Sejam Bem-Vindos!

"É uma grandiosíssima calúnia dizer que tenho revoltas contra a Igreja. Eu nunca tive dúvidas sobre a Fé Católica, nunca disse nem escrevi, nem em cartas particulares, nem em jornais, nem em quaisquer outros escritos nenhuma proposição falsa, nem herética, nem duvidosa, nem coisa alguma contra o ensino da Igreja. Eu condeno tudo o que a Santa Igreja condena. Sigo tudo o que ela manda como Deus mesmo. Quem não ouvir e obedecer a Igreja deve ser tido como pagão e publicano. Fora da Igreja não há salvação."
Padre Cícero Romão Batista

terça-feira, 12 de março de 2013

Origem e história do papado

Como surgiu o papado? O Papa é infalível? Quais as funções e a importância do Sumo Pontífice para a nossa fé?


Sabemos que o Papa é o supremo representante da autoridade da Igreja, para guardar e ensinar a verdadeira Doutrina de Jesus Cristo. Mas de onde vem essa autoridade tão grande e importante? Como todo cristão deveria saber, essa Autoridade foi dada diretamente pelo Filho de Deus, e isso ficou registrado de maneira muito clara nos Evangelhos, para que ninguém tivesse dúvidas. 

No capítulo 16 do Evangelho segundo Mateus, Vemos que Pedro é o discípulo que primeiro compreende a Natureza Divina de seu Mestre. Em resposta, Jesus lhe dá um novo nome, junto com uma nova e importantíssima missão: Simão Filho de Jonas se torna “Pedro”; a Pedra sobre a qual será edificada a Igreja do Senhor na Terra. E para confirmar o que acabara de dizer, Jesus ainda entrega a Pedro as Chaves do Reino dos Céus, e declara que tudo que ele ligar ou desligar na Terra, será ligado ou desligado no Céu. Mais claro do que isso, impossível. Jesus institui a sua Igreja sobre Pedro, e lhe confere autoridade sobre esta Igreja.

Mas, infelizmente, existem os que não compreendem (ou não querem compreender?) esta passagem primordial dos Evangelhos: chegam a dizer que Jesus não se referiu a Pedro como a Pedra Fundamental, e sim a ele mesmo, Jesus, que também foi chamado de “Pedra Angular” em Atos 4, 11.

A declaração do Senhor, porém, é tão direta que é difícil entender como alguém pode se confundir a esse respeito. Primeiro, Jesus chama Simão de “Pedro”, isto é, a “Pedra” ou a “Rocha”, e ao mesmo tempo, na mesma frase, diz que sobre aquela Pedra edificaria a sua Igreja, e ainda lhe concede as Chaves do Reino do Céu, dando-lhe autoridade para “ligar” ou “desligar” na Terra e no Céu! Do que mais precisamos para aceitar que Jesus concedeu plena autoridade a Pedro sobre a Igreja una, que ali se iniciava?? É mais do que óbvio que se Jesus estivesse dizendo que era ele mesmo esta “Pedra”, diria simplesmente “Eu sou a Pedra”, e não faria sentido concluir entregando a Pedro as Chaves do Reino dos Céus.

“Simão, respondendo, disse: ‘Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo. E Jesus, respondendo, disse-lhe: ‘Bem-aventurado és tu, Simão filho de Jonas, porque não foi a carne e o sangue que te revelaram isto, mas meu Pai, que está nos Céus. Pois também eu te digo que tu és Pedro (Pedra), e sobre esta Pedra edificarei a minha Igreja: as portas do Inferno não prevalecerão contra ela. E eu te darei as chaves do Reino dos Céus; tudo o que ligares na Terra será ligado nos Céus, e tudo o que desligares na Terra será desligado nos Céus.’" (Mateus 16, 15-19)

A autoridade de Pedro, o primeiro Papa, é representada pelas Chaves do Reino dos Céus, ou seja, Jesus Cristo o autoriza a tomar as decisões doutrinárias da Igreja, que viria a se tornar Católica, isto é, Universal, de todos, e não só para o povo de Israel. De Pedro deveriam partir as decisões e orientações para todas as comunidades da Igreja primitiva, como vemos em At 16, 4-5: “Nas cidades pelas quais passavam, ensinavam que observassem as decisões que haviam sido tomadas pelos Apóstolos e anciãos em Jerusalém”.

Os Apóstolos foram os 12 discípulos que Jesus escolheu para transmitir sua Mensagem ao mundo. “Apóstolo” não é alguém que lê a Bíblia, interpreta ao seu modo e aluga um salão para chamar de “igreja”. Os Apóstolos e os anciãos formaram o primeiro clero, foram os primeiros sacerdotes. Vemos nos Evangelhos (Mc 3,13-19, MT 10,1-4, Lc 6,12-16) que Jesus escolheu 12 Apóstolos entre seus discípulos; os que não foram escolhidos permaneceram na condição de fiéis. A palavra “Papa”, significa “pai”, e alude à paternidade espiritual sobre a grande comunidade cristã na Terra. Temos um Pai maior no Céu, que é Deus Criador, e um pai espiritual terreno, que nos foi designado pelo próprio Filho de Deus. O termo surgiu como um título carinhoso dado ao Bispo de Roma durante o crescimento da Igreja no Império Romano, e permanece até hoje. De Pedro até Bento XVI foram 266 Papas, numa sucessão apostólica direta, que nunca foi interrompida, por mais que muitos ditadores e inimigos da Igreja tenham lutado contra ela. A Profecia do Senhor se cumpre: o Inferno não prevalece contra a Igreja que Ele fundou!

O primeiro Papa já usava a sua autoridade sobre a Igreja Por exemplo, em Atos dos Apóstolos vemos que alguns fariseus recém-convertidos ao cristianismo diziam que era necessário circuncidar os pagãos e lhes impor a Lei de Moisés antes de aceitá-los como cristãos. Começou uma grande discussão. Ficou acertado que Paulo, Barnabé e outros iriam resolver a questão com os Apóstolos e anciãos numa reunião em Jerusalém. Reuniram-se, e depois de uma grande discussão, a Bíblia diz que Pedro se levantou e falou a todos: “‘Irmãos, sabeis que já há muito tempo Deus me escolheu dentre vós, para que da minha boca os pagãos ouvissem a Palavra do Evangelho... (...) Por que provocais a Deus, impondo aos discípulos um jugo que nem nossos pais e nem nós mesmos podemos suportar? Nós cremos que pela Graça seremos salvos, exatamente como eles’. E toda a assembléia o ouviu silenciosamente” (At 15, 1-12).

É por isso que cristãos não circuncidam seus recém-nascidos: Pedro aboliu a circuncisão, com a autoridade que o próprio Cristo lhe deu.

Fontes e bibliogafia:
CONGAR, Yves. Igreja e Papado. São Paulo: Loyola, 2007;
HACKMANN, Geraldo L. Borges. A Amada Igreja de Jesus Cristo. São Paulo:
EdiPUCRS, 1997.


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