Sejam Bem-Vindos!

"É uma grandiosíssima calúnia dizer que tenho revoltas contra a Igreja. Eu nunca tive dúvidas sobre a Fé Católica, nunca disse nem escrevi, nem em cartas particulares, nem em jornais, nem em quaisquer outros escritos nenhuma proposição falsa, nem herética, nem duvidosa, nem coisa alguma contra o ensino da Igreja. Eu condeno tudo o que a Santa Igreja condena. Sigo tudo o que ela manda como Deus mesmo. Quem não ouvir e obedecer a Igreja deve ser tido como pagão e publicano. Fora da Igreja não há salvação."
Padre Cícero Romão Batista

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Bispos desejam santo Natal


sagradafamiliaBispos de várias partes do país dirigem uma mensagem sobre o Natal e renovam os desejos de um ano novo abençoado aos brasileiros. Trouxemos iniciativas natalinas e alguns trechos de artigos, mensagens e cartões assinados por arcebispos e bispos que estão no pastoreiro de várias capitais, como também de bispos auxiliares e eméritos. Confira.
Belém (PA)
“Jesus, Menino prometido durante séculos, esperança do povo, dos pobres e dos pequenos, Menino Deus, aqui estou para me entreter contigo, trazendo os sonhos de nosso tempo e de toda a história, para louvar-te, agradecer-te, pedir-te perdão e apresentar-te muitas súplicas. É que pela tua graça, ouço muita gente que, confiante nas orações de uma pessoa consagrada a ti, me faz portador de seus problemas e de suas alegrias. E tu sabes o quanto minha vida é sustentada justamente pela oração do povo maravilhoso que me foi confiado pela Igreja. Peço-te licença para entrar na casa de teu coração, pois quero ser como os pastores que foram a Belém para conferir os acontecimentos, ou como os magos, vindos de longe, trazendo esperanças” (trecho da mensagem do arcebispo de Belém, dom Alberto Taveira).
Macapá (AP)
“Neste Natal, ofereçamos como dom aos nossos amigos verdadeiros o testemunho simples e singelo da nossa fé. Nem precisa colocar o nosso nome no embrulho do presente, serão suficientes o nosso sorriso e o nosso abraço. Pensando bem, não vai ter embrulho, bastará desejar a todos um Feliz Natal... de Jesus e oferecer-lhes a coerência luminosa de nossa vida cristã” (trecho de artigo de dom Pedro Jose Conti, bispo de Macapá).
São Luis (MA)
“Que a Virgem de Nazaré, Senhora da Vitória, continue apontando a direção por onde devemos seguir. Elevemos o nosso olhar para a imensidão azul do nosso céu e sobre o verde das nossas matas e reencontrando aquele olhar de esperança dos primeiros habitantes, ousemos acreditar que o Natal pode ser tempo de uma nova esperança. Como eles, também nós, não estamos passando por tribulações e incertezas? Assim unidos de coração, lutemos por mais solidariedade, mais justiça, mais respeito ao direito de cada um, mas sem esquecer que temos deveres. E o principal destes deveres é trabalhar por um mundo mais fraterno, mais humano. Que o Natal nos permita recuperar a capacidade de amar e de gerar paz” (trecho da mensagem de dom José Carlos Chacorowski, bispo auxiliar de São Luis).
Natal (RN)
“Exorto a todos a viverem o Natal neste Ano da Fé, com o desejo renovado de um crescimento na fé, acolhimento de Deus e entrega de nossa vida a Ele. De fato, pela fé somos feitos participantes de toda a sua vida e toda a sua missão. Eis o que nos alegra. Que a alegria do Natal que se aproxima nos fortaleça na nossa experiência de fé, pois “conhecer Jesus pela fé é a nossa alegria, segui-lo é uma graça e transmitir este tesouro aos demais é uma tarefa que o Senhor, ao nos chamar e nos eleger, nos confia” (trecho de artigo de dom Jaime Vieira Rocha, arcebispo de Natal).
Olinda e Recife (PE)
“No Natal, Deus chama a todos nós a ser humanos como Jesus. Esse é o caminho para cada um de nós e também para a Igreja como comunidade de discípulos do Senhor. A missão primeira é viver o seguimento de Jesus. Na casa do centurião Cornélio, o apóstolo Pedro resumiu assim a missão de Jesus: “Jesus de Nazaré foi o homem consagrado (ungido) por Deus com o Espírito Santo e com poder. Ele andou por toda parte, fazendo o bem e curando a todos os oprimidos, porque Deus estava com Ele” (At 10, 38). Se a missão de Jesus foi essa; como Igreja, a nossa não pode ser outra: abrir-nos ao Espírito de Deus que nos preenche. Ser cheios do Espírito é a dimensão primordial da fé. Ser cheios do Espírito tem como primeiro sinal fazer o bem e cuidar dos que sofrem. É a dimensão profética e social da fé, essencial e indispensável à missão da arquidiocese. Esse cuidado com os mais pobres é o sinal mais visível e claro da presença e da atuação de Deus em nós. O Natal nos convida a viver isso não como trabalho ocasional, mas como missão que toma a vida inteira e condiciona nosso modo de ser” (trecho de artigo de dom Antonio Fernando Saburido, arcebispo de Olinda e Recife).
Belo Horizonte (MG)
“Jesus deve ser e estar no centro do Natal, sem prescindir de tantas outras coisas que compõem e dão graça especial a este tempo. Vale recuperar e investir na armação de presépios, nas casas, nas igrejas e nos lugares públicos. Uma oportunidade para os pais exercerem a catequese dos filhos, reavivando no próprio coração as lições insubstituíveis aprendidas com Cristo. Assim, o tempo do Natal, respeitando seu genuíno sentido, torna-se época especial de aproximação. Passa-se a viver um encontro que transforma corações e superam-se descompassos como a corrupção, a mesquinhez de ter só para si. O presépio ajuda a dar estatura a quem só tem tamanho, fazendo brotar a sabedoria emoldurada por serenidade, um presente para quem contempla esse sinal e aprende o sentido de sua lição” (trecho de artigo de dom Walmor Oliveira de Azevedo, arcebispo de Belo Horizonte).
Rio de Janeiro (RJ)
“Ao celebrarmos o Natal, a ‘festa cristã’, não estamos apenas recordando um fato passado, mas sim atualizando para hoje essa realidade. Ao recordarmos que Jesus Cristo nasceu historicamente e que Ele virá um dia escatologicamente, queremos aprofundar o nosso encontro com Ele no tempo que se chama hoje. Ele, que é verdadeiramente Deus e verdadeiramente homem, tornou-se a nossa “ponte” de encontro. Ele é o Pontífice que nos leva a caminhar para a união com a Trindade, e nos traz a vontade de Deus para que vivamos segundo os planos do Pai. Por isso, o tempo do Advento que acabamos de celebrar foi a oportunidade de purificarmos o nosso coração e a nossa mente para que o Natal seja realmente uma festa cristã” (trecho de artigo de dom Orani João Tempesta, arcebispo do Rio de Janeiro).
Florianópolis (SC)
"Os cristãos são chamados a fazer brilhar, com sua própria vida no mundo, a Palavra da Verdade que o Senhor Jesus nos deixou” (Bento XVI — para o Ano da Fé). Desejamos que em 2013, sejas luz de Cristo a brilhar nos corações dos que contigo partilharem os dias que o Senhor lhe conceder! Feliz Natal e Abençoado 2013!”(Mensagem de Natal de dom Wilson Tadeu Jonck, arcebispo de Florianópolis).
São Paulo (SP)
“Pedimos que Deus nos livre de ficar indiferentes e descrentes diante do Sublime Mistério, como tantos ficaram já naquele tempo! E se fecharam à novidade surpreendente de Deus e nada aproveitaram do dom de amor que Deus enviou do céu à humanidade! Hoje, “Belém é aqui, aqui é Natal!”. Deus é continuamente o “Deus-que-vem” ao nosso encontro, de formas surpreendentes! Diante dele, nós acabamos tomando as mesmas atitudes dos personagens do primeiro Natal. Cabe a nós, acolher ou fechar as portas... Se temos fé, devemos fazer como os pastores de Belém, que ficaram fascinados com tudo o que viram e ouviram e saíram a contar aos outros. Nós somos as testemunhas de Deus na cidade! Faço votos que todos tenham um santo Natal! Natal feliz é Natal com fé. Assim poderemos alegrar-nos verdadeiramente e sentir a paz que o Menino Jesus nos trouxe” (trecho de artigo do Cardeal dom Odilo Pedro Scherer, arcebispo de São Paulo).
Brasília (DF)
“O coração e os braços que se abrem, em prece, para acolher o amor de Deus, neste Natal,  se estendam fraternalmente a todos. Que a vida Nova que Jesus nos traz, se prolongue ao longo do  Novo Ano. Feliz Natal, com o presente mais precioso que Deus mesmo nos oferece: o nascimento de Jesus! Feliz Ano Novo, com as bênçãos do Menino Deus, trazendo-nos esperança e paz!”(Mensagem de dom Sérgio da Rocha, arcebispo de Brasília).
Salvador (BA)
“O Natal nos ensina que há duas maneiras diferentes de manifestarmos nosso amor. A primeira é dando presentes. Foi assim que Deus expressou seu carinho na criação: deu-nos o sol, as flores e o ar; a lua, a água e as sementes. A outra maneira é mais difícil: trata-se de sofre pela pessoa amada. Foi como o enviado do Pai nos amou na encarnação: ‘Sendo ele de condição divina, não se prevaleceu de sua igualdade com Deus, mas aniquilou-se a si mesmo, assumindo a condição de escravo e assemelhando-se aos homens’ (Fp 2,6-7)”(trecho de artigo de dom Murilo Sebastião Krieger, arcebispo de Salvador e Primaz do Brasil).
Porto Alegre (RS)
“Festejamos a grande festa que é o Natal, motivo de muita alegria. Cada um de nós tem fé e cremos em alguém que veio até nós para estar conosco e transmitir paz, alegria e muita fraternidade. Então nós nos abraçamos neste dia e dizemos: Vale a pena sermos cristãos! Queremos irradiar essa nossa fé para os outros e que todos vejam a nossa alegria e se convençam de que estamos no caminho certo e temos os dons de Deus para serem vivenciados e retransmitidos. Que Deus abençoe a cada um e dê a todos a alegria do Natal” (Mensagem de Natal de Dom Dadeus Grings, Arcebispo de Porto Alegre).
Campo Grande (MS)
“’Porque Deus amou tanto o mundo que mandou o seu próprio filho, não para condenar o mundo, mas para que fosse salvo por ele’. Meu irmão, minha irmã, é com grande alegria que eu venho desejar a cada um dos nossos queridos diocesanos, de nossas famílias, um santo Natal e um feliz Ano Novo, cheio das bênçãos de Deus” (Mensagem de Natal de Dom Dimas Lara Barbosa, arcebispo de Campo Grande).
Manaus (AM)
A Campanha Natal Sem Fome tem como objetivo fazer um Natal mais Fraterno e Solidário onde as famílias todas, tenham um Natal mais feliz  na partilha de alimentos, principalmente. Todas as comunidades católicas são postos de arrecadação e cada Paróquia e Área Missionária deve ter um cadastro das famílias que mais necessitam dessa ação solidária. “A intenção não é as famílias necessitadas irem procurar os alimentos nas igrejas, mas sim a Igreja ir até essas famílias não somente num gesto de compaixão, mas principalmente num espírito Solidário, pois todos somos irmão. É bom ressaltar que este gesto não fazemos só para os católicos, fazemos para todos, pois ser católico é ser universal, é ser para todos”, disse Dom Luiz Soares Vieira, arcebispo emérito de Manaus.

