Sejam Bem-Vindos!

"É uma grandiosíssima calúnia dizer que tenho revoltas contra a Igreja. Eu nunca tive dúvidas sobre a Fé Católica, nunca disse nem escrevi, nem em cartas particulares, nem em jornais, nem em quaisquer outros escritos nenhuma proposição falsa, nem herética, nem duvidosa, nem coisa alguma contra o ensino da Igreja. Eu condeno tudo o que a Santa Igreja condena. Sigo tudo o que ela manda como Deus mesmo. Quem não ouvir e obedecer a Igreja deve ser tido como pagão e publicano. Fora da Igreja não há salvação."
Padre Cícero Romão Batista

domingo, 15 de janeiro de 2012

Jovens devem ser orientados a responder chamado de Deus, diz Papa



Arquivo / AP
No Angelus deste domingo, o Papa pediu aos fiéis e peregrinos que rezem pelos educadores para que orientem bem os jovens
Na recitação do Angelus deste domingo, 15, o Papa Bento XVI destacou a importância dos mediadores – educadores, pais e sacerdotes – na orientação dos jovens que se sentem chamados por Cristo.

“A fé cristã, por si, pressupõe o anúncio e o testemunho: de fato essa consiste na adesão à boa nova que é Jesus de Nazaré, que morreu e ressuscitou e que é Deus. E assim, também o chamado a seguir Jesus, mais de perto, renunciando a formar uma própria família para dedicar-se à grande família da Igreja, passa normalmente através do testemunho e da proposta de um ‘irmão maior’, normalmente um sacerdote”, explicou o Papa aos fiéis reunidos na Praça de São Pedro.












Angelus
Praça de São Pedro - Vaticano
Domingo, 15 de janeiro de 2012


Queridos irmãos e irmãs!

Nas Leituras bíblicas deste domingo – segundo do Tempo Comum – emerge o tema da vocação: no Evangelho é o chamado dos primeiros discípulos por parte de Jesus, na primeira Leitura é o chamado do profeta Samuel. Em ambas as histórias, se destaca a importância da figura que desenvolve um papel de mediador, ajudando as pessoas chamadas a reconhecer a voz de Deus e segui-la. 

No caso de Samuel, se trata de Eli, sacerdote do templo de Shiloh, onde ficava antigamente a arca da aliança, antes de ser transportada para Jerusalém. Uma noite, Samuel, que era ainda um garoto e desde pequeno vivia a serviço do templo, por três vezes seguidas sentiu ser chamado em seu sono e foi a Eli. Mas não era ele a chamá-lo. Na terceira vez, Eli entendeu e disse a Samuel: Se te chamarem ainda, responda: “Fala-me, Senhor, porque o teu servo te escuta”(1 Sam 3,9).

Assim foi, e desde então Samuel aprendeu a reconhecer as palavras de Deus e se torna seu fiel profeta.

No caso dos discípulos de Jesus, a figura mediadora é aquela de João Batista. Na verdade, João havia um vasto círculo de discípulos, e entre estes, existia também dois pares de irmãos: Simão e André, Tiago e João, pescadores da Galiléia

Justamente a dois desses, Batista indicou Jesus, no dia depois de seu batismo no rio Jordão. Indicou-o a eles dizendo: “Eis o cordeiro de Deus!” (Jo 1,36), que equivale a dizer: Eis o Messias. E aqueles dois seguiram Jesus, permaneceram por um longo tempo com Ele e se convenceram que era realmente o Cristo. Logo, disseram aos outros, e assim se formou o primeiro núcleo daquele que se tornaria o colégio dos Apóstolos.

Sob a luz desses dois textos, gostaria de destacar o papel decisivo do guia espiritual no caminho de fé e, em particular, na resposta à vocação de especial consagração para o serviço de Deus e do seu povo.

 esta mesma fé cristã, por si, pressupõe o anúncio e o testemunho: de fato essa consiste na adesão à boa nova que é Jesus de Nazaré, que morreu e ressuscitou, e que é Deus. E assim, também o chamado a seguir Jesus, mais de perto, renunciando a formar uma própria família para dedicar-se à grande família da Igreja, passa normalmente através do testemunho e da proposta de um “irmão maior”, normalmente um sacerdote.

