Sejam Bem-Vindos!

"É uma grandiosíssima calúnia dizer que tenho revoltas contra a Igreja. Eu nunca tive dúvidas sobre a Fé Católica, nunca disse nem escrevi, nem em cartas particulares, nem em jornais, nem em quaisquer outros escritos nenhuma proposição falsa, nem herética, nem duvidosa, nem coisa alguma contra o ensino da Igreja. Eu condeno tudo o que a Santa Igreja condena. Sigo tudo o que ela manda como Deus mesmo. Quem não ouvir e obedecer a Igreja deve ser tido como pagão e publicano. Fora da Igreja não há salvação."
Padre Cícero Romão Batista

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Compreendendo o problema da pedofilia em sua profundidade


Por Pe. João Batista Libanio, sj; Pe. Nilo Ribeiro Júnior, sj

INTRODUÇÃO
Há profunda diferença entre informação e transmissão. A informação se prende ao presente e funciona horizontalmente. Lança-nos à vista fatos advindos de diferentes partes do mundo de forma simultânea. Quando se volta para o passado, recolhe elementos dos programas de dados da internet, como o Google, sem perspectiva histórica. Tudo parece acontecer pela primeira vez, sem conexão com o passado.
A questão da pedofilia não é exceção. Caiu do céu como algo aberrante de hoje e de homens de Igreja. E caiu sobre a Igreja a triste pecha de conivente. Se há verdade nos fatos, no entanto, não esqueçamos dados fundamentais para interpretar corretamente o acontecido, tanto em tempos longamente passados como recentes.
A história continua, na expressão de Cícero, “mestra da vida”. Ela nos permite conhecer melhor o presente, evitar erros passados e abrir-nos para o futuro. Oferece-nos distanciamento de interpretação em face do calor e da paixão da discussão.
A Grécia, o império romano não só praticavam a pedofilia, dispondo crianças para a satisfação sexual de adultos, como também a pensaram como paideia, educação, no sentido de introdução de jovens na vida sexual.
A China conheceu a castração de meninos para vendê-los a ricos pederastas como comércio legítimo durante séculos. O mundo islâmico, para compensar a rigidez das relações entre homens e mulheres, admitiu tolerância no campo da pedofilia. Alguns países, até o século XX, como a Argélia, acenavam para a fantasia de europeus devassos como “jardim de delícias” (Carvalho, 2002). De tempos em tempos, a imprensa divulga notícia sobre o turismo sexual, em que adolescentes de ambos os sexos caçam algum dinheiro satisfazendo sexualmente turistas ou homens de negócio, longe de suas esposas. Talvez esteja aí a mais terrível e escandalosa venda pedofílica.
Na Antiguidade e até hoje, o cristianismo se pôs ao lado da defesa da criança. O próprio mistério da Encarnação, a prática de Jesus e seus ensinamentos conferem a ela dignidade única. Jesus ousa propô-la como símbolo do reino de Deus (Mt 18,4; Mc 10,15). Identifica a acolhida a elas como a si próprio (Mt 18,5). Terrível soa a ameaça a quem escandalizar uma criança. Que pior escândalo do que abusar de sua inocência? “Melhor lhe fora que se lhe pendurasse ao pescoço uma grande pedra de moinho, e fosse afogado na profundeza do mar” (Mt 18,6).
A narrativa de Jesus, como história da Encarnação, faz-nos compreender a vulnerabilidade da carne, especialmente da criança, do pequeno, do pobre, e põe-na no centro de sua pregação e prática. Cabe uma leitura das Bem-aventuranças na perspectiva da criança: bem-aventurados os que as acolhem e deles é o reino de Deus.
Tal dado bíblico-teológico inquestionável não evitou, porém, os pecados de cristãos e de homens da hierarquia eclesiástica. Precisamente estes caem atualmente sob o juízo da opinião pública.
Em face da Igreja institucional, tecem-se duas histórias possíveis. Com justeza e com inúmeros exemplos, existe trajetória esplendorosa de feitos, de santidade, de riquezas culturais únicas. A cultura ocidental não se entende sem sua contribuição. Ao lado, porém, corre outra trajetória. Escura, carregada de pecados, de crimes, de Inquisição, de intolerância, de guerras. A verdade, portanto, situa-se na mistura, na ambiguidade, no jogo de graça e pecado, de beleza e fealdade, de grandeza e vileza. A pedofilia pertence a seu lado obscuro e pecaminoso. Detenhamo-nos nesse tema com base no contexto que nos cerca.


1. Quando tudo era pecado
Não faz muito, reinava no interior da Igreja certo tipo de moral que depreciava o prazer sexual, de modo que qualquer deleite venéreo fora do matrimônio se cobria da gravidade do pecado mortal, merecedor do inferno eterno, mesmo por um único ato.
Por influência do estoicismo, do dualismo platônico difuso, do maniqueísmo e, mais recentemente, do jansenismo, a moral sexual católica muitas vezes se viu descaracterizada. A matéria, o sexo, o prazer pendiam para o lado negativo em prol do espírito, da renúncia, da penitência corporal. Perdia-se o contato com a antropologia unitária da Revelação. O prazer sexual acabou sendo visto como algo da ordem da concupiscência, e esta, como inclinação para o mal.
Nesse mesmo contexto, a doutrina da Igreja sobre a sexualidade passou, pouco a pouco, a formular-se em torno da ênfase na procriação em detrimento do caráter amoroso do vínculo. Sexo e casamento se vincularam de tal forma, que a única maneira de superar a presumida “concupiscência da carne” se dava pela abstinência ou pelo matrimônio.
Invocava-se, ademais, a lei natural. A natureza sinaliza-nos o fim para o qual tende a sexualidade que Deus inscreveu nela. Contrariá-la significa opor-se à vontade de Deus.
Não cabe, neste artigo, adentrar-nos nos meandros da atual teologia moral no tocante à lei natural. Interessa-nos, aqui, acentuar o clima de culpabilização que a moral da Igreja gerou e o menoscabo da consciência das pessoas por conta da insistência na objetividade imperante das normas morais. Pois somente nesse contexto se entendem tanto a reação liberalizante da década de 1960 como o refluxo atual.
J. Delumeau pesquisou amplamente a pedagogia do medo exercida pela Igreja (Delumeau, 1993) e a forte culpabilização dela decorrente (idem, 2003). Com efeito, a culpabilização reforçou a visão patológica sobre a sexualidade, desvirtuando-lhe o verdadeiro sentido. Este brota da teologia de um Deus que cria na liberdade e para a liberdade. Os problemas sexuais associam-se a uma deturpação da imagem de Deus e, respectivamente, da imagem do ser humano como liberdade.
Basta recordar aqui, mais uma vez, o peso do jansenismo, por sua visão pessimista e moralizante da sexualidade que o próprio Magistério rejeitou. Carregou as tintas dos pecados do mundo tanto no campo da sexualidade como no da desobediência aos ensinamentos da Igreja, buscando apoio, sobretudo, numa leitura unilateral de santo Agostinho. Acentuava-se o contraste entre a grandeza de Deus e a fraqueza do ser humano, apresentando um Deus terrível com desígnios insondáveis e decretos incompreensíveis.
A ideia da Revelação por decretos se prolonga até a modernidade e se concentra naDei Filius do Concílio Vaticano I. Nessa visão de Deus legislador, a sexualidade não escapa de ser pensada em função da lei jurídica separada da lei moral que a precede e está ligada a uma antropologia da liberdade.
Sem Deus, o ser humano, impotência total, procura só o prazer, o deleite. A íntima relação estabelecida entre sexo e concupiscência da carne deu margem à perda da novidade do sexo como lugar do desejo e do amor e, consequentemente, abriu precedente para pensar um Deus que se encoleriza com o ser humano pelo fato de este tender sempre ao pecado quando pensa e pratica a vida sexual.

