, a uma piada. Uma piada triste.

O cristianismo nunca foi religião do livro. Nós, católicos, temos a Bíblia como sagrada e cremos que ela é a palavra de Deus, sim, num certo sentido. Mas cremos sobretudo que a Palavra, o Verbo de Deus, por excelência, é o próprio Senhor Jesus Cristo, o Deus Vivo, o Cristo Resscuscitado, que não está limitado à letra morta. Sim, porque a própria Bíblia Sagrada nos ensina que "nem o mundo todo poderia conter os livros que teriam que ser escritos para falar sobre Jesus (Amém! - João 21, 25)". O Apóstolo São Paulo o esclareceu perfeitamente, ao dizer: "Deus nos fez ministros de um Novo Testamento, não da letra, mas do Espírito; porque a letra mata e o Espírito vivifica (2Coríntios 3, 6)".

É claro que o Apóstolo não está aí afirmando que a Escritura é morta, ou que não tem valor. As Sagradas Escrituras são importantíssimas e úteis para nos instruir. O problema começa quando achamos que só o que está escrito é que vale, quando achamos o que está escrito mais importante do que a própria Igreja, que é dirigida pelo Espírito de Deus. Jesus diz: "os verdadeiros adoradores adoram em Espírito e em Verdade", Ele não diz "Os verdadeiros adoradores devem observar a Escritura para saber como adorar"...

Além disso, a própria Bíblia Sagrada ensina categoricamente que é a Igreja a coluna e o fundamento da Verdade: "Escrevo para que saibas como convém andar na Casa de Deus, que é a Igreja do Deus Vivo, a coluna e o fundamento da Verdade (1 Timóteo 3,15)". - A Bíblia, no século I, estava sendo escrita para que soubéssemos como seguir e como nos portar na Igreja! É a Igreja a Coluna e o Fundamento da Verdade! Outras traduções dizem "a firmeza e o sutentáculo da Verdade". Precisa mais do que isso? Sem dúvida nenhuma, a regra de fé e prática para o cristão é a Igreja instituída por Jesus Cristo, e não a Bíblia! A Bíblia não é e nem nunca foi, sozinha, o fundamento para o cristão. Veja, nos primeiros séculos do cristianismo, nos tempos da Igreja primitiva, a Bíblia simplesmente não existia ainda. E como se orientavam eles? Através da instrução da Igreja, a única Igreja que Cristo nos deixou e que hoje tem 2 milênios de existência: a Igreja Católica (Universal).

Resumindo, o grande erro dos que se chamam a si mesmos "evangélicos" é pensar que a Bíblia é mais importante do que a Igreja, poque não é! Jesus não escreveu nenhum livro, mas Ele, diretamente, instituiu a sua Igreja neste mundo (uma Igreja e não 'igrejas'), e garantiu-nos que as portas do inferno não prevaleceriam contra ela (veja Mateus 16, 16ss).

Acontece que a Bíblia é um livro, e mesmo sendo um livro sagrado, cada pessoa que a lê pode fazer uma interpretação diferente. Por isso existem milhares de "igrejas", das mais sérias até as seitas mais malucas, e cada uma ensina coisa diferente das demais, mas todas elas dizem que a sua interpretação da Bíblia é a certa. Reflita: se fosse para cada um ler a Bíblia, interpretar do seu jeito e sair por aí alugando salão e dizer que é "igreja", Jesus Cristo não teria dado a autoridade sobre sua Igreja Una aos Apóstolos, não é mesmo? - Depois de fundar a Igreja sobre Pedro, Jesus disse a este mesmo Pedro, líder dos Apóstolos: "Tudo o ligares na Terra será ligado no Céu, e o que ele desligares na Terra será desligado no Céu (Mateus 16,18ss)". É esta a autoridade que a Igreja possui na Terra, dada por Jesus Cristo.

O Senhor ainda disse aos Apóstolos que os pecados que eles perdoassem seriam perdoados, e os que eles não perdoassem seriam retidos (João 20, 23). Jesus não diz em momento algum que deveríamos seguir somente a Bíblia, ao contrário. E a própria Bíblia diz que devemos guardar não só o que foi escrito, mas também a Tradição da Igreja: "Então, irmãos, estai firmes e guardai a Tradição que vos foi ensinada, seja por palavras, seja por epístola nossa" (2 Tessalonicenses 2, 15). As epístolas dos Apóstolos formam a maior parte do Novo Testamento da Bíblia: a própria Bíblia afirma que devemos guardar não só a Escritura, mas também a Tradição, e os Apóstolos são ainda mais enfáticos: "Mandamo-vos, porém, irmãos, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que vos aparteis de todo o irmão que não anda segundo a Tradição que de nós recebeu" (2 Tessalonicenses 3, 6)! Você quer mais do que isso para entender o seu erro?