Isso sem esquecer o papel fundamental dos pais, que com sua fé genuína e alegre e seu amor conjugal mostram aos filhos que é lindo e é possível construir toda a vida sobre o amor de Deus.

Queridos amigos, rezamos a Virgem Maria para todos os educadores, especialmente os sacerdotes e pais, para que tenham plena consciência da importância de seu papel espiritual, para favorecer nos jovens, além do crescimento humano, a resposta ao chamado de Deus, a dizer: “Fala, Senhor, o teu servo te escuta”.

 

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Na Liturgia da Palavra fiéis escutam Deus, explica Dom Murilo



Arquivo
Arcebispo de Salvador e Primaz do Brasil, Dom Murilo Krieger
Na Liturgia da Palavra os fiéis se reúnem para escutar a Deus, é Ele próprio quem lhes fala. O cristianismo é a única religião em que não é o ser humano que vai até Deus, mas é Deus que vem até o homem e diz o que Ele quer.

O Arcebispo Primaz do Brasil, Dom Murilo Krieger, explica que na Liturgia da Palavra temos a Palavra de Deus que foi transmitida antes de Cristo, no Antigo Testamento, a Palavra transmitida pelo próprio Cristo, no Evangelho, e aquela transmitida depois de Cristo, nos Atos dos Apóstolos, nas Cartas e no Apocalipse.

Na Liturgia da Palavra são proclamados alguns trechos da Sagrada Escritura para nos mostrar que eles têm valor permanente, eles têm caráter eterno que vai além do tempo e da cultura.

“Na Santa Missa, a Liturgia da Palavra está em primeiro lugar, como em todos os Sacramentos, para nos dizer ‘antes de receber um dom de Deus, vamos ouvir o que Ele quer nos dizer’. Assim, essa proclamação da Palavra tem um valor máximo para nós, porque essa Palavra de Deus nos introduz a Sua intimidade”, enfatiza o Arcebispo de Salvador.

Estruturação da Liturgia

A Liturgia foi se estruturando ao longo dos séculos conforme as inspirações do Espírito Santo. As primeiras comunidades cristãs começaram a fazer a proclamação da Palavra de acordo com a tradicional cultura judaica – fazendo a leitura da escritura e a oração do salmo – e acrescentaram a proclamação da Palavras de Jesus.

“Além do Antigo Ttestamento, aquelas primeiras comunidades falavam sobre os fatos da vida de Jesus e Seus ensinamentos”, explica Dom Murilo.

Essa transmissão da Palavra de Cristo foi feita primeiramente de forma oral. O Segundo Testamento foi escrito ao longo do primeiro século depois de Cristo.

Compreensão da Palavra
Com o passar dos séculos, as homilias, que são as explicações desses Textos Sagrados, foram confiadas aos ministros preparados e ordenados, para evitar aquilo que é um risco ainda hoje o “achismo”. “Quem tem a graça de interpretar a Palavra é a Igreja, pois foi ela quem recebeu esta Palavra”, salienta Dom Murilo.

No dia 11 de outubro, serão comemorados os 50 anos da abertura do Concilio Vaticano II. Dom Murilo salienta que este Concílio deu grande valor a proclamação da Palavra, com ele as leituras começaram a ser feitas nos diversos idiomas, não só em Latim, e também a partir dele, os leigos começaram a ter mais espaço nas Celebrações Litúrgicas.

Dom da proclamação
Para Dom Murilo, a capacidade de proclamar a Palavra é um dom, assim como cantar, ornamentar a igreja, organizar eventos ou acolher pessoas.