2. Romperam-se as barreiras
Não se estranha que tal visão negativa do sexo e de um Deus punidor explodisse e as barreiras até então levantadas entre os desejos humanos e sexualidade ruíssem. Na elite, já de longa data, o movimento libertino (séc. XVII) defende o homem movido pelo prazer e rejeita os ensinamentos e a prática relativos à vida sexual propostos pela Igreja. Aproveita as falhas do clero para desmoralizar a posição da Igreja. Exalta-se a libertinagem em oposição a todo puritanismo e repudia-se todo interdito da sexualidade. Um silêncio incomodado sobre o sexo da tradição medieval de cunho agostiniano contrastava com a “linguagem confessional do sexo” imperante no seio de uma sociedade feudal cristianizada, como observa M. Foucault.
Vindo para nossos dias, assistimos ao fenômeno da irrequieta “juventude transviada” da década de 1950, passando pela rebelião de maio de 1968 (“é proibido proibir”), até a liberação pós-moderna quase sem limite.
Segundo Tony Anatrella, a liberação sexual refere-se a todo interdito à sexualidade. Perpetua-se na juventude o ideal da infantilização do sexo. Em termos psicoanalíticos, os jovens não captam a lei fundamental da sexualidade, que consiste na mútua oblatividade, para permanecerem no desejo da pura autossatisfação. Talvez isso explique por que, em dado momento, a cultura atual se mostrou tolerante para com a pedofilia (Anatrella, 2001, p. 264). Irrompe verdadeira balbúrdia sexual que coloniza até o menor cantinho da modernidade democrática: prazeres prometidos ou exibidos, cartazes alardeando a liberdade, preferências descritas, performances avaliadas ou procedimentos ensinados, há de tudo (Guillebaud, 1999, p. 18).
Escandaloso paradoxo: fala-se ostensivamente do sexo, das suas diversas expressões, sem preconceitos, mas sente-se real “mal-estar cultural do sexo”. Esconde-se, em muitos casos, inquietante angústia social que grita ao Estado para legislar e reprimir abusos sexuais. Ela pretende substituir a lei moral, o papel da consciência, por intervenções jurídicas.
Séculos de obscurantismo e repressão cedem espaço para tolerância ou negligência também no caso da pedofilia. Haja vista o filme de Louis Malle, Le souffle au coeur, em que o incesto de mãe e filho se desdramatiza e se pinta com muito carinho. Ainda por cima, selecionou-se o filme para o Festival de Cannes (1971), onde foi bem acolhido. O próprio diretor comenta nas colunas do respeitado diário Le Monde, diante de protestos de alguns leitores: “Em meu filme tudo se passa com naturalidade, com transparência, com verdade, creio eu. Se a moral tradicional aí não tem lugar, pior para ela”. Outros comentários o elogiavam por “rasgar véus, rompendo com falsos mistérios e vergonhosos silêncios” (Guillebaud, 1999, pp. 25ss).
Nos Estados Unidos e na Europa, circula literatura nas décadas de 1960 e 1970 em torno da revolução sexual, que quebrava o imaginário do patriarcalismo, do machismo, da misoginia e da homofobia. A prática dos contraceptivos simboliza o domínio da cultura sobre a natureza. Numa palavra, defendeu-se “a liberdade do desejo”, a autonomia da libido. Não se estranhou então certa desculpabilização, teorização e até encantamento em relação à pedofilia, ao defender o direito da criança à erotização. O adulto projeta sobre a criança desejos próprios não amadurecidos. Um estudo desse período encheria páginas de exemplos da exaltação do amor físico com crianças de menos de 15 anos, como o romance em que uma ninfeta de 12 anos cede aos arroubos de um quinquagenário (Lolita, também adaptado para o cinema) ou declarações de filósofos com enredados arrazoados pedofílicos. Enfim, “o amor pedófilo torna-se todo luz quando o colocamos no campo da erótica pueril” (Guillebaud, 1999, p. 28; o autor exemplifica com inúmeros dados essa onda sexualizante que envolve a pedofilia).
Esse quadro confunde-nos. Tiremos três lições. A períodos de repressão seguem-se, não raro, explosões exageradas de liberação. Assim, a repressão sexual gerou a liberação sexual. Perdem-se parâmetros. Em segundo lugar, não tarda que se reaja a tais ondas com outro tipo de repressão, também ela nem sempre equilibrada. Em terceiro lugar, misturaram-se dois problemas bem diferentes: pedofilia e homossexualidade. A homossexualidade vivida responsavelmente, como expressão do amor ao outro, não se identifica, de modo nenhum, com pedofilia. A pedofilia diz respeito ao amor do infante porque o pedófilo investe nele o objeto sexual jamais encontrado na integração psíquica, uma vez que tende a fixar-se na fase primitiva da sexualidade (Fleig, 2010). O pedófilo tem aspectos psíquicos de desintegração sexual, ao passo que a homossexualidade não pertence ao quadro das patologias.