As tradições dos homens, como a tradição dos antigos fariseus e doutores da Lei de Moisés, foram substituídas pela Tradição da Igreja: Tradição esta que gerou a própria Bíblia Cristã, e não o contrário. Sim, e se não fosse a Igreja Católica, nós não teríamos a Bíblia, hoje, pois foi a Igreja mesmo que, por muitos séculos, durante as terríveis perseguições, preservou as Escrituras intactas. Quem escreveu a Bíblia (Novo Testamento) foram os Apóstolos; isto é, a Bíblia foi produzida pela Igreja! Consegue entender isto? Deus usou a Igreja para produzir a Bíblia, portanto, é muito importante entender que a Bíblia é filha da Igreja, e não a sua mãe! A Igreja produziu a Bíblia, e não a Bíblia produz a Igreja! Isto é um fato! Portanto, a autoridade de fé sobre a doutrina de Jesus Cristo está fundamentada na Igreja que Ele edificou sobre a Terra, e não somente na Bíblia Sagrada, que foi produzida, preservada e deve ser interpretada pela própria Igreja. Estando claros esses pontos fundamentais, entremos, afinal, na questão da devoção à Virgem Maria...

Pelo teor da sua mensagem, anônimo, pareceu-nos que você acredita que a devoção à Virgem Maria começou depois de Constantino, ou que foi Constantino quem "inventou" essa devoção... Por isso é que pede alguma prova de que a Igreja que existia antes de Constantino já cultivava tal devoção. Bem, pessoas que acreditam nesse tipo de coisa devem acreditar também que o mundo vai acabar em 2012, que os iluminatti vão dominar o mundo, que o homem nunca foi à lua (era tudo armação dos EUA), etc, etc... Tudo isso é teoria da conspiração pura.

Respondendo, finalmente, à pergunta, a devoção à Santíssima Virgem Maria começou com o próprio cristianismo. Naquela singela casa de Nazaré, há dois milênios, encontramos o Anjo Gabriel, enviado por Deus, saudando Maria! “Salve, ó cheia de graça, o Senhor está contigo!” (Lucas 1, 28). Com estas palavras, que vêm diretamente do Céu, começou a devoção mariana. Quem pode negar a evidência deste fato?

"Desde agora, todas as gerações me proclamarão Bem-aventurada!" (Lucas 1, 48). No Evangelho, Maria faz uma profecia que a Igreja Católica sempre cumpriu, mas as novas "igrejas evangélicas" não, jamais. Maria, cheia do Espírito Santo e grávida do próprio Jesus Cristo, profetiza que será aclamada bem-aventurada por todas as gerações; os "pastores evangélicos" a chamam de "mulher como outra qualquer"... E ainda acham que seguem a Bíblia!

E quando Maria, única guardiã do anúncio do Anjo, visita Isabel, depois da longa viagem da Galileia até a Judeia, ao ouvir a saudação de Maria, a mãe de João Batista percebe que o menino salta de alegria dentro dela, enquanto o Espírito Santo a atravessa e lhe sugere estas palavras: “Bendita és tu entre as mulheres! Bendito é o fruto do teu ventre! Donde me vem a honra de que venha a mim a mãe do meu Senhor?” (Lc 1, 42-45). Quem ousa dizer que isso não é a devoção mariana, registrada no Evangelho? Pois é exatamente isto que nós, católicos, pensamos e dizemos de Maria, até hoje.

Vamos à narração do Natal. O Evangelho de Lucas refere: “Quando os anjos se afastaram deles em direção ao Céu, os pastores disseram uns aos outros: 'Vamos a Belém ver o que aconteceu e o que o Senhor nos deu a conhecer'. Foram apressadamente e encontraram Maria, José e o Menino deitado na manjedoura” (Lucas 2, 15-16). É claro que os pastores, após terem se ajoelhado diante do Menino, devem ter lançado um olhar àquela mãe especialíssima, e podem muito bem ter exclamado: “Feliz és tu, Mãe deste Menino!". Bem, iso seria uma pura expressão de devoção mariana.