“A boa leitura é essencial. Para saber como fazer veja as celebrações no Vaticano que são transmitidas pela TV Canção Nova, mesmo que em outro idioma, veja como a pronúncia é clara e feita pausadamente”, aconselha o Arcebispo Primaz.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Blog recebe reconhecimento: Com selo - Reflexões Franciscanas de Catolicidade

Recebi do caríssimo irmão Cleiton Robson – membro da equipe responsável pelo excelente “Reflexões de Espiritualidade Franciscana” – o selo abaixo, que muito me honra. Em particular pelo simbolismo deveras adequado: o selo ostenta um “Taurroba” [p.s.: posteriormente retirado por conta de reclamações sobre direitos autorais], que é um Tau franciscano desenhado em formato de arroba (@) – o qual, tendo o significado de «faz[er] “localizar e entrar em sincronia” com o mundo franciscano», carrega também uma claríssima referência às tecnologias atuais, às novas mídias de comunicação, à internet, aos novos “apostolados virtuais” entre os quais o Voc.Vinícius Caíque! tem o privilégio de estar contado.


Agradeço pela gentileza e pelo reconhecimento do trabalho aqui levado a cabo – graças ao bom Deus, com melhores frutos do que as minhas misérias poderiam fazer supôr. E aproveito para pedir orações por este Blog, que se propõe a dar a sua modesta contribuição ao apostolado católico neste novos areópagos que a internet descortina diante dos homens dos tempos modernos.



Aspirações de Zilda Arns continuam movendo Pastoral da Criança



Arquivo
Convida pelo irmão Dom Paulo Evaristo Arns, então Arcebispo de São Paulo, Zilda Arns fundou a Pastoral da Criança em 1983
Dois anos depois da morte da doutora Zilda Arns, no terremoto que devastou o Haiti, a Pastoral da Criança leva adiante seus projetos e aspirações.

“Nós não podemos perder nunca a inspiração e não podemos deixar de ser motivados pela visão da doutora Zilda. Seus valores permearam os trabalhos da Pastoral. Em cada parte da Pastoral, você encontra aspectos da vida dela”, salienta o diretor de Relações Institucionais da Pastoral da Criança, Clóvis Boufler.

A fundadora da Pastoral da Criança fazia uma ligação direta entre vida e fé, a visão da saúde, da ciência, com a prática da fé. Zilda Arns queria entender como as pessoas ficam doentes, como fazer a prevenção de doenças e sua relação com aquilo que acreditam e a vivência do Evangelho; uma metodologia utilizada hoje em 19 países.

“Alguns países já avançaram ou outros estão em processo de implantação, mas todos seguem com o mesmo espírito e ardor para trabalhar pelas crianças e gestantes”, conta o diretor.

Depois da morte de Zilda Arns, a Pastoral colocou o Haiti como prioridade enviando voluntários brasileiros que capacitaram outros voluntários haitianos que, por sua vez, trabalham hoje em duas paróquias no interior do país.

“Já colhemos os frutos desse nosso trabalho. Nossa ideia é levar todo esse aprendizado do interior para a capital. Esta era uma ideia que doutora Zilda já tinha estabelecido antes do terremoto”, explica o diretor.


Reconhecimento no Brasil e no mundo


A fama da Pastoral da Criança surgiu com a campanha pelo Soro Caseiro, no final da década de 1980, que uniu as igrejas em todo país e diversos meios de comunicação. Em 1999, a Pastoral lançou a campanha “A Paz começa em casa”, num combate a violência doméstica.

“Recentemente, nós promovemos a campanha do ‘bebê de barriga pra cima’, reconhecida como uma campanha que derrubou tabus, mostrando que é melhor para o bebê dormir de barriga para cima”, explica Boufler.

Já em 2010, a pastoral promoveu uma campanha para o acesso ao uso imediato do antibiótico. “É uma ação simples que não envolve aumento de recursos na saúde, simplesmente mudar a rotina. O remédio já existe na rede do SUS, mas muitos demoram para começar a tomar a medicação”, esclarece Boufler.