3. Reação da sociedade
Onde estamos? Vivemos dupla reação aos casos de pedofilia. Uma doentia, outra sadia.
As reações cegas e explosivas escondem traços enfermos. Temor, pânico apoderaram-se da sociedade atual no que se refere à pedofilia a partir do caso monstruoso de Marc Dutroux que explodiu no verão de 1996. Vieram a público os inúmeros assassínios perpetrados por esse criminoso belga. Abusou sexualmente de seis meninas, das quais quatro assassinou. E, nessa onda, outras violências sexuais inimagináveis inundaram a opinião pública mundial: pais incestuosos, professores e padres pedófilos, esposas suspeitas, patrões lúbricos, turismo sexual, pornografia exótica cujo alvo eram crianças,baby sitters de intenções equívocas etc.
A verdade dos fatos gerou sentimento nefasto de suspeita generalizada e de angústia denunciadora. As escolas, as famílias, as sacristias tingiram-se de desconfiança, de dúvida. Em gestos sem maldade, imaginavam-se logo sinais de incesto ou pedofilia. Passou-se da tolerância para o medo extremo. Verdadeira obsessão. A sociedade da liberdade sexual virou um campo de medo do sexo, já de outra natureza.
Que se esconde detrás desse excessivo comentar e propalar de crimes sexuais? Além de a imprensa beneficiar-se da publicidade vendável da notícia, desloca-se o problema de toda uma cultura incentivadora do prazer, do sexo desvairado, para pontos nodais criminosos. Esquece-se o todo que os gera. Fixa-se no ponto central do quadro e desconhece-se sua totalidade. Pedofilia não significa unicamente molestar sexualmente crianças. Tem mais implicações.
A condenação contemporânea à pedofilia se relaciona com a invenção da infância, que desponta na modernidade, em torno do século XVIII. Freud já havia caracterizado esse fenômeno, ao denominar a criança de “sua majestade, o bebê”. A criança, para os pais contemporâneos, não apenas tende a simbolizar a criança idealizada e sonhada, mas passa a ocupar o lugar daquela criança perfeita que os próprios pais não conseguiram ser para seus pais. Assim, o filho adorado cumpriria, no imaginário dos pais, a função primeira de sanar a decepção que estes causaram à geração anterior. Torna-se absolutamente insuportável para os pais perceber o menor sinal de falha no filho. Isso lhes revelaria o próprio fracasso como filhos. A cena da criança pura e inocente à mercê do repugnante pedófilo encobriria o insuportável desejo de uso desse bebê no mundo psíquico dos pais. Quando atacamos, de modo implacável, alguma coisa em alguém, a clínica psicanalítica levanta a suspeita de tratar-se de algo que não suportamos reconhecer em nós mesmos. Reações extremadas contra a pedofilia revelam sentimentos pedofílicos enrustidos.
A reação sadia leva-nos a ir fundo na natureza da pedofilia. A sociedade realmente democrática, a transparência na vivência familiar e nos universos em que transitam as crianças — creches, escolas, clubes, sacristias, programas e propagandas infantis etc. — permitem coragem e clareza na discussão do tema.
Onde está a raiz da pedofilia? Não diretamente no campo sexual, mas na docilidade, seduzibilidade, ductilidade da criança. Ela se deixa atrair por adultos que lhe oferecem afago, carinho, aconchego, algum agrado. Entrega-se indefesa, confia no outro sem suspeita. Essa atitude desperta no adulto perverso ou doente o desejo de possuí-la sob diversas formas, também a sexual. O fundo doentio atravessa todas elas.
Naturalmente o campo sexual, lugar de eros, mostra-se ambivalente por natureza. A mesma criança, que suscita afago e carinho, mostra-se vulnerável e desperta o desejo de possuí-la na sua indefesa confiança. O eros se perverte, neste caso, pela própria natureza ambígua do corpo e do sexo humanos.
A estrutura pedófila prefere posições e profissões de poder sobre crianças. De acordo com o psicanalista Sócrates Nolasco, professor da UFRJ, “a pedofilia é um conflito da ordem da negação de excitações que constituem o sujeito. Os homens são os que mais fazem isto a eles mesmos, pois, assim, creem que serão homens”. O psicanalista explica que há dois aspectos recorrentes nas situações que configuram a pedofilia: “Um deles é que o adulto envolvido tem algum poder sobre a criança, podendo ser exercido tanto pela sedução quanto pela coerção sobre ela. O outro se refere à abordagem ambígua deste adulto em relação à criança — ele deixa margem para que a criança fique confusa no que tange à abordagem sexual feita por ele”. E arremata: “A pedofilia é a marca do empobrecimento e da miséria interior. Ela atesta o declínio de um sujeito que está preso a dimensões de sua vida que desconhece e não sabe como gerenciá-las” (Nolasco, 2010).
Faz parte da fantasia pedofílica dominar o outro sem que ele o saiba. Configura-se em devaneio de poder que abusa da criança (Calligaris, 2002). Explora a confiança e a ignorância da criança: verdadeira traição. Os pais depositam confiança no professor, no padre, no publicitário, no médico, no terapeuta, e estes aproveitam da profissão para seduzir a criança.
Não esqueçamos, porém, os inúmeros casos de pedofilia denunciados nos Conselhos Tutelares e no Disque Denúncia Nacional de Abuso e Exploração Sexual contra Crianças e Adolescentes, praticados pelos próprios pais, padrastos, tios e até avós. A pedofilia não se restringe a nenhum ambiente determinado, mas revela questão de ordem psíquica ou de desvio de personalidade do pedófilo.
A sociedade tem percebido menos, com conivência e até mesmo aplauso dos pais, o pervertedor setor pedofílico da publicidade. Entram em questão o mundo da propaganda, programas de auditório, DVDs, sites e filmes. Neles, aparecem crianças cuja imagem provocante, com toques sexualizantes, associa-se a produtos de consumo. Há países sérios que proibiram radicalmente propagandas com crianças. Puritano jornal de São Paulo exibia uma foto de página inteira de uma criança pelada conduzida pela mão da mãe num contexto de propaganda. Por que essa criança desnuda? Alguém se pergunta? Por puro acaso?
Apresentadores/as de programas infantis não se acanham de sensualizar e sexualizar as crianças com danças, gestos, exibições. Não só as que se exibem, mas as que assistem aos programas acabam afetadas. A ética e a legislação aqui no Brasil ainda não deram conta de tais aberrações. Que os pais, pelo menos, reparem nos programas a que os filhos menores assistem e interfiram como educadores. Caberia à escola, à pastoral, tratar dessas questões nas aulas, na catequese, enquanto a legislação dorme na inconsciência.