Passemos ao evangelista Mateus, que narra a chegada dos Magos em Belém e usa estas palavras: “E a estrela que tinham visto no Oriente ia diante deles, até que, chegando ao lugar onde estava o Menino, parou. Ao ver a estrela, sentiram imensa alegria; e, entrando na casa, viram o Menino com Maria, sua mãe. Prostrando-se, adoraram-No (Mt 2, 9-11)”. Podemos imaginar a emoção dos Magos, os quais, após uma longa e aventurosa viagem, tiveram a alegria de ver o Menino tão esperado e desejado! Porém, não nos afastamos da verdade dos fatos, se imaginarmos também que os Magos, depois da adoração do Menino, tenham olhado para Maria cheios de respeito e admiração: a que mulher poderia ser concedida tamanha graça, de gerar e ser mãe do próprio Deus? Simples, não é? Pois isto é devoção mariana, percebida nas entrelinhas do Evangelho.

Nas passagem das bodas de Caná, vemos que o Senhor "adiantou a sua hora", nas suas próprias palavras, somente por um pedido de sua mãe, Maria, que intercedeu por aqueles noivos. Depois do primeiro milagre de Jesus, os servos, que acompanharam aqueles fatos, podem muito bem ter pedido à Maria, dizendo algo mais ou menos assim: “Jesus escutou-te! Fala-lhe de nós e pede uma bênção para as nossas famílias!”. Isto seria algum absurdo? Não. Mais um exemplo do que é a devoção mariana. E aqueles noivos, certamente devem ter agradecido à intervenção de Maria, dizendo algo como: “Obrigado por teres pedido por nós! Tua intervenção salvou a nossa festa!”... Claro que o agradecimento principal seria ao próprio Jesus, afinal foi Ele quem deu o vinho. Mas, se Maria não tivesse pedido pelos noivos, ele não o teria feito, e o Evangelho é muito claro nesse sentido.

Assim começa a devoção mariana. E continua, pelos séculos, sem interrupção. A verdade histórica é: Maria, a partir das palavras pronunciadas pelo Anjo Gabriel (que eram as palavras do próprio Deus para ela, afinal o anjo é mensageiro do Criador), foi imediatamente vista com admiração, com um carinho especial. E logo sua intercessão foi invocada, pelo motivo óbvio: seu particular vínculo com Cristo, o vínculo da maternidade! Portanto, quando recorrermos à Maria para pedir algum favor, não nos encontramos fora do contexto do Evangelho, mas totalmente dentro dele.

Sei que aqui alguns questionarão dizendo que Maria não se encontra mais entre nós, e que isso faz toda a diferença. Segundo estes, não é a mesma coisa pedir a oração de um irmão que está ao nosso lado, agora, e um santo que morreu há muito tempo, por exemplo. Bem, nós já tratamos deste assunto específico neste blog, e você pode ler e comprovar (biblicamente inclusive) que os santos no Céu estão mais vivos do que nós, aqui na Terra, e permanecem em íntima união com Deus. Leia aqui.


Primeira representação conhecida da Virgem Maria
(Catacumbas de São Priscilla - século II)

A partir daqui, passamos da demonstração teológica e da fundamentação bíblica para a apresentação das provas históricas, arqueológicas e documentais. Provas históricas da devoção à Virgem Maria (além da própria Bíblia Sagrada), desde o início da Igreja existem, e são muitas. A mãe de Nosso Senhor Jesus Cristo foi honrada e venerada como Mãe da Igreja desde o início do cristianismo. Já nos primeiros séculos, essa devoção está presente e pode ser reconhecida, por exemplo, nas evidências arqueológicas das catacumbas, que demonstram a veneração que os primeiros cristãos tinham para com a Santíssima Virgem. Tal é o caso de pinturas marianas das catacumbas de Priscila, do século II, local onde os primeiros cristãos se reuniam, ocultos aos romanos: um deles mostra a Virgem com o Menino Jesus ao peito e um profeta, identificado como Isaías, ao seu lado[1]. Nas catacumbas de San Pedro e San Marcelino também vemos uma pintura do século III ou IV, que mostra Maria entre Pedro e Paulo, com as mãos estendidas em oração.