Desafios de hoje

Os esforços desta pastoral sempre estiveram ligados à área da saúde. Se, em anos atrás, o maior desafio era o combate à desnutrição infantil, hoje o desafio é a obesidade infantil.

“A desnutrição foi o motivo para a criação da Pastoral da Criança há 27 anos. Hoje a desnutrição não é mais um problema de saúde pública, mas a obesidade, o sobrepeso e a anemia entre as crianças são problemas a serem enfrentados com novas estratégias”, salienta.


Voluntariado

Outro grande desafio da Pastoral da Criança atualmente é a falta de voluntariado. Para Clovis, essa escassez de voluntários está vinculada ao desejo das pessoas em aquisitar sempre mais bens, assim elas trabalham mais e acabam tendo menos tempo para se dedicar ao próximo.

Hoje são mais 240 mil voluntários que trabalham em quatro mil municípios do Brasil, atendendo mais de um milhão de famílias. Mas o diretor de Relações Institucionais espera que o exemplo de Zilda Arns inspire novos voluntários.

“Estamos de portas abertas para acolher novos voluntários e aproveito a oportunidade para enviar um abraço para todos os líderes e voluntários dos 4 mil municípios que acompanham um milhão e 300 mil famílias no país”, finaliza.

Escrito de São Francisco - Carta aos Clérigos part. 1


:: CARTA 1 AOS CLÉRIGOS ::
:: Texto Original ::
 
:: Texto Traduzido ::
Epistola ad Clericos (Recensio prior)
1. Attendamus, omnes clerici, magnum peccatum et ignorantiam, quam quidam habent super sanctissimum corpus et sanguinem Domini nostri Jesu Christi et sacratissima nomina et verba eius scripta, quae santificant corpus.
2. Scimus, quia non potest esse corpus, nisi prius sanctificetur a verbo.
3. Nihil enim habemus et videmus corporaliter in hoc saeculo de ipso Altissimo nisi corpus et sanguinem, nomina et verba, per quae facti sumus et redempti de morte ad vitam (1Joa 3,14).
4. Omnes autem illi qui ministrant tam sanctissima mysteria, considerent intra se, maxime hi qui illicite ministrant, quam viles sint calices, corporales et linteamina, ubi sacrificatur corpus et sanguis eiusdem.
5. Et a multis in locis vilibus collocatur et relinquitur, miserabi-liter portatur et indigne sumitur et indiscrete aliis ministratur.
6. Nomina etiam et verba eius scripta aliquando pedibus concul-cantur;
7. quia animalis homo non percipit ea quae Dei sunt (1Cor 2,14).
8. Non movemur de his omnibus pietate, cum ipse pius Dominus in manibus nostris se praebeat et eum tractemus et sumamus quotidie per os nostrum?
9. An ignoramus, quia venire debemus in manus eius?
10. Igitur de his omnibus et aliis cito et firmiter emendemus;
11. et ubicumque fuerit sanctissimum corpus Domini nostri Jesu Christi illicite collocatum et relictum, removeatur de loco illo et in loco pretioso ponatur et consignetur.
12. Similiter nomina et verba Domini scripta, ubicumque inve-niantur in locis immundis, colligantur et in loco honesto debeant collocari.
13. Haec omnia usque in finem universi clerici tenentur super om-nia observare.
14. Et qui hoc non fecerint, sciant se debere coram Domino nostro Jesu Christo in die iudicii reddere rationem (cf. Mt 12,36).
15. Hoc scriptum, ut melius debeat observari, sciant se benedictos a Domino Deo qui illud fecerint exemplari.
 