4. O caso da Igreja
Essa longa reflexão prévia nos prepara para abordar a questão da pedofilia por parte de eclesiásticos. Como dissemos acima, sobre a história da Igreja cabem dois discursos extremos: o da glória e o da infâmia.
Deixemos de lado a ambos e trilhemos um caminho realista. Alegremo-nos e agradeçamos pelas graças recebidas e transmitidas. Arrependamo-nos e corrijamos os males feitos até a punição exemplar, caso necessária. Nada escandaliza quem conhece a natureza humana, capaz tanto de grandiosos heroísmos como de gigantescas perversidades. A história recente das guerras mostrou como a culta Europa, de inegáveis grandezas espirituais, artísticas e humanas, desceu aos subterrâneos escuros do extermínio em massa dos campos de concentração, da fabricação de armas só para matar, da exploração econômica (ainda em vigor) de países e continentes. A Igreja não se isenta de tal ambiguidade. Ela não justifica nenhum crime, antes apela para contínua vigilância, retratação, punição.
A publicidade ensinou à hierarquia que não basta a condenação teórica da pedofilia em documentos. Cabe-lhe a responsabilidade de evitar que tais casos aconteçam e se repitam por meio de medidas severas preventivas e punitivas. A criança vítima da pedofilia merece a primeira atenção, e não o encobrimento da fama do clérigo e da Igreja. A justiça e a caridade regem tal situação. Sem justiça, a caridade falseia. Sem caridade, a justiça claudica. Conjugar ambas, nos casos de pedofilia, desafia a hierarquia. A justiça e a caridade dizem respeito, primeiro, à vítima e em seguida ao culpado.
Há na campanha publicitária em torno da pedofilia algo mais que o grave delito e seu acobertamento. Difunde-se real ojeriza ao discurso do magistério eclesiástico. E por quê? A cultura atual não tolera muitos dos seus aspectos e então aproveita a ocasião para bombardeio geral.
Num clima de liberação sexual, acusa-se o discurso do Magistério de moralista. Então, quando alguém desse universo falha, advém ótima ocasião para acusação. Não se suporta hoje uma linguagem fixista, congelada, que se impõe pela autoridade, que condena quem diverge, calando teólogos. Critica-se-lhe o caráter clericalista, centralizador e centrado em si mesmo com citações só de si, a imagem idealizada de si mesma, a atitude de quem trata o leigo como menor de idade, de quem não preza a liberdade, de quem se mostra cheia de suspeitas, de quem se apoia em rede de denúncias, de quem se revela arrogante como detentora única da verdade (Rouet, 2010).[1] Num mundo secular, democrático, realista, valorizador da mulher, crítico em relação às tradições, de discurso desvelado, desconfiado de todo corporativismo, de verdades provisórias e discutíveis, tem-se a impressão de que o Magistério fala linguagem oposta: religiosa, autoritária, machista, tradicional, cercada de mistérios, corporativista clerical, dogmática, idealista.
Talvez soe o momento de a Igreja não apenas dizer bem alto o mea-culpa, mas enveredar humildemente por outro caminho. Esperam-se dela o exercício concreto de colegialidade e a transparência institucional. Deseja-se outro discurso sobre a sexualidade que lhe contemple o lado sadio e fecundo, socialmente integrado, com repercussões na religião e seus ritos.
Às vezes, imaginamos equacionar o problema ao dar-lhe solução mental, verbal, esquecendo a complexidade da realidade. A sexualidade ou o eros, como expressão dohumanum, guardam certo mistério. Não se deixam aprisionar totalmente. A técnica, a linguagem e a instituição não o exaurem nem o aprisionam. Pedem uma reflexão interdisciplinar e aberta que permita aprender com os outros e se responsabilize socialmente pelos seus erros e acertos. Nada de sacralizar ingenuamente a sexualidade, mas sim decifrar-lhe a riqueza além do puramente racional. A Igreja participa desse processo de decifração não como instituição detentora da verdade, mas como aprendiz do real onde Deus manifesta o seu projeto. Lidamos, em última análise, com a liberdade humana para o bem e para o mal. Nenhuma instituição escapa de tal dialética.

Conclusão
Essa crise, provocada pelo desvelar da pedofilia entre alguns eclesiásticos com complacência silenciosa da hierarquia, pede dela mudanças no nível do discurso com respeito à verdade, à objetividade, à subjetividade dos envolvidos, sem ceder à tentação de encontrar bode expiatório que a isente de conversão. Não tem sentido voltar aos tempos da Inquisição e de caça às bruxas. Nada melhor que transparência, honestidade, justiça e caridade.
No nível da prática pastoral, cabe substituir o afã de poder centralizador pelo ideal cristão de serviço aos demais, especialmente às crianças indefesas em face do abuso sexual.
E, na perspectiva espiritual, a Igreja, na humildade e conversão, descobre a dimensão ministerial, carismática, a renovar-lhe o lado institucional, abrindo-se ao diálogo, assumindo discurso antes sapiencial que peremptoriamente dogmático e partilhando a verdade com outras linguagens, instituições e ciências.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Jornal Hoje: juventude católica mostra sua força nas redes sociais

"As pessoas precisavam ver a mobilização dessa juventude que acredita em Deus", escreve jovem pedindo para que a JMJ Rio 2013 seja tema da próxima reportagem do quadro Jovens do Brasil do telejornal.


No dia 1 de janeiro, a fanpage do 'Jornal Hoje', um telejornal da Rede Globo de Televisão, informou: "na semana que vem o Jovens do Brasil está de volta e quem escolhe o tema da próxima reportagem é você". Jovens do Brasil é um quadro que tem como objetivo "saber o que os adolescentes pensam, as suas preocupações, os desejos dos jovens", esclareceu o apresentador Evaristo Costa.

"Qual assunto você quer ver no Jornal Hoje? Mande sua sugestão e participe", acerca desta convocação a juventude católica tem se mobilizado nas sugestões: a Jornada Mundial da Juventude. A postagem já chega a cerca de 24 mil comentários de jovens, pedindo a reportagem sobre a JMJ Rio 2013.

Para Lucas Pagotti assim como para milhares de outros jovens o tema deve ser a Jornada Mundial da Juventude. "Tem muita coisa a ser mostrada! Tem que mostrar a força por traz desse movimento...", escreveu no Facebook. Segundo Josilene Campello, "as pessoas precisavam ver a mobilização dessa juventude que acredita em Deus, no amor, na justiça e na união, valores muitas vezes deixados de lado pela mídia".

Para participar basta acessar a postagem referente, clicando aqui, e comentar, pedindo que a próxima reportagem do quadro Jovens do Brasil seja a Jornada Mundial da Juventude, que vai ocorrer em julho deste ano no Rio de Janeiro, com a presenta do Papa Bento XVI.