Feliz Natal para todos os internautas que acessam o Blog - A voz da Igreja


domingo, 23 de dezembro de 2012

Mensagem do Papa Bento XVI à Cúria Romana

Audiência com a Cúria Romana
Vaticano
Sexta-feira, 21 de dezembro de 2012


Senhores Cardeais,
Venerados Irmãos no Episcopado e no Presbiterado,
Queridos irmãos e irmãs!

Com grande alegria, me encontro hoje convosco, amados membros do Colégio Cardinalício, representantes da Cúria Romana e do Governatorado, para este momento tradicional antes do Natal. A cada um de vós dirijo uma cordial saudação, começando pelo Cardeal Angelo Sodano, a quem agradeço as amáveis palavras e os ardentes votos que me exprimiu em nome dele e vosso. O Cardeal Decano recordou-nos uma frase que se repete muitas vezes na liturgia latina destes dias: «Prope este iam Dominus, venite, adoremus! – O Senhor está perto; vinde, adoremos!». Também nós, como uma única família, nos preparamos para adorar, na gruta de Belém, aquele Menino que é Deus em pessoa e tão próximo que Se fez homem como nós. De bom grado retribuo os votos formulados e agradeço de coração a todos, incluindo os Representantes Pontifícios espalhados pelo mundo, pela generosa e qualificada colaboração que cada um presta ao meu ministério.