Outro magnífico exemplo da devoção à Santa Maria nos primórdios do Cristianismo é a oração "Sub Tuum Praesidium" (Sob Vossa Proteção) do século III, que pede a intercessão de Maria junto a Jesus Cristo: "Sub tuum praesidium confugimus, sancta Dei Genetrix; nostras deprecationes ne despicias in necessitatibus nostris, sed a periculis cunctis libera nos semper, Virgo gloriosa et benedicta. Amen". Tradução: "À vossa proteção recorremos, Santa Mãe de Deus; não desprezeis as nossas súplicas em nossas necessidades; mas livrai-nos sempre de todos os perigos, ó Virgem gloriosa e bendita. Amém. - Precisa mais?

Os Padres do século IV elogiam de muitos modos a Mãe de Deus. Epifanio refutou o erro de uma seita árabe que tributava idolatria à Maria: depois de rejeitar tal culto, ele escreveu: "Sejam honestos para com Maria! Seja adorado somente o Senhor!". A mesma distinção vemos em Santo Ambrósio, que, depois de exaltar a "Mãe de todas as virgens", esclarece que "Maria é o templo de Deus, e não o Deus do templo"; para prestar sua legítima devoção mariana, livre de enganos, ele distinguiu o lugar devido a Deus Altíssimo e o lugar da Virgem Maria.

Na Liturgia Eucarística também constam dados confiáveis que demonstram que a menção à Maria nas Orações remonta ao ano 225, e também nas antiquíssimas festas do Senhor, da Encarnação, da Natividade e da Epifania: todas homenageavam a Mãe do Senhor e da Igreja.


O testemunho dos primeiros presbíteros

O primeiro registro escrito da Patrística de que dispomos sobre Maria é o de Santo Inácio de Antioquia (bispo entre os anos 68 e 107 dC). Combatendo os Docetistas, ele defende a realidade humana de Cristo para dizer que pertence à linhagem de Davi, verdadeiramente nascido da Virgem Maria. Afirmando que Cristo foi concebido em Maria e nascido de Maria, e que a sua virgindade pertence a um Mistérios escondidos no Silêncio de Deus.

São Justino (martirizado no ano 167) refletiu sobre o paralelismo entre Eva e Maria: "Se por uma mulher, Eva, entrou no mundo o pecado, por uma mulher, Maria, veio ao mundo o Salvador". No Diálogo com Trifão, Justino insiste sobre a verdade da maternidade de Maria sobre Jesus e, como Santo Inácio de Antioquia, enfatiza a verdade da concepção virginal e incorpora o paralelo Eva-Maria para a sua argumentação teológica.

A teologia mariana é um tema constante dos primeiros presbíteros da Igreja. Santo Irineu de Lyon (nascido no ano 130), em uma polêmica contra os gnósticos e docetistas, salienta a geração de Cristo no ventre de Maria. Também da maternidade divina lança as bases da sua cristologia: é da natureza humana, assumida pelo Filho de Deus no ventre de Maria, que torna possível a morte redentora de Jesus chegar a toda a humanidade. Também digno de nota é sua abordagem sobre o papel maternal de Maria em relação ao novo Adão, em cooperação com o Redentor.

No Norte de África, Tertuliano (nascido aprox. no ano 155), em sua controvérsia com o gnóstico Marcião, afirma que Maria é a Mãe de Cristo, - portanto Mãe de Deus, - pois o Senhor foi concebido em seu ventre virginal.

No século III começou a ser usado o título Theotokos (Mãe de Deus). Orígenes (185-254 dC) é a primeira testemunha conhecida deste título. Em seus escritos aparece, pela primeira vez, a sentença Sub tuum praesidium, que, como dito acima, é um apelo à intercessão da Virgem Maria. Órígenes também define Maria como modelo e auxílio dos cristãos. Já no século IV o mesmo título é usado na profissão de fé de Alexandre de Alexandria contra Ário.

A partir daí, muitos e muitos presbíteros explicaram a dimensão teológica desta verdade. - Efrém, Atanásio, Basílio, Gregório Nazianzeno, Gregório de Nissa, Ambrósio, Agostinho, Proclo de Constantinopla, etc... A tal ponto que o título de "Mãe de Deus" torna-se o mais utilizado quando se fala de Santa Maria. Obviamente, "Mãe de Deus" não implica que Maria é "deusa", e sim que Jesus Cristo, seu filho, era plenamente homem e também plenamente Deus. Se Jesus é Deus, e Maria sua mãe, ela é e será sempre a mais agraciada entre todas as mulheres, pois foi a mãe de Deus.

1. LAZAREFF, Victor Nikitich. Studies in the Iconography of the Virgin, The Art Bulletin, London: Pindar Press, pp. 26-65.


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