Da redação do Portal Ecclesia.

A messe do Senhor


A messe do Senhor

A missão nos impele a partir
E vencer da fronteira o limite
Pois o arauto não cessa de ouvir
De Jesus o ardoroso convite:
“Também vós, de manha ou à tardinha
Ide todos trabalhar na minha vinha!”

Inflamados de ardor missionário
Os chamados cultivam a messe
Do Senhor, o primeiro operário
Pois assim o seu Reino Floresce!
“Também vós, de manha ou à tardinha
Ide todos trabalhar na minha vinha!”

Vocação tem por nome um serviço
Aos eleitos de Deus confiado
Ninguém pode tornar-se omisso
De amor a tão nobre chamado.
“Também vós, de manha ou à tardinha
Ide todos trabalhar na minha vinha!”


Vale a pena dizer “SIM” à proposta
Do ideal que ilumina nossa história
E, na vida, ir tecendo a resposta
De quem luta e conquista a vitória!
“Também vós, de manha ou à tardinha
Ide todos trabalhar na minha vinha!”


Gente brava, nativa ou migrante
Quer do norte, do sul ou nordeste
Sonha alto, na luta incessante
De tornar este chão mais celeste!
“Também vós, de manha ou à tardinha
Ide todos trabalhar na minha vinha!”

Frei Francisco Costella, OFMCap.

Brasil é fonte e destino do tráfico humano, diz relatório da OIM


trafico_de_seres_humanosUm estudo realizado pela Organização Internacional para as Migrações, OIM, apontou o Brasil como um dos países fonte de vítimas de tráfico humano, ao lado da Bulgária, China, Índia, Nigéria. Entre os três principais estão a Ucrânia, o Haiti e o Iêmen.
O relatório resultou da análise das tendências de tráfico de pessoas através de informações de mais de 150 pontos de operação. Os principais países de destino são a Federação Russa, o Haiti, o Iêmen, a Tailândia e o Cazaquistão. Embora em menor escala em relação à Argentina, o Brasil também é tido como ponto de chegada de pessoas traficadas de países como a Bolívia e o Paraguai.
Na Europa, Portugal é um dos pontos de destino ao lado da Alemanha, Itália e Espanha. Todos recebem um número significativo de migrantes do Cone Sul e particularmente dos países andinos. Migrantes originários de Angola e Moçambique estão na lista dos refugiados africanos, caribenhos e asiáticos que se movimentam para a Europa ou transitam pela América do Sul a caminho dos Estados Unidos e Canadá.
Campanha da Fraternidade
Em 2014, a Campanha da Fraternidade terá como tema “Fraternidade e Tráfico Humano”, e o lema “É para a liberdade que Cristo nos libertou.” (Gl 5,1)
De acordo com o secretário executivo da Campanha da Fraternidade, padre Luiz Carlos Dias, o objetivo geral, a partir da reafirmação da defesa e da reverência pela dignidade dos filhos e filhas de Deus, é mobilizar a sociedade através da denúncia do tráfico humano de modo a contribuir pela erradicação desse mal.

Após cirurgia dom Joaquim se recupera bem


Dom_Joaquim_Justino_CarreiraSmartO bispo de Guarulhos (SP), dom Joaquim Justino Carreira, passou por uma cirurgia no último sábado, 5 de janeiro, para a retirada de um tumor no intestino.
Segundo nota da diocese de Guarulhos, o bispo permanecerá no hospital “por tempo ainda não determinado, para tratamentos complementares pós-cirúrgicos. As perspectivas de recuperação são muito boas e promissoras. Por enquanto, ele permanece na UTI, como é de praxe, e as visitas continuam restritas.”
Dom Joaquim está internado desde o dia 29 de dezembro para a realização de exames.
Leia a íntegra da nota da diocese de Guarulhos sobre o estado de saúde de dom Joaquim Carreira
Ao presbitério e diocesanos de Guarulhos
Seja bendito o nome do Senhor!
Nosso querido Dom Joaquim foi hoje, dia 05 de janeiro, submetido à cirurgia para retirada de tumor no intestino. Deus guiou a mão dos médicos e a cirurgia teve grande êxito. Por volta das 17h, ele já estava falando, e muito consciente de tudo. Envia a todos sua afetuosa bênção e expressa seus mais sinceros agradecimentos pela união espiritual e solidariedade. Deverá permanecer no hospital por tempo ainda não determinado, para tratamentos complementares pós-cirúrgicos. As perspectivas de recuperação são muito boas e promissoras. Por enquanto, ele permanece na UTI, como é de praxe, e as visitas continuam restritas.
Queremos agradecer sinceramente a todos os que estão devotando sua oração por nosso querido pastor; a força da oração do povo de Deus é a grande causa do sucesso dos procedimentos e da paz espiritual de nosso bispo.
Também agradecemos à equipe técnica e ao corpo clínico do Hospital Santa Catarina, bem como às irmãs da Congregação de Santa Catarina, pela acolhida e prontidão e profissionalismo.
Nosso louvor a Deus pela disposição daqueles e daquelas que se dispuseram a doar sangue – a campanha está sendo muito bem sucedida e beneficiará outras pessoas.
Também nosso obrigado aos meios de comunicação, TV, rádio, internet, jornais e outros por sua colaboração.
Um agradecimento especial aos inúmeros bispos, padres, seminaristas, religiosas, e demais membros do povo de Deus que tem manifestado sua solidariedade e união espiritual. Permitam-me nomear o Cardeal Arcebispo de São Paulo Dom Odilo Pedro Scherer, por sua preocupação e carinho para com Dom Joaquim e para com a Igreja de Guarulhos.
Nosso querido pastor continua sua missão de santificar, ensinar e servir o povo de Deus, também quando está enfermo; sua fragilidade física tem expressado seu vigor espiritual e capacidade de congregar o rebanho de Cristo.
Continuemos nossas atividades pastorais: além da oração, é o melhor meio de unirmo-nos à missão de nosso pastor.
Que a Virgem Imaculada interceda por nós!
Padre Antonio Bosco da Silva
Vigário Geral da Diocese de Guarulhos
Guarulhos, 05 de janeiro de 2013.

Jovens Adoradores realizam primeira vigília em 2013



Da Redação, com Site Oficial JMJ 2013


Na caminhada rumo à Jornada Mundial da Juventude 2013, que se aproxima cada vez mais, será realizada nesta sexta-feira, 11, das 22h às 6h, a primeira Vigília dos Jovens Adoradores deste ano, que acontecerá na Catedral de São Sebastião do Rio de Janeiro e fará parte da Trezena de São Sebastião 2013. A Santa Missa da vigília será presidida pelo padre Fábio de Melo.