Encontramo-nos no fim de mais um ano, também este caracterizado – na Igrejae no mundo – por muitas situações atribuladas, por grandes problemas e desafios, mas também por sinais de esperança. Limito-me a mencionar alguns momentos salientes no âmbito da vida da Igreja e do meu ministério petrino. Começo pelas viagens realizadas ao México e a Cuba: encontros inesquecíveis com a força da fé, profundamente enraizada nos corações dos homens, e com a alegria pela vida que brota da fé. Recordo que, depois da chegada ao México, na borda do longo troço de estrada que tivemos de percorrer, havia fileiras infindáveis de pessoas que saudavam, acenando com lenços e bandeiras. Recordo que, durante o trajecto para Guanajuato – pitoresca capital do Estado do mesmo nome –, havia jovens devotamente ajoelhados na margem da estrada para receber a bênção do Sucessor de Pedro; recordo como a grande liturgia, nas proximidades da estátua de Cristo-Rei, constituiu um acto que tornou presente a realeza de Cristo: a sua paz, a sua justiça, a sua verdade. E tudo isto, tendo como pano de fundo os problemas dum país que sofre devido a múltiplas formas de violência e a dificuldades resultantes de dependências económicas. Sem dúvida, são problemas que não se podem resolver simplesmente com a religiosidade, mas sê-lo-ão ainda menos sem aquela purificação interior dos corações que provém da força da fé, do encontro com Jesus Cristo. Seguiu-se a experiência de Cuba; também lá nas grandes liturgias, com seus cânticos, orações e silêncios, se tornou perceptível a presença d’Aquele a quem, por muito tempo, se quisera recusar um lugar no país. A busca, naquele país, de uma justa configuração da relação entre vínculos e liberdade, seguramente, não poderá ter êxito sem uma referência àqueles critérios fundamentais que se manifestaram à humanidade no encontro com o Deus de Jesus Cristo.

Como sucessivas etapas deste ano que se encaminha para o fim, gostava de mencionar a grande Festa da Família em Milão, bem como a visita ao Líbano com a entrega da Exortação apostólica pós-sinodal que deverá agora constituir, na vida das Igrejas e da sociedade no Médio Oriente, uma orientação nos difíceis caminhos da unidade e da paz. O último acontecimento importante deste ano, a chegar ao ocaso, foi o Sínodo sobre a Nova Evangelização, que constituiu ao mesmo tempo um início comunitário do Ano da Fé, com que comemorámos a abertura do Concílio Vaticano II, cinquenta anos atrás, para o compreender e assimilar novamente na actual situação em mudança.

Todas estas ocasiões permitiram tocar temas fundamentais do momento presente da nossa história: a família (Milão), o serviço em prol da paz no mundo e o diálogo inter-religioso (Líbano), bem como o anúncio da mensagem de Jesus Cristo, no nosso tempo, àqueles que ainda não O encontraram e a muitos que só O conhecem por fora e, por isso mesmo, não O reconhecem. De todas estas grandes temáticas, quero reflectir um pouco mais detalhadamente sobre o tema da família e sobre a natureza do diálogo, acrescentando ainda uma breve consideração sobre o tema da Nova Evangelização.

A grande alegria, com que se encontraram em Milão famílias vindas de todo o mundo, mostrou que a família, não obstante as múltiplas impressões em contrário, está forte e viva também hoje; mas é incontestável – especialmente no mundo ocidental – a crise que a ameaça até nas suas próprias bases. Impressionou-me que se tenha repetidamente sublinhado, no Sínodo, a importância da família como lugar autêntico onde se transmitem as formas fundamentais de ser pessoa humana. É vivendo-as e sofrendo-as, juntos, que as mesmas se aprendem. Assim se tornou evidente que, na questão da família, não está em jogo meramente uma determinada forma social, mas o próprio homem: está em questão o que é o homem e o que é preciso fazer para ser justamente homem. Os desafios, neste contexto, são complexos. Há, antes de mais nada, a questão da capacidade que o homem tem de se vincular ou então da sua falta de vínculos. Pode o homem vincular-se para toda a vida? Isto está de acordo com a sua natureza? Ou não estará porventura em contraste com a sua liberdade e com a auto-realização em toda a sua amplitude? Será que o ser humano se torna-se ele próprio, permanecendo autónomo e entrando em contacto com o outro apenas através de relações que pode interromper a qualquer momento? Um vínculo por toda a vida está em contraste com a liberdade? Vale a pena também sofrer por um vínculo? A recusa do vínculo humano, que se vai generalizando cada vez mais por causa duma noção errada de liberdade e de auto-realização e ainda devido à fuga da perspectiva duma paciente suportação do sofrimento, significa que o homem permanece fechado em si mesmo e, em última análise, conserva o próprio «eu» para si mesmo, não o supera verdadeiramente. Mas, só no dom de si é que o homem se alcança a si mesmo, e só abrindo-se ao outro, aos outros, aos filhos, à família, só deixando-se plasmar pelo sofrimento é que ele descobre a grandeza de ser pessoa humana. Com a recusa de tal vínculo, desaparecem também as figuras fundamentais da existência humana: o pai, a mãe, o filho; caem dimensões essenciais da experiência de ser pessoa humana.

Num tratado cuidadosamente documentado e profundamente comovente, o rabino-chefe de França, Gilles Bernheim, mostrou que o ataque à forma autêntica da família (constituída por pai, mãe e filho), ao qual nos encontramos hoje expostos – um verdadeiro atentado –, atinge uma dimensão ainda mais profunda. Se antes tínhamos visto como causa da crise da família um mal-entendido acerca da essência da liberdade humana, agora torna-se claro que aqui está em jogo a visão do próprio ser, do que significa realmente ser homem. Ele cita o célebre aforismo de Simone de Beauvoir: «Não se nasce mulher; fazem-na mulher - t pas femme, on le devient». Nestas palavras, manifesta-se o fundamento daquilo que hoje, sob o vocábulo «gender - género», é apresentado como nova filosofia da sexualidade. De acordo com tal filosofia, o sexo já não é um dado originário da natureza que o homem deve aceitar e preencher pessoalmente de significado, mas uma função social que cada qual decide autonomamente, enquanto até agora era a sociedade quem a decidia. Salta aos olhos a profunda falsidade desta teoria e da revolução antropológica que lhe está subjacente. O homem contesta o facto de possuir uma natureza pré-constituída pela sua corporeidade, que caracteriza o ser humano. Nega a sua própria natureza, decidindo que esta não lhe é dada como um facto pré-constituído, mas é ele próprio quem a cria. De acordo com a narração bíblica da criação, pertence à essência da criatura humana ter sido criada por Deus como homem ou como mulher. Esta dualidade é essencial para o ser humano, como Deus o fez. É precisamente esta dualidade como ponto de partida que é contestada. Deixou de ser válido aquilo que se lê na narração da criação: «Ele os criou homem e mulher» (Gn 1, 27). Isto deixou de ser válido, para valer que não foi Ele que os criou homem e mulher; mas teria sido a sociedade a determiná-lo até agora, ao passo que agora somos nós mesmos a decidir sobre isto. Homem e mulher como realidade da criação, como natureza da pessoa humana, já não existem. O homem contesta a sua própria natureza; agora, é só espírito e vontade. A manipulação da natureza, que hoje deploramos relativamente ao meio ambiente, torna-se aqui a escolha básica do homem a respeito de si mesmo. Agora existe apenas o homem em abstracto, que em seguida escolhe para si, autonomamente, qualquer coisa como sua natureza. Homem e mulher são contestados como exigência, ditada pela criação, de haver formas da pessoa humana que se completam mutuamente. Se, porém, não há a dualidade de homem e mulher como um dado da criação, então deixa de existir também a família como realidade pré-estabelecida pela criação. Mas, em tal caso, também a prole perdeu o lugar que até agora lhe competia, e a dignidade particular que lhe é própria; Bernheim mostra como o filho, de sujeito jurídico que era com direito próprio, passe agora necessariamente a objecto, ao qual se tem direito e que, como objecto de um direito, se pode adquirir. Onde a liberdade do fazer se torna liberdade de fazer-se por si mesmo, chega-se necessariamente a negar o próprio Criador; e, consequentemente, o próprio homem como criatura de Deus, como imagem de Deus, é degradado na essência do seu ser. Na luta pela família, está em jogo o próprio homem. E torna-se evidente que, onde Deus é negado, dissolve-se também a dignidade do homem. Quem defende Deus, defende o homem.