Carta aos Clérigos (primeira recensão)

1. Reflitamos, todos os clérigos, sobre o grande pecado e sobre a ignorância que alguns têm sobre o santíssimo corpo e sangue de nosso Senhor Jesus Cristo e sobre os sacratíssimos nomes e palavras dele escritos, que santificam o corpo.
2. Sabemos que não pode haver o corpo se não for primeiro santificado pela palavra.
3. Pois nada temos e vemos corporalmente neste século do próprio Altíssimo a não ser o corpo e o sangue, os nomes e as palavras, pelos quais fomos feitos e remidos da morte para a vida (1Jo 3,14).
4. Portanto, todos os que administram tão santíssimos mistérios, considerem dentro de si, principalmente os que administram ilicitamente, como são vis os cálices, os corporais e panos em que é sacrificado seu corpo e sangue.
5. E é colocado por muitos em lugares vis abandonado, é carregado de maneira miserável e e recebido indignamente, e administrado a outros indiscretamente.
6. Também seus nomes e palavras escritas às vezes são pisoteados;
7. porque o homem animal não compreende as coisas que são de Deus (1Cor 2,14).
8. Será que não somos movidos pela piedade de todas essas coisas se o próprio piedoso Senhor se apresenta em nossas mãos e o tratamos e recebemos todos os dias em nossa boca?
9. Ou ignoramos que devemos cair em suas mãos?
10. Portanto, emendemo-nos depressa e firmemente disso tudo e de outras coisas;
11. e onde quer que esteja o santíssimo corpo de nosso Senhor Jesus Cristo ilicitamente colocado e abandonado, seja removido desse lugar e colocado e confiado a um lugar precioso.
12. De maneira semelhante, os nomes e palavras do Senhor escritas, onde quer que se encontrem em lugares imundos, sejam recolhidos e devam ser colocados em lugares honestos.
13. Todos os clérigos tenham que observar todas essas coisas acima de tudo, até o fim.
14. E os que isso não fizerem, saibam que deverão prestar contas no dia do juízo (cfr. Mt 12,36)diante de nosso Senhor Jesus Cristo.
15. Os que mandarem fazer cópias deste escrito, para que deva ser melhor observado, saibam que são abençoados pelo Senhor. 

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Papa nomeia dom Lorenzo Baldisseri secretário da Congregação para os Bispos, no Vaticano


Na manhã desta quarta-feira, 11 de janeiro, o papa Bento XVI transferiu o atual Núncio Apostólico no Brasil, dom Lorenzo Baldisseri para a Secretaria da Congregação para os Bispos, um dos dicastérios da Cúria Romana, no Vaticano. Dom Baldisseri havia completado nove anos de nomeação para a Nunciatura Apostólica no Brasil no dia 12 de dezembro passado. Antes, ele foi núncio no Haiti (1992 – 1995), no Paraguai (1995 – 1999), na Índia e no Nepal (1999 –2002).
No Brasil, ele sucedeu a dom Alfio Rapisarda. Dom Lorenzo Baldisseri passa a responder pela Secretaria da Congregação para os Bispos que tem como prefeito, desde junho de 2010, o cardeal canadense Marc Oullet, que esteve presente e orientou o retiro espiritual dos bispos na última Assembleia Geral da CNBB, em maio de 2011, em Aparecida (SP). O Secretário anterior da Congregação era o ex-núncio apostólico na Espanha, arcebispo português, dom Manuel Monteiro de Castro, que será criado cardeal no próximo Consistório, de 18 de fevereiro, conforme anúncio feito pelo Santo Padre no Angelus da Epifania, dia 6 de janeiro.
A propósito da transferência do núncio apostólico, o cardeal arcebispo de Aparecida e presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Raymundo Damasceno Assis, emitiu, em nome da Presidência, a seguinte nota:
Saudação ao novo Secretário da Congregação para os Bispos
A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) felicita Dom Lorenzo Baldisseri pela nomeação para o cargo de Secretário da Congregação para os Bispos, um dos mais importantes dicastérios da Cúria Romana. Reconhecemos, com gratidão, sua trajetória como Núncio Apostólico no Brasil, marcada pela excelente atuação tanto junto às autoridades brasileiras como representante do Papa, quanto pelo seu zelo apostólico manifestado pelas visitas pastorais realizadas a numerosas dioceses. Além disso, seus pronunciamentos, particularmente, registrados no recém-lançado livro “Ação e Missão – Um itinerário eclesial no Brasil”, sempre foram iluminadores de modo a contribuir com a CNBB no serviço da comunhão entre os bispos e com o sucessor de Pedro.
Entre suas beneméritas contribuições para Igreja no Brasil, estão a singular atenção pastoral que sempre teve para com os bispos, a presença em todas as assembleias do episcopado (no período em que exerceu sua função de Núncio), o encaminhamento de grande número de nomeações de bispos e a criação de várias dioceses. Destacamos, no entanto, com especial reconhecimento, sua decisiva participação na conclusão do acordo entre o governo brasileiro e a Santa Sé que estabeleceu o Estatuto Jurídico da Igreja Católica no Brasil, promulgado pelo Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 11 de fevereiro de 2010. Naquela ocasião, Dom Baldisseri nos lembrava que com aquele ato solene se concluía o processo deste histórico tratado internacional que “constitui a reafirmação e a consolidação das relações existentes entre o Brasil e a Santa Sé e a adequada e clara regulamentação da significativa presença e contribuição da Igreja Católica para o progresso, a harmonia e o bem comum da sociedade brasileira”.
Em nome do episcopado brasileiro, agradecemos profundamente a Dom Baldisseri pelo seu valioso trabalho junto ao governo e a Igreja no Brasil e asseguramos as nossas orações pelo êxito de sua nova missão a serviço da Igreja como secretário da Congregação para os bispos. Temos a certeza de que a Igreja no Brasil será sempre grata pelo seu fecundo trabalho realizado como Núncio Apostólico em nosso país.
Cardeal Dom Raymundo Damasceno Assis
Arcebispo de Aparecida
Presidente da CNBB