A vigília terá início às 22h, com a acolhida. Em seguida, haverá o momento YouCat, conduzido pela Comunidade Pequeno Rebanho. Às 22h30, a imagem de São Sebastião chegará à Catedral e, logo depois, começará a Santa Missa. À 0h30, o Santíssimo Sacramento será exposto pelo padre Fábio de Melo. Na vigília, também estarão presentes a cantora Ziza Fernandes, que fará uma pregação e adoração, a cantora Olívia Ferreira, que conduzirá um louvor com adoração, e a banda Frutos de Medjugorje.

Segundo a integrante do Setor Juventude da arquidiocese do Rio de Janeiro e do Movimento de Vida Cristã, Stephania Figueiredo, esta vigília será muito especial porque é a primeira do Ano da Juventude. “Neste ano de 2013, pediremos a intercessão do nosso padroeiro da cidade e também patrono da JMJ Rio2013, São Sebastião, para que nesta contagem regressiva cada um de nós possa dar o máximo de nossas capacidades e possibilidades para fazer desta Jornada um meio de evangelização não só para os jovens que estão por vir, mas também para todos os cariocas”, destacou.

Para Walmyr Junior, que faz parte da Pastoral da Juventude e foi a várias Vigílias dos Jovens Adoradores, participar da vigília, muito além de um encontro com outros jovens, é perceber que aquilo que leva o jovem a viver a alegria é uma experiência de fé. De acordo com ele, esta é a alegria autêntica e verdadeira.

“Enquanto jovem, diante da Eucaristia na vigília, posso perceber que essa é a alegria que Jesus viveu na sua infância e juventude, uma alegria inspiradora que nos permite fazer a opção pela vida e vida em abundância. É isso que a Jornada vai fecundar no coração da juventude: uma luta incessante pela dignidade e valorização da vida dos jovens”, frisou.

Cristãos precisam abandonar o egoísmo para ir em missão, diz padre


Jéssica Marçal
Da Redação


Pontifícias Obras Missionárias
Padre Camilo Pauletti é diretor das Pontifícias Obras Missionárias
Um novo ano se inicia e, embora sempre existam projetos novos, há também aqueles antigos, que ainda precisam ser trabalhados. A Igreja católica traçou para o período de 2011 a 2015 algumas diretrizes para a ação evangelizadora no Brasil. Dentre essas diretrizes, algumas são urgentes, como é o caso da ação missionária da Igreja.

Mas por que discutir a Igreja em estado permanente de missão é assunto urgente? De acordo com o diretor das Pontifícias Obras Missionárias (POM), padre Camilo Pauletti, a essência da Igreja é ser missionária, uma vez que nasce com o mandato do próprio Cristo: “Ide a todos os povos e façam que sejam meus discípulos” (Mt.28,19).

“Assim, a Igreja no Brasil, em suas diretrizes, assumiu esta urgência missionária. No documento de Aparecida, os bispos manifestam com clareza que devemos colocar nossa Igreja em estado permanente de missão”, lembrou o padre.

Desafios

E quem participa ativamente dessa ação missionária da Igreja são os próprios fiéis, de acordo com suas vocações. Porém, padre Camilo acredita que hoje a Igreja sofre com a carência de pessoas que entendam e assumam o espírito missionário. Para ele, essa falta de consciência missionária é o maior desafio para a Igreja.

“Estamos estagnados, nos falta abertura e disposição para sair de nós mesmos e ir ao encontro dos outros. (...) Precisamos motivar nossos cristãos a sair do seu “eu”, do seu egoísmo, de sua casa, de sua comunidade, paróquia e diocese, para ir em missão a outros lugares. Há carências de testemunhas proféticas, de mártires, referências e modelos de verdadeiros discípulos missionários”, enfatizou.

E diante dessa realidade, o diretor das POM disse que é trabalho dos bispos, padres, leigos, movimentos, comunidades, enfim, de todos os que amam a Igreja ajudar a despertar vocações missionárias.  “Nós procuramos fazer isto, através de cursos de formação, conselhos missionários, congressos, retiros, encontros... auxiliar para suprir esta grande necessidade”.

Ano da Fé


Esse trabalho de despertar vocações missionárias pode ser auxiliado pelo Ano da Fé, uma ocasião em que o Papa Bento XVI pede mais reflexão sobre a fé católica, o que acaba levando a uma melhor compreensão do papel de cada cristão católico na Igreja.

Padre Camilo acredita que este Ano vem ajudar a reevangelizar os “batizados adormecidos”, além de ser um tempo de perceber que o Evangelho exige um testemunho mais radical de vida.

“Temos cristãos só de nome, mas que não vivem a fé cristã, precisam ser despertados. Outros necessitam amadurecer. O que nos ajuda para isto é o serviço, a doação, o despojamento e a gratuidade. Vamos encontrar este valores na missão, na ação concreta”.

Entre essas ações, o sacerdote citou as santas missões populares, os grupos de infância, adolescência e juventude missionária, os vários conselhos e grupos missionários, projetos de Igrejas Irmãs e a missão ad gentes. “São (estas ações) sinais e caminhos de uma Fé madura. O grande motivador do chamado missionário é o testemunho, o exemplo de vida”.

Papa expõe aos embaixadores preocupações com a justiça e a paz


Da Redação, com Rádio Vaticano


Rádio Vaticano
O Papa Bento XVI reunido com os embaixadores junto à Santa Sé
Conforme acontece habitualmente no início do ano, o Papa Bento XVI recebeu nesta segunda-feira, 7, os membros do Corpo Diplomático, aos quais dirigiu um discurso em que abordou os problemas de justiça e paz, exprimindo as suas preocupações e propostas a esse propósito.

Acesse
.: NA ÍNTEGRA: Discurso do Papa ao corpo diplomático


Bento XVI começou seu discurso parabenizando as relações frutuosas que a Igreja Católica mantém com as autoridades civis em todo o mundo. “Trata-se de um diálogo que tem a peito o bem integral, espiritual e material, de cada homem e visa promover por toda a parte a sua dignidade transcendente”.

E esta dimensão católica da Igreja, que a leva a abraçar todo o universo, não constitui, conforme destacou o Santo Padre, uma ingerência na vida das diversas sociedades, mas serve para iluminar a reta consciência dos seus cidadãos e convidá-los a trabalhar pelo bem de cada pessoa e o progresso do gênero humano.