Dito isto, gostava de chegar ao segundo grande tema que, desde Assis até ao Sínodo sobre a Nova Evangelização, permeou todo o ano que chega ao fim: a questão do diálogo e do anúncio. Comecemos pelo diálogo. No nosso tempo, para a Igreja, vejo principalmente três campos de diálogo, onde ela deve estar presente lutando pelo homem e pelo que significa ser pessoa humana: o diálogo com os Estados, o diálogo com a sociedade – aqui está incluído o diálogo com as culturas e com a ciência – e, finalmente, o diálogo com as religiões. Em todos estes diálogos, a Igreja fala a partir da luz que a fé lhe dá. Ao mesmo tempo, porém, ela encarna a memória da humanidade que, desde os primórdios e através dos tempos, é memória das experiências e dos sofrimentos da humanidade, onde a Igreja aprendeu o que significa ser homem, experimentando o seu limite e grandeza, as suas possibilidades e limitações. A cultura do humano, de que ela se faz garante, nasceu e desenvolveu-se a partir do encontro entre a revelação de Deus e a existência humana. A Igreja representa a memória do que é ser homem defronte a uma civilização do esquecimento que já só se conhece a si mesma e só reconhece o próprio critério de medição. Mas, assim como uma pessoa sem memória perdeu a sua identidade, assim também uma humanidade sem memória perderia a própria identidade. Aquilo que foi dado ver à Igreja, no encontro entre revelação e experiência humana, ultrapassa sem dúvida o mero âmbito da razão, mas não constitui um mundo particular que seria desprovido de interesse para o não-crente. Se o homem, com o próprio pensamento entra na reflexão e na compreensão daqueles conhecimentos, estes alargam o horizonte da razão e isto diz respeito também àqueles que não conseguem partilhar a fé da Igreja. No diálogo com o Estado e a sociedade, naturalmente a Igreja não tem soluções prontas para as diversas questões. Mas, unida às outras forças sociais, lutará pelas respostas que melhor correspondam à justa medida do ser humano. Aquilo que ela identificou como valores fundamentais, constitutivos e não negociáveis da existência humana, deve defendê-lo com a máxima clareza. Deve fazer todo o possível por criar uma convicção que possa depois traduzir-se em acção política.

Na situação actual da humanidade, o diálogo das religiões é uma condição necessária para a paz no mundo, constituindo por isso mesmo um dever para os cristãos bem como para as outras crenças religiosas. Este diálogo das religiões possui diversas dimensões. Há-de ser, antes de tudo, simplesmente um diálogo da vida, um diálogo da acção compartilhada. Nele, não se falará dos grandes temas da fé – se Deus é trinitário, ou como se deve entender a inspiração das Escrituras Sagradas, etc. –, mas trata-se dos problemas concretos da convivência e da responsabilidade comum pela sociedade, pelo Estado, pela humanidade. Aqui é preciso aprender a aceitar o outro na sua forma de ser e pensar de modo diverso. Para isso, é necessário fazer da responsabilidade comum pela justiça e a paz o critério basilar do diálogo. Um diálogo, onde se trate de paz e de justiça indo mais além do que é simplesmente pragmático, torna-se por si mesmo uma luta ética sobre os valores que são pressupostos em tudo. Assim o diálogo, ao princípio meramente prático, torna-se também uma luta pelo justo modo de ser pessoa humana. Embora as escolhas básicas não estejam enquanto tais em discussão, os esforços à volta duma questão concreta tornam-se um percurso no qual ambas as partes podem encontrar purificação e enriquecimento através da escuta do outro. Assim estes esforços podem ter o significado também de passos comuns rumo à única verdade, sem que as escolhas básicas sejam alteradas. Se ambas as partes se movem a partir duma hermenêutica de justiça e de paz, a diferença básica não desaparecerá, mas crescerá uma proximidade mais profunda entre eles.

Hoje em geral, para a essência do diálogo inter-religioso, consideram fundamentais duas regras: 1ª) O diálogo não tem como alvo a conversão, mas a compreensão. Nisto se distingue da evangelização, da missão. 2ª) De acordo com isso, neste diálogo, ambas as partes permanecem deliberadamente na sua identidade própria, que, no diálogo, não põem em questão nem para si mesmo nem para os outros.

Estas regras são justas; mas penso que assim estejam formuladas demasiado superficialmente. Sim, o diálogo não visa a conversão, mas uma melhor compreensão recíproca: isto é correcto. Contudo a busca de conhecimento e compreensão sempre pretende ser também uma aproximação da verdade. Assim, ambas as partes, aproximando-se passo a passo da verdade, avançam e caminham para uma maior partilha, que se funda sobre a unidade da verdade. Quanto a permanecer fiéis à própria identidade, seria demasiado pouco se o cristão, com a sua decisão a favor da própria identidade, interrompesse por assim dizer por vontade própria o caminho para a verdade. Então o seu ser cristão tornar-se-ia algo de arbitrário, uma escolha simplesmente factual. Nesse caso, evidentemente, ele não teria em conta que a religião tem a ver com a verdade. A propósito disto, eu diria que o cristão possui a grande confiança, mais ainda, a certeza basilar de poder tranquilamente fazer-se ao largo no vasto mar da verdade, sem dever temer pela sua identidade de cristão. Sem dúvida, não somos nós que possuímos a verdade, mas é ela que nos possui a nós: Cristo, que é a Verdade, tomou-nos pela mão e, no caminho da nossa busca apaixonada de conhecimento, sabemos que a sua mão nos sustenta firmemente. O facto de sermos interiormente sustentados pela mão de Cristo torna-nos simultaneamente livres e seguros. Livres: se somos sustentados por Ele, podemos, abertamente e sem medo, entrar em qualquer diálogo. Seguros, porque Ele não nos deixa, a não ser que sejamos nós mesmos a desligar-nos d’Ele. Unidos a Ele, estamos na luz da verdade.