"Os irmãos de Jesus" - Maria teve outros filhos???


O objetivo desta matéria é demonstrar que Maria que não teve outros filhos além de Jesus, tendo permanecido virgem, mesmo após o nascimento de Jesus. Para tanto, lancei mão de textos que colecionei de várias fontes, tais como os exuberantes sites do Agnus Dei e do Veritatis Splendor, além de escritos de Dom Estevão Bettencourt, debates na lista de discussão do Veritatis Splendor e algumas observações minhas.

Parte I: Textos que Comprovam que Jesus era Filho Único

1. A Bíblia só chama a Jesus de Filho de Maria

Em nenhuma passagem da Bíblia, ninguém é chamado de "filho de Maria", a não ser Jesus. E, ainda, de ninguém Maria é chamada "Mãe", a não ser de Jesus. Em Mc 6,3 é dito: "o filho de Maria" (com artigo, dando idéia de unicidade). A expressão grega implica que Ele era seu único filho. O Evangelho nunca diz "a mãe de Jesus com seus filhos", embora isso fosse natural, especialmente em Mc 3,31 e At 1,14, se ela tivesse outros filhos.

2. Maria fez Voto de Virgindade

Em Lc 1,34 Maria pergunta: "Como se fará isso, pois eu não conheço varão?".

A pergunta que Maria fez seria inadimissível em uma jovem desposada no momento em que lhe anunciavam o nascimento de um filho futuro. Esta pergunta só tem sentido se considerarmos que ela fizera voto de virgindade, uma vez que, embora estivesse desposada, ela afirma: "eu não conheço varão". O anjo, porém, não a libera do voto, mas diz que se tratará de uma conceição milagrosa.

O voto de virgindade feito por Maria é também insinuado num apócrifo: o Protoevangelho de Tiago (120 dC).

3. Jesus Entregou Maria ao Discípulo João

Era costume judeu que os filhos cuidassem da mãe. Ao morrer o irmão mais velho, caberia aos demais filhos o cuidado da mãe. Porém, Jesus pede que o discípulo João, membro de outra família, cuidasse de sua mãe (Jo 19,26-27). Não haveria necessidade de tal preocupação e tal atitude seria inadmissível se Jesus tivesse outros irmãos.