Foi neste contexto que Bento XVI situou os acordos bilaterais estabelecidos ou ratificados em 2012 com vários países, assim como as viagens apostólicas por ele realizadas ao México, a Cuba e ao Líbano. “Ocasiões privilegiadas para reafirmar o empenhamento cívico dos cristãos naqueles países e também para promover a dignidade da pessoa humana e os fundamentos da paz”.

Ainda no discurso, o Papa lastimou o fato de hoje em dia, por vezes, se pensar que a verdade, a justiça e a paz são utopias que se auto-excluem. “Diversamente, na perspectiva cristã, há uma ligação íntima entre a glorificação de Deus e a paz dos homens na terra, de tal modo que a paz não resulta meramente de um esforço humano, mas deriva do próprio amor de Deus… Na realidade, sem uma abertura ao transcendente, o homem cai como presa fácil do relativismo e, consequentemente, torna-se-lhe difícil agir de acordo com a justiça e comprometer-se pela paz.”

Sobre o fanatismo de ordem religiosa, que continua a fazer vítimas, o Santo Padre voltou a sublinhar que se trata de uma “falsificação da própria religião", já que a religião visa reconciliar o homem com Deus, tornando claro que cada homem é imagem do Criador.

Recordando a responsabilidade de trabalhar pela paz, Bento XVI citou os numerosos conflitos que continuam a ensanguentar a humanidade, a começar pelo Médio Oriente. “Renovo o meu apelo para que se deponham as armas e possa, o mais rápido possível, prevalecer um diálogo construtivo para acabar com um conflito que, se perdurar, não conhecerá vencedores mas apenas derrotados, deixando em campo atrás de si apenas ruínas.”

O Pontífice também fez uma referência à Terra Santa: "Na sequência do reconhecimento da Palestina como Estado Observador não-Membro das Nações Unidas, renovo os meus votos de que israelitas e palestinianos, com o apoio da comunidade internacional, se empenhem por chegar a uma convivência pacífica no contexto de dois Estados soberanos, onde o respeito pela justiça e as legítimas aspirações de ambos os povos seja tutelado e garantido. Jerusalém, torna-te aquilo que o teu nome significa: cidade da paz e não da divisão, profecia do Reino de Deus e não mensagem de instabilidade e conflito!"

domingo, 6 de janeiro de 2013

As origens do Capítulo Provincial


As origens do Capítulo Provincial



Durante os seus primeiros oito anos, a Ordem dos Frades Menores (Franciscanos) ainda não tinha sentido a necessidade de estabelecer províncias. Elas só nasceram no Capítulo Geral de 1217, quando já havia aumentado muito o número de irmãos, e era cada vez maior a expansão geográfica da Ordem.

Os frades de uma determinada região, denominada a partir de então de “Província”, ficariam sob os cuidados fraternos de um ministro, cuja missão era visitar os irmãos, exortá-los e corrigi-los, além de coordenar tudo o que dissesse respeito à vida deles. Por sua vez, o irmão responsável por uma província passava a se chamar de “Ministro Provincial”.





Com o surgimento e desenvolvimento das primeiras províncias franciscanas, nasceu consequentemente a necessidade do “Capítulo Provincial”. Periodicamente, todos os irmãos de uma província se reuniam com o seu Ministro para avaliar, planejar e decidir o que fosse referente à vida e missão da Ordem, implantada naquela determinada região. Porém, uma marca dos capítulos franciscanos sempre foi a do encontro fraterno, muito mais do que algo simplesmente burocrático ou administrativo.




Na regra mais antiga da Ordem, conhecida como Regra não Bulada, já se fazia menção ao Capítulo Provincial: “Todo ano, cada ministro pode reunir-se com seus irmãos, onde lhe aprouver, na festa de São Miguel Arcanjo, para tratarem das coisas que se referem a Deus” (RnB 18,1).

Na regra franciscana aprovada pelo papa em 1223, denominada de Regra Bulada, se conserva a exortação para que o ministro convoque seus irmãos para um capítulo: “Depois do Capítulo de Pentecostes, no entanto, pode cada ministro e custódio, se o quiser e se lhe parecer conveniente, convocar seus irmãos para um capítulo em sua custódia, uma vez no mesmo ano” (RB 8,6).




São Francisco, homem de grande sensibilidade fraterna, tinha grande apreço pelos capítulos. Ele sabia que esses encontros fraternos eram de fundamental importância para a vivência daquilo que o Senhor lhe tinha inspirado. São Boaventura fala dessa solicitude de São Francisco pelos capítulos provinciais: “E porque não podia estar corporalmente presente aos Capítulos provinciais, ele se fazia presente em espírito por meio da solícita preocupação pelo governo da Ordem, de oração constante e de bênção eficaz, embora alguma vez, por ação da admirável força de Deus, comparecesse a eles visivelmente” (Legenda Maior 4,10).




Podemos perceber que nestas primeiras legislações da Ordem não havia ainda diretrizes bem claras e detalhadas sobre a realização do Capítulo Provincial, sendo sua convocação uma possibilidade dada ao ministro. Um fato que será decisivo para que o Capítulo Provincial se torne algo cada vez mais presente na vida da Ordem será a autonomia dada às províncias para que escolham o seu próprio Ministro. Esta autonomia é dada pelo Capítulo Geral de 1239, quando são elaboradas as primeiras Constituições da Ordem.  Mais tarde, as Constituições de Narbona, elaboradas em 1260, durante o governo de São Boaventura, prescreve que o Capítulo Provincial seja realizado anualmente e que dele participem apenas o Ministro Provincial, os custódios e representantes de cada convento.




Desde os primeiros tempos, São Francisco teve o cuidado de transmitir aos seus frades um forte senso de fraternidade. Os encontros casuais e os capítulos eram algo não só desejado, mas vividos com muita intensidade. Tomás de Celano descreve com muito entusiasmo o amor fraternal que reinava entre aqueles irmãos dos primeiros tempos: “Com quanta caridade os novos discípulos de Cristo se abrasavam! Quão grande amor de companheirismo vigorava neles! Pois quando se reuniam em algum lugar ou se encontravam no caminho, como acontece, resplandecia o fogo do amor espiritual (...) Eram desejosos de reunir-se, mais desejosos de estar juntos (...)  Amargo o afastamento, penoso o momento da partida” (1Celano 38-39).



 
Paz e Bem




Frei Salvio Romero, eremita capuchinho.

Ordenação Episcopal de quatro bispos no Vaticano, entre eles Monsenhor Georg Gaenswein






Monsenhor Georg Gaenswein, secretário pessoal do Papa Bento XVI.