Por último, impõe-se ainda uma breve consideração sobre o anúncio, sobre a evangelização, de que, na sequência das propostas dos Padres Sinodais, falará efectiva e amplamente o documento pós-sinodal. Acho que os elementos essenciais do processo de evangelização são visíveis, de forma muito eloquente, na narração de São João sobre a vocação de dois discípulos do Baptista, que se tornam discípulos de Cristo (cf. Jo 1, 35-39). Antes de tudo, há o simples acto do anúncio. João Baptista indica Jesus e diz: «Eis o Cordeiro de Deus!» Pouco depois o evangelista vai narrar um facto parecido; agora é André que diz a Simão, seu irmão: «Encontrámos o Messias!» (1, 41). O primeiro elemento fundamental é o anúncio puro e simples, o kerigma, cuja força deriva da convicção interior do arauto. Na narração dos dois discípulos, temos depois a escuta, o seguir os passos de Jesus; um seguir que não é ainda verdadeiro seguimento, mas antes uma santa curiosidade, um movimento de busca. Na realidade, ambos os discípulos são pessoas à procura; pessoas que, para além do quotidiano, vivem na expectativa de Deus: na expectativa, porque Ele está presente e, portanto, manifestar-Se-á. E a busca, tocada pelo anúncio, torna-se concreta: querem conhecer melhor Aquele que o Baptista designou como o Cordeiro de Deus. Depois vem o terceiro acto que tem início com o facto de Jesus Se voltar para trás, Se voltar para eles e lhes perguntar: «Que pretendeis?» A resposta dos dois é uma nova pergunta que indica a abertura da sua expectativa, a disponibilidade para cumprir novos passos. Perguntam: «Rabi, onde moras?» A resposta de Jesus – «vinde e vereis» – é um convite para O acompanharem e, caminhando com Ele, tornarem-se videntes.

A palavra do anúncio torna-se eficaz quando existe no homem uma dócil disponibilidade para se aproximar de Deus, quando o homem anda interiormente à procura e, deste modo, está a caminho rumo ao Senhor. Então, vendo a solicitude de Jesus sente-se atingido no coração; depois o impacto com o anúncio suscita uma santa curiosidade de conhecer Jesus mais de perto. Este ir com Ele leva ao lugar onde Jesus habita: à comunidade da Igreja, que é o seu Corpo. Significa entrar na comunhão itinerante dos catecúmenos, que é uma comunhão feita de aprofundamento e, ao mesmo tempo, de vida, onde o caminhar com Jesus nos faz tornar videntes.

«Vinde e vereis». Esta palavra dirigida aos dois discípulos à procura, Jesus dirige-a também às pessoas de hoje que estão em busca. No final do ano, queremos pedir ao Senhor para que a Igreja, não obstante as próprias pobrezas, se torne cada vez mais reconhecível como sua morada. Pedimos-Lhe para que, no caminho rumo à sua casa, nos torne, também a nós, sempre mais videntes a fim de podermos afirmar sempre melhor e de modo cada mais convincente: encontrámos Aquele que todo o mundo espera, ou seja, Jesus Cristo, verdadeiro Filho de Deus e verdadeiro homem. Neste espírito, desejo de coração a todos vós um santo Natal e um feliz Ano Novo.

A alegria dos homens


O Natal, nascimento de Cristo se aproxima
Estamos chegando ao fim do Advento, tempo de preparação para o Natal, tempo de alegria! A liturgia nos convida não apenas a voltar nosso olhar para o passado e celebrar o aniversário do nascimento do Salvador, mas também nos convida a olhar para o futuro: a segunda vinda de Cristo.
Ele veio a primeira vez na humildade para iniciar a obra da salvação. Virá uma segunda vez na glória, para concluir a obra iniciada. Será uma vinda misteriosa. Ele mesmo afirmou que ninguém conhece o dia e a hora, a não ser o Pai.
O Advento é um tempo de preparação para o nosso encontro definitivo com Cristo. Encontro que não deve ser temido, mas aguardado ansiosamente. Deve ser desejado, pois será o encontro da noiva com o Esposo, com o Amado.
A comunidade apostólica, em suas assembleias litúrgicas, clamava com alegria: “Maranathá! Vem, Senhor Jesus!”Deus é o ser vivo por excelência. Não só possui a vida em plenitude, mas é Ele a própria fonte da vida. Vive pelos séculos dos séculos (cf. Ap. 10,6;15,7). “O Pai possui a vida por si mesmo”, afirmou Jesus. Nós não possuímos a vida por nós mesmos, não somos criadores de nós mesmos. A nossa vida é um dom de Deus. É o primeiro dom.
À semelhança de Adão, vivemos, porque um sopro divino nos tornou seres vivos. Por isso mesmo, o ser humano, ao tomar consciência de sua presença no mundo, percebe-se como alguém responsável por um dom recebido, responsável por sua vida e pela vida dos outros seres humanos.
A vida é um talento. É um dom a ser administrado para que produza frutos. “Quem ama a sua vida, diz o Evangelho, vai perdê-la”. Quem perde a sua vida, ganha a vida em plenitude. Amar a própria vida é viver só para si, é viver egoisticamente, é deixá-la improdutiva. Perdê-la é gastá-la cada dia para que os outros tenham mais vida.
Cristo referiu-se a perder a própria vida num sentido superior: por causa d’Ele e do Evangelho, ou seja, colocando a própria vida a serviço do Evangelho. Cabe a nós propagá-lo pelo mundo com grande alegria. O fato de conhecer Jesus e fazer com que os outros O conheçam é o motivo de nossa felicidade.
O grande profeta João Batista recorda que ninguém pode viver longe do amor de Jesus. Viver a mensagem de Cristo é viver na verdadeira alegria, a qual não passa. Alegria que tem por alicerce não as coisas do mundo, mas sim o amor de Deus por nós. Essa é a única e verdadeira alegria: Jesus Cristo, Filho de Deus.
Dom Benedito Beni dos Santos
Bispo da diocese de Lorena (SP)

Bento XVI destaca a "beleza do acolhimento", neste tempo de Natal



Rádio Vaticano


Arquivo
"Imitemos Maria no tempo de Natal, visitando quantos vivem em situações de precariedade, em particular os doentes...", convida Bento XVI.
A “beleza do acolhimento” foi sublinhada pelo Papa Bento XVI neste domingo, 23, ao meio-dia (ROMA),  na Praça de São Pedro, antes da recitação das Ave-Marias, já em clima de Natal.
Comentando o evangelho do dia – a visitação de Maria a sua prima Isabel (Lc 1, 29-45), o Santo Padre observou que “esta cena exprime também a beleza do acolhimento”, recomendando a escuta, o dar espaço, o que – assegurou – comporta a presença de Deus e da alegria que d’Ele vem.
“Este gesto não significa um mero gesto de cortesia, mas representa com grande simplicidade o encontro do Antigo com o Novo Testamento. De fato, as duas mulheres, ambas grávidas, encarnam a espera e o Esperado”.