4. Aos 12 Anos, não há Indícios de Irmãos na Festa da Páscoa

Quando Jesus foi a festa da Páscoa em Jerusalém, com a idade de 12 anos (Lc 2,41-51), não se menciona a existência de outros filhos, embora toda a família tivesse peregrinado junto durante uns 15 dias. Ora, Maria e José não poderiam ter deixado em casa, por tanto tempo, filhos tão pequenos.

5. O Testemunho da Sagrada Tradição

A Sagrada Tradição da Igreja sempre ensinou a Virgindade perpétua da mãe de Nosso Senhor. Eis alguns testemunhos dos primórdios do cristianismo:

Santo Inácio de Antioquia ( Século I ): "E permaneceram ocultos ao príncipe desse mundo a virgindade de Maria e seu parto, bem como a morte do Senhor: três mistérios de clamor, realizados no silêncio de Deus" (Carta aos Efésios, PG. V, 644 ss.)

Santo Irineu (130 a 203 dC): "Era justo e necessário que Adão fosse restaurado em Cristo, e que Eva fosse restaurada em Maria, a fim de que uma virgem feita advogada de uma virgem, apagasse e abolisse por sua obediência virginal a desobediência de uma virgem". (Contra as Heresias)

Santo Atanásio (295 a 386 dC): "Jesus tomou carne da SEMPRE virgem Maria".

Dídimo (386 dC): "Nada fez Maria, que é honrada e louvada acima de todas as outras: não se relacionou com ninguém, nem jamais foi Mãe de qualquer outro filho; mas, mesmo após o nascimento do seu filho [único], ela permaneceu sempre e para sempre uma virgem imaculada". ("A Trindade 3,4")

São Jerônimo (340-420 dC): "Cristo virgem e Maria virgem consagraram os princípios da virgindade em ambos os sexos".

Santo Agostinho (354 a 430 dC): "Então, o Senhor tem irmãos? Será que Maria teve ainda outros filhos? Não! De modo algum! (...) Qual é, pois, a razão de ser da expressão "irmãos do Senhor"? Irmãos do Senhor eram os parentes de Maria". (Comentário do Evangelho de São João, X, 2)

Santo Agostinho: "Concebeu-O [a Cristo Jesus] sem concupiscência, uma Virgem; como Virgem deu-lhe à luz, Virgem permaneceu". (Sermão sobre a Ressurreição de Cristo, segundo São Marcos, PL XXXVIII, 1104-1107)

6. A Fé dos Reformadores Protestantes

Martinho Lutero:

Sobre Mt 1,25: "Destas palavras não se pode concluir que após o parto, Maria tenha tido consórcio conjugal. Não se deve crer nem dizer isso." (Obras de Lutero Ed. Weimar, Tomo 11, p.323)

No fim de sua Vida: "Virgem antes, no, e depois do parto, que está grávida e dá a luz. Este artigo da fé é milagre divino." (Sermão Natal 1540: WA 49,182)

João Calvino:

"Jesus é dito primogênito unicamente para que saibamos que Ele nasceu da Virgem" (CO 45,645)

"Certas pessoas têm desejado sugerir desta passagem [Mt 1,25] que a Virgem Maria teve outros filhos além do Filho de Deus, e que José teve relacionamento íntimo com ela depois. Mas que estupidez! O escritor do evangelho não desejava registrar o que poderia acontecer mais tarde; ele simplesmente queria deixar bem clara a obediência de José e também desejava mostrar que José tinha sido bom e verdadeiramente acreditava que Deus enviara seu anjo a Maria. Portanto, ele jamais teve relações com Maria, mas somente compartilhou de sua companhia... Além disso, N.Sr. Jesus Cristo é chamado o primogênito. Isto não é porque teria que haver um segundo ou terceiro [filho], mas porque o escritor do Evangelho está se referindo à precedência. Assim, a Escritura está falando sobre a titularidade do primogênito e não sobre a questão de ter havido qualquer segundo [filho]" (Sermão sobre Mateus, 1562).