EPIFANIA DO SENHOR


Eis o dia em que o Senhor se manifestou aos povos! 
Chegou para nós um Salvador.

Em 2012, Papa recebeu mais de dois milhões de pessoas


Da Redação, com Rádio Vaticano


l'Osservatore Romano/Flickr news.va
O Papa Bento XVI durante uma das audiências gerais de 2012
Em 2012, mais de dois milhões de pessoas estiveram em encontros com o Papa Bento XVI. Estes foram os números divulgados nesta segunda-feira, 2, pela Prefeitura da Casa Pontifícia, retratando a participação pública em audiências e celebrações presididas pelo Pontífice no ano que se passou.

As estimativas – calculadas pelos pedidos de entradas – indicam que um total de 2.351.200 fiéis participaram dos eventos públicos com Bento XVI: 447 mil em 43 audiências gerais às quartas-feiras; 146.800 em audiências particulares; 501 mil em diversas celebrações litúrgicas presididas por Bento XVI; e cerca de 1.256.000 em orações dominicais do Angelus na Praça São Pedro e em Castel Gandolfo, a residência de verão do Papa.

Somando os números de todo o pontificado, de 19 de abril de 2005 até hoje, 20.544.970 peregrinos estiveram em encontros com Bento XVI no Vaticano e em sua residência de verão. O evento que teve a maior participação de fiéis foi a beatificação de João Paulo II, em 1º de maio de 2011. 

Os bispos são "homens conquistados por Deus”, diz Bento XVI


André Luiz
Da Redação


CTV
"A inquietação do homem por Deus e, a partir dela, a inquietação de Deus pelo homem devem não dar tréguas ao Bispo," afirmou Bento XVI.
O Papa Bento XVI celebrou na manhã deste domingo, 6, a solenidade da Epifania do Senhor, na Basílica de São Pedro, em Roma. Na ocasião, o Santo Padre realizou a ordenação de quatro novos bispos para a Igreja, cerimônia tradicional durante a Epifania, iniciada pelo Papa Beato João Paulo II.
Na homilia, comparando a figura dos Reis Magos com a missão do episcopado, o Santo Padre ressaltou que o bispo deve ser um homem cujo coração esteja sempre inquieto à procura de Deus e que se deixe tocar pelas instabilidades próprias da realidade humana.
Acesse:
.: Na íntegra: Homilia do Papa Bento XVI - Solenidade da Epifania do Senhor

.: Fotos da celebração eucarística na Basílica de São Pedro 
“Deve ser um homem para os outros; mas só poderá sê-lo realmente, se for um homem conquistado por Deus: se, para ele, a inquietação por Deus tornou-se uma inquietação pela sua criatura, o homem.”
Segundo o Papa, os bispos precisam ser, à exemplo dos Reis Magos, homens em constante espera, sempre à procura de algo maior; homens eruditos que queiram sobretudo saber o essencial e conhecer a verdade.
“Um bispo não deve ser alguém que se limita a exercer o seu ofício, sem se importar com mais nada; mas deve deixar-se absorver pela inquietação de Deus com os homens. Deve, por assim dizer, pensar e sentir em sintonia com Deus.” disse o Papa.
Relacionando a celebração da Epifania com a ordenação episcopal, o Papa afirmou que o bispo tem a missão não apenas de se incorporar na peregrinação junto aos fiéis, mas de ir à frente e indicar-lhes a estrada.
De acordo com Bento XVI, o bispo é um constante peregrino na procura por Deus. Uma peregrinação interior que se realiza sobretudo na oração. Logo, o bispo é um homem que reza, deve viver em permanente contato interior com Deus.
O pontífice também apontou como deve ser a postura do bispo diante dos pensamentos agnósticos do mundo contemporâneo. “O agnosticismo hoje largamente imperante, tem os seus dogmas e é extremamente intolerante com tudo o que o põe em questão, ou põe em questão os seus critérios. Por isso, a coragem de contradizer as orientações dominantes é hoje particularmente premente para um Bispo.”
Segundo Bento XVI, o testemunho valente e corajoso não consiste em ferir com violência e agressividade aos que se opõe a Cristo, mas consiste em deixar-se ferir e fazer frente aos critérios das opiniões dominantes. “A coragem de permanecer firme na verdade é inevitavelmente exigida àqueles que o Senhor envia como cordeiros para o meio de lobos.”
No fim da homília, o Santo Padre rezou a Deus pedindo aos novos bispos a luz da fé e do amor, e a inquietação de Deus pelo homem, a fim de que “possam experimentar a sua proximidade e receber o dom da sua alegria.”

Cáritas promove campanha em prol das vítimas das chuvas no Rio de Janeiro


caritasbrasileiraA Cáritas da arquidiocese do Rio de Janeiro (RJ), em sua Campanha de Emergência, está recebendo doações para os desabrigados, vítimas das chuvas na Baixada Fluminense. Em menos de 24h, o temporal já causou muitos transtornos à população.
As fortes chuvas começaram por volta das 2h da madrugada da quinta-feira, 3 de janeiro, em Xerém, distrito de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, provocando uma morte. A chuva trouxe muita destruição e deixou centenas de pessoas desabrigadas. Rios e córregos da região subiram rapidamente, moradores deixaram as casas praticamente só com a roupa do corpo. A força da correnteza arrastou casas inteiras, deixou carros empilhados e destruiu quatro pontes.
O arcebispo do Rio de Janeiro, dom Orani João Tempesta, lamentou a tragédia e enfatizou a campanha para ajudar as vítimas das chuvas. “Todo ano, nesse mês de janeiro, nós vemos que as chuvas se intensificam e nós sabemos dessa realidade urbana aqui em nossa região do Rio de Janeiro, que sofre com relação às chuvas, ao deslizamento, a inundações... famílias perdem seus bens, perdem suas casas, algumas pessoas perdem também a vida. A arquidiocese do Rio de está fazendo sua arrecadação tanto de dinheiro, como de alimentos, água e algumas coisas necessárias para as pessoas, para enviarmos através das Cáritas também dessas cidades e Dioceses, para as pessoas que mais necessitam. É um jeito de nós encontrarmos Cristo na pessoa do outro”, afirmou.
Para aderir à campanha, as doações de roupas, calçados e alimentos podem ser feitas na sede Cáritas (Rua dos Arcos, 54, Catedral, subsolo). A ajuda também pode ser feita através de depósito: Banco Bradesco: conta corrente 48500-4, agência 0814 –1, em nome de Cáritas Emergência. Banco do Brasil: conta corrente 3000-4, agência 3114-3, em nome de Cáritas.

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