“A idosa Isabel – explicou o Papa – simboliza Israel que espera o Messias, ao passo que a jovem Maria leva em si o cumprimento dessa expectativa, a bem de toda a humanidade. Nas duas mulheres se encontram e reconhecem, antes de mais nada, os frutos do seu seio, João e Cristo”.
Recordando a saudação de Isabel a Maria, o Papa observou que o texto evangélico evoca expressões do Antigo Testamento: “A expressão 'bendita és tu entre as mulheres' é referida no Antigo Testamento a Jael e Judite, duas mulheres guerreiras que intervêm para salvar Israel. Agora é dirigida a Maria, jovenzinha pacífica que está para gerar o Salvador do mundo”.

Do mesmo modo – acrescentou ainda o Papa - o sobressalto de alegria de João alude à dança do rei Davi quando acompanhou a entrada da Arca da Aliança em Jerusalém. “A Arca, que continha as tábuas da Lei, o maná e o cetro de Arão, era o sinal da presença de Deus no meio do seu povo. João que vai nascer exulta de alegria diante de Maria, Arca da nova Aliança, que leva no seio Jesus, o Filho de Deus feito homem”.

O Santo Padre enfatizou que a cena da Visitação expressa também a beleza do gesto de acolher. Onde há acolhimento recíproco, escuta, o dar espaço ao outro, disse o Papa,  aí está Deus e a alegria que d’Ele vem.
"Imitemos Maria no tempo de Natal, visitando quantos vivem em situações de precariedade, em particular os doentes, os presos, os idosos e as crianças. E imitemos também Isabel, que acolhe o hóspede como o próprio Deus. Sem O desejarmos, nunca O conheceremos; sem aguardá-Lo, não O encontraremos; sem O procurar, não O encontraremos.”

Bento XVI concluiu desejando a todos um bom domingo e, desde já, aquela serenidade que permita viver bem as próximas festas de Natal.

Papa perdoa ex-mordomo condenado no caso vatileaks


Da Redação, com Boletim da Santa Sé


Rádio Vaticano
O Papa Bento XVI ao lado de seu ex-mordomo, Paolo Gabriele
O Papa Bento XVI perdoou o seu ex-mordomo, Paolo Gabriele, condenado por roubo de documentos reservados da Santa Sé, caso conhecido como vatileaks. A informação foi divulgada na manhã deste sábado, 22, por meio de nota da sala de imprensa da Santa Sé.

O Santo Padre visitou Paolo Gabriele na prisão nesta manhã para comunicar pessoalmente a ele o seu perdão. A atitude, segundo informa a nota oficial, reflete um gesto paterno em relação a uma pessoa com quem o Santo Padre teve contato cotidiano por alguns anos.

Com o perdão, Paolo Gabriele foi solto e voltou para casa. Embora não possa retomar o trabalho anterior e continuar a residir no Vaticano, a Santa Sé, confiando na sinceridade do arrependimento expresso, quer oferecer a ele a possibilidade de retomar com serenidade a vida junto à sua família. 

Maiores eventos católicos do país confirmam presença na JMJ 2013



Montagem sobre fotos / arquivo
Os cantores do Hallel se apresentam na terça, 25 de julho, Halleluya, de 23 a 26 de julho, PHN na sexta, dia 26.
Os três principais e já tradicionais eventos católicos do país, Halleluya, Hallel, e Por Hoje Não, conhecido pela sigla PHN, já fazem parte da programação do Festival da Juventude da JMJ Rio2013. Com inscrições abertas até 25 de dezembro, o Festival da Juventude será de 22 a 26 de julho de 2013, no âmbito da programação da JMJ Rio2013.


O Halleluya, promovido sempre pela Comunidade Católica Shalom, é o maior festival de artes integradas do Brasil. Surgiu em 1997, em Fortaleza, Ceará, quando os líderes da Comunidade pensaram em fazer um evento para os jovens cearenses e turistas como “uma opção sadia e segura de lazer no final das férias de julho”, conforme a comunidade descreve o festival. Atualmente, o evento acontece em vários estados do Brasil e internacionalmente, como em Israel e Roma.

Outro evento de sucesso é o Hallel, fundado em 1988, em Franca, São Paulo, por Maria Theodora Lemos Silveira, conhecida carinhosamente na comunidade de Tia Lolita. Uma mãe muito católica, preocupada com seus filhos músicos e roqueiros, que decidiu na época, tirando como exemplo o Rock in Rio, criar um movimento que agregasse jovens, música e debates, mas que fossem em louvor a Deus. Foi assim que nasceu o Hallel, em família e com muita fé. Acontece também em outros sete países: Chile, Paraguai, México, Peru, Colômbia, Estados Unidos e Uganda.

O PHN, Por Hoje Não, é da Comunidade Canção Nova, e se realiza em Cachoeira Paulista, São Paulo. O evento "aconselha e ajuda jovens a se guiar no cotidiano longe do pecado". Segundo o site da Canção Nova, o PHN “representa a maneira pessoal de estar de acordo com Deus. Ele nos permite recomeçar a cada dia”.

A Canção Nova trabalha com acampamentos. E o do PHN é um dos maiores eventos da comunidade, trazendo milhares de jovens de todos os lugares do país. O idealizador do evento é o músico e missionário Dunga, que criou o PHN com o objetivo de ter um acampamento com música, luau, workshop, missas, tudo para os jovens se aproximarem cada vez mais de Deus com o lema “Por Hoje Não, por hoje não vou mais pecar”.

Os cantores do Hallel se apresentam na terça, 25 de julho, Halleluya, de 23 a 26 de julho, PHN na sexta, dia 26.

A programação completa do Festival da Juventude será divulgada em março, mas já se sabem os principais locais das atrações: Sambódromo, Aterro do Flamengo, Praia de Ipanema, Museu de Belas Artes, Museu Histórico Nacional e Rio Centro.

animação pastoral das vocações


Conhecida como “comissão um” da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), a Comissão Episcopal Pastoral para os Ministérios Ordenados e a Vida Consagrada representa a atenção do episcopado brasileiro com as vocações, ministérios e a vida consagrada. Atualmente presidida por dom Pedro Brito Guimarães (foto), a Comissão tem como foco de suas ações a promoção das vocações e ministérios, bem como acompanhar os religiosos e institutos seculares.

No artigo a seguir, o assessor da Comissão, padre Deusmar Jesus da Silva, apresenta um histórico da atuação da CNBB neste campo ao longo dos últimos 60 anos.
COMISSÃO EPISCOPAL PASTORAL
PARA OS MINISTÉRIOS ORDENADOS E A VIDA CONSAGRADA
Olhando os documentos da Igreja, percebemos que o planejamento pastoral foi sempre um valioso instrumento pedagógico que a CNBB encontrou para animar e articular a ação pastoral em nível nacional e regional a partir das Igrejas locais, garantindo, ao mesmo tempo, a presença da Igreja numa sociedade em profundo processo de transformação. A primeira experiência de planejamento pastoral nasceu em 1962 com o Plano de Emergência em pleno clima conciliar. Importante observar que o Plano de Emergência já apresentava uma preocupação vocacional, pois, entre as quatro áreas prioritárias apontadas por este documento para a atuação eclesial, a segunda área denomina-se: “Para uma renovação do Ministério Sacerdotal”.

De 1966 a 1970, a Igreja no Brasil trabalhou sob as orientações do Plano de Pastoral de Conjunto. Estas orientações foram prorrogadas em 1970 e atualizadas em 1975. O Plano de Pastoral de Conjunto inaugurou o esquema das seis linhas pastorais, a saber: Linha 1: Unidade Visível; linha 2: Educação da Fé; linha 3: Ação Missionária e evangelização em setores especiais da pastoral; linha 4: Liturgia; linha 5: Ação Ecumênica e diálogo religioso; e linha 6: Presença no mundo. O setor vocacional fazia parte da linha 1, também faziam parte desta linha, o setor estruturas da Igreja, setor vida religiosa, setor institutos seculares e novas formas de vida consagrada, o setor leigos e o setor juventude.

Na segunda metade da década de 1970, encontramos nos planos bienais dentro dos vários setores da linha 1, relacionados com as vocações e ministérios,  projetos que tratam sobre: conselhos presbiterais, atualização teológica, pastoral e espiritual dos presbíteros, atualização para Bispos, capacitação de animadores vocacionais, reflexão sobre pastoral vocacional, formação para o presbiterado, reflexão sobre a força evangelizadora da vida religiosa, vida contemplativa feminina, levantamento das novas formas de vida consagrada no mundo. No final da década de 70 e início de 80, percebemos nos projetos do setor vocações e ministérios, uma preocupação com o diálogo entre teólogos e bispos, a assimilação e aplicação de Puebla e Diretrizes Gerais da Ação Pastoral, as implicações que a opção preferencial pelos pobres traz à vida e ministério dos presbíteros, o ministério da coordenação, o ministério diaconal no Brasil e os ministérios novos nas bases populares.

No início da década de 1980, a Igreja propõe uma ação pastoral a partir das seis linhas com uma nova denominação, a saber: Linha 1: Dimensão comunitária e participativa; linha 2: Dimensão Missionária; linha 3: Dimensão Catequética; linha 4: Dimensão litúrgica; linha 5: Dimensão ecumênica e de diálogo religioso; linha 6: Dimensão profética e transformadora. Os setores: Vocação e Ministérios, Leigos e Estruturas da Igreja, fazem parte da linha 1.

São atividades permanentes do setor Vocações e Ministérios: 1) Incentivar e aprofundar a compreensão da vocação cristã a ser vivenciada nas várias vocações específicas; 2) Aprofundar o sentido e acompanhar a práxis dos ministérios exercidos pelos leigos; 3) Acompanhar a Comissão Nacional do Clero; 4) Acompanhar a Comissão Nacional dos Diáconos; 5) Colaborar com a Conferência dos Religiosos do Brasil e a Conferência Nacional dos Institutos Seculares, no âmbito das respectivas conferências; 6) Apoiar os cursos para formadores de seminários e implementar juntamente com a  Organização dos Seminários e Institutos do Brasil (OSIB), encontro de formadores e outros eventos relacionados à formação nos seminários; 7) Promover a Pastoral Vocacional e acompanhar as atividades dos regionais no campo da promoção e formação vocacional; 8) Manter fraterno relacionamento com o setor Vocações e Ministérios do CELAM.

Ainda na década de 1980, o setor Vocações e Ministérios com a Comissão Nacional do Clero e as comissões regionais, promovem o primeiro Encontro Nacional de Presbíteros. Com a OSIB, são promovidos encontros com os formadores de seminários e com os bispos representantes do setor seminários nos regionais. O setor promoveu também encontros nacionais de Pastoral Vocacional, encontros de Bispos recém-ordenados, encontros nacionais das escolas diaconais, cursos de reciclagem para presbíteros diocesanos e cursos para bispos.

O setor para as Vocações e Ministérios, no início da década de 1990, assume como atividades permanentes, além das assumidas nos planos bienais da década anterior: 1º) integrar a Pastoral Vocacional no conjunto da Pastoral Orgânica, privilegiando as pastorais da Juventude, Catequese e Família, organismos (OSIB, CNC e CND), conferências (CRB e CNIS) e movimentos (SERRA); 2º) Apoiar o Conselho Nacional de Leigos no seu esforço de organização e formação; 3º) Ajudar a criar uma consciência sempre maior de um trabalho integrado entre Pastoral Vocacional, formação inicial e permanente dos presbíteros e diáconos, buscando mútuo diálogo entre organismos e conferências, tais como: OSIB, CNC, CND, CNL, CRB e CNIS. Também, no início da década de 1990 acontece o Sínodo dos Bispos sobre a formação presbiteral e à luz da exortação pós-sinodal Pastores Dabo Vobis. O setor Vocações e Ministérios empreendeu a atualização do documento 30 da CNBB, que culminou com a publicação das novas Diretrizes Básicas da Formação Presbiteral da Igreja no Brasil (Doc. 55). Os Planos Bienais do final da década desta década mudam a nomenclatura referente à comissão dos presbíteros para Comissão Nacional dos Presbíteros (CNP) e apresentam um projeto de elaboração das Diretrizes Básicas do Diaconado Permanente.

O Plano Bienal para os anos 2000 e 2001, apresenta como um dos objetivos da dimensão comunitária e participativa, aprimorar a formação de bispos, presbíteros, diáconos permanentes, leigos/as e de agentes específicos para que participem com mais eficácia da missão global da Igreja. Dentro do setor Vocações e Ministérios, acrescenta em suas atividades o contato permanente com a direção e o conselho de alunos do Colégio Pio Brasileiro e o acompanhamento e atenção aos Bispos Eméritos. Em 2003 acontece a primeira reunião ampliada do Setor Vocações e Ministérios com a participação da CND, CNP, OSIB e de representantes da CRB, CNIS e também do Conselho Nacional de Leigos (CNL).

A partir do 17º Plano Bienal (2004–2005), o Setor Vocações e Ministérios recebe uma nova denominação, a saber: Comissão Episcopal para os Ministérios Ordenados e a Vida Consagrada. No 18º Plano Bienal (2006-2007) aparece também o termo Pastoral e, a partir de então, prevalecendo até hoje, a comissão é denominada: “Comissão Episcopal Pastoral para os Ministérios Ordenados e a Vida Consagrada”. Desta comissão fazem parte a Conferência dos Religiosos do Brasil (CRB), a Conferência Nacional dos Institutos Seculares (CNIS), a Organização dos Seminários e Institutos do Brasil (OSIB) a Comissão Nacional dos Presbíteros (CNP), o Serviço de Animação Vocacional (SAV) / Pastoral Vocacional (PV), a Comissão Nacional dos Diáconos (CND) e os Bispos Novos e Eméritos.

Percebemos que, desde a fundação da CNBB, a preocupação com as vocações, ministérios e a vida consagrada esteve presente nos planos de pastoral e projetos da Igreja no Brasil. Foram muitos os Bispos, presbíteros, religiosos (as) e assessores que trabalharam no setor prestando este serviço de suma importância para a caminhada da Igreja. Sem diminuir a importância de todos os projetos e atividades de cada conferência ou organismo da comissão, para o quadriênio 2012 – 2015 queremos destacar: o Encontro Nacional para a Vida Monástica e Contemplativa, o Encontro de Bispos e Formadores sobre a experiência missionária com seminaristas, o Seminário nacional sobre a formação Sacerdotal, o Simpósio Vocacional, a rearticulação da Pastoral Vocacional no Brasil e o trabalho coordenado pela comissão para a criação da Comissão para os Bispos Eméritos.

Procurando dar continuidade ao trabalho de longos anos e articular melhor todas as forças vivas a serviço das vocações, ministérios e vida consagrada, a Comissão tem como eixo condutor: “A partir de Jesus Cristo, Verbo encarnado, à luz das Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (DGAE), comprometemo-nos a ser uma Igreja servidora, que nos chama a estar com Ele, formando e enviando em missão”.
Pe. Deusmar Jesus da Silva
Assessor da CMOVC

Ser amado te capacita a amar!


   Se alguém me perguntasse o que de melhor me aconteceu em toda minha vida, sem dúvida responderia que a melhor coisa que me aconteceu foi descobrir que sou amado. Um dos males que tem causado tanta destruição na contemporaneidade, sem dúvida é a falta de amor. A máxima que hoje é tantas vezes repetida, “é preciso amar como se não houvesse amanhã” é na maioria das vezes ignorada até mesmo pelos que a proferem.  Afinal, é mais importante amar ou se sentir amado?
                        Arrisco dizer que mais vale ao homem se sentir amado. Não se trata de um pensamento egoísta, de forma alguma. Mas descobrir que você é amado te capacita a amar. Só conseguimos doar o que temos, só podemos ensinar o que aprendemos, só podemos transmitir o que de alguém recebemos. O amor tem a capacidade de nos trazer à vida cotidianamente, quando por vezes nossas limitações e fraquezas nos cansam e nos fazem desfalecer nos sepulcros da vida. Inúmeras pessoas hoje vivem como se não existissem. Acorrentadas aos próprios fracassos e quedas, tornam-se pessoas depressivas, amarguradas, dispostas até a cometer suicídio. Desejosas por uma palavra amiga, um conforto, um simples “calma, eu estou aqui”. É bonito quando percebemos que alguém te ama não pelo que somos ou fizemos, porque o amor independe de méritos.
                        Alguém sempre me repetia isso, “amor é decisão”! Realmente! Hoje mais que nunca percebo isso. Sobretudo quando me deparo com minha realidade, meus fracassos, minhas percas, minhas fraquezas e debilidades, minhas limitações e defeitos e ainda assim, no cotidiano de minha vida descubro que sou amado. Só então encontro forças pra levantar e seguir. Nisso consiste a beleza do amor de Deus. Ele nos elege!
                        Por sermos eleitos temos a capacidade de eleger a outros. O amor é um exercício que precisa ser praticado a todo o momento, mas só conseguem colocá-lo em prática aqueles que descobriram que são amados. Deus te ama!

Por - Ivo Filho
Blog Traços do Eterno

sábado, 22 de dezembro de 2012

CAPÍTULO PROVINCIAL - Momentos


Bandeiras dos Estados que compõem a Província:
PE, AL, PB e RN
Definitório cessante depondo os cargos
Freis Nivaldo, Gilvan e Ademir
Grupo de animação
Freis Edivan e Dimas Lima
Grupos de reflexão

Fr. Francisco, Dom Fr. Delson (bispo de Campina Grande-PB)
 e Fr. Sérgio Dal Moro


Dom Fr. Severino de França, bispo de Nazaré
com o novo definitório provincial
Freis Carlos, Hélio Jr. e Heleno
Freis Francisco, Igor e Franklin
Missa com Dom Fr. Magnus, bispo de Salgueiro


Conselho da JMJ Rio2013 faz o último encontro do ano


Em clima de Natal, foi realizada nesta terça-feira, 18, a última reunião do Conselho da Jornada Mundial da Juventude Rio2013 junto ao Comitê Organizador Local (COL). O objetivo do encontro era fazer um balanço geral de como foi o ano de 2012 na preparação da JMJ Rio2013, refletir sobre os passos dados e apontar os desafios que estão por vir.
Segundo o arcebispo do Rio e presidente do COL, Dom Orani João Tempesta, o Conselho foi eleito para ajudar a refletir sobre as necessidades da organização da Jornada, onde cada membro atua em uma área específica.
O encontro teve início com uma celebração presidida pelo próprio Dom Orani, na qual foi feito um agradecimento por todos aqueles que colaboraram com a Jornada até agora e pelas dificuldades vencidas e barreiras superadas. Uma prece também foi realizada, para que 2013 seja um ano iluminado por Deus e de muita união entre o Conselho e o COL. Logo após, todos se reuniram no auditório do Edifício João Paulo II para verem a apresentação das atividades realizadas pelo Comitê ao longo 2012 pelo monsenhor Joel Portella amado, secretário-executivo do COL.
O relato começou com a seguinte notícia: faltam 218 dias para o início da Jornada. “O momento de inspiração acabou. Entramos no tempo de transpiração”, afirma monsenhor Joel a respeito da demanda de serviços que virão. Ele também deixou clara a importância desta reunião, necessária para rever e reavaliar os trabalhos feitos. Os principais pontos comentados foram segurança, mobilidade, hospedagem, trabalho voluntário, pagamento de contas.
Dom Orani ressaltou: “muitos de nós olham com certa preocupação e receio para muita coisa. Claro que devemos ter responsabilidade, mas eu gostaria que todos nós ficássemos surpreendidos de ver que o Senhor com a Sua Graça supera tudo aquilo que nós podemos planejar ou aquilo que podemos prever. Sabemos que os técnicos estão aí para nos ajudar a planejar tudo, para que tudo ocorra da melhor forma possível. Mas temos certeza de que o evento que é da Igreja e por isso vai muito além do nosso planejamento e de tudo aquilo que nós podemos fazer. E tenho certeza que o Senhor nos fará enxergar aquilo que vai acontecer no interior das pessoas, na vida da comunidade e da sociedade. Espero e rezo para que nenhum de nós continue sendo o mesmo depois da Jornada Mundial da Juventude”.

Planeta Brasileiro