Zvínglio:

"Creio firmemente que, segundo o Evangelho, Maria, como Virgem pura, gerou o Filho de Deus e no parto e após o parto permaneceu para sempre Virgem pura e íntegra." (Zvínglio Opera 1,424)

"Os irmãos do Senhor eram os amigos do Senhor" (ZO 1,401)

Parte II: Respondendo às Objeções Protestantes

7. Quem Seriam os "Irmãos" de Jesus?

Há vários textos no NT que mencionam os "irmãos de Jesus": Mt 12,46-50; 13,55; Mc 3,31-35; Lc 8,19-21; Jo 2,12; 7,2-10; At 1,14; Gl 1,19; 1Cor 9,5. Vejamos, por exemplo, Mc 6,3:

"Não é este o carpinteiro, o filho de Maria, irmão de Tiago, José, Judas e Simão? E as suas irmãs não estão aqui entre nós?"

O que dizer?

A expressão "irmãos de Jesus" foi concebida, não em ambiente grego, mas no mundo semita, onde a língua falada era o aramaico. Ora, em aramaico (e também em hebraico), a palavra "irmãos" (se escreve "ah"), designa não somente os filhos dos mesmos pais, mas também, os primos ou até parentes mais remotos. No AT há 20 passagens que atestam o amplo significado da palavra "irmão". Vejamos alguns exemplos:

Primeiro Exemplo:

Gn 11,27: "Taré gerou Abrão, Nacor e Arã. Arã gerou Ló."

Logo, Ló é sobrinho de Abrão, como confirma Gn 12,5: "Abrão tomou sua mulher Sarai, seu sobrinho Ló, ...". Vejamos agora o que diz Gn 13,8:

"Abrão disse a Ló: Que não haja discórdia entre mim e ti, ... , pois somos IRMÃOS."

Segundo Exemplo:

1Cr 23,21-23: "Os filhos de Merari foram Moholo e Musi. Os filhos de Moholi foram Eleázaro e Cis. Eleázaro morreu sem ter filhos, mas apenas filhas. Os filhos de Cis, SEUS IRMÃOS, as tomaram por mulheres."

Ora, como Eleázaro e Cis eram verdadeiros irmãos, então os filhos de Cis não eram irmãos das filhas de Eleázaro, mas sim primos. No entanto, a Bíblia utiliza o conceito amplo da palavra "ah" para chamá-los de irmãos, embora fossem primos.

Terceiro Exemplo:

Gn 29,15: "Então Labão disse a Jacó: Por seres meu IRMÃO, irás servir-me de graça?"

Seria Labão irmão de Jacó? Não! Era seu tio. Confira:

Gn 29,10: "Logo que Jacó viu Raquel, filha de Labão, irmão de sua mãe, aproximou-se..."

Leia também: 1Cr 15,4-10.

Em conclusão, o uso dos termos "irmãos e irmãs" de Jesus, na verdade, designam simplesmente que se trata de parentes de Jesus, pois o termo hebraico "ah" (traduzido por "irmão") possui este sentido amplo. Portanto, não eram filhos de Maria, mas sim parentes de Jesus, provavelmente seus primos ou filhos do viúvo José.

8. Mas o NT foi Escrito em Grego e não em Aramaico. E aí?

Em grego existem palavras definidas para irmão (ADELPHOS) e primo (ANEPSIOS). Paulo conhecia muito bem o grego pois chegou a discursar com muita eloquência num aerópago grego. Certamente, os autores sagrados conheciam muito bem as palavras ADELPHOS e ANEPSIOS. Inclusive, Paulo chegou a usar o termo ANEPSIOS (primo) em Cl 4,10:

"Saúda-vos Aristarco, meu companheiro de prisão, e Marcos, o PRIMO de Barnabé"

E ainda: "Saudai a Herodião, meu PARENTE" (Rm 16,11)

O mesmo se pode dizer do livro de Tobias, escrito em grego: "Como este jovem é parecido com meu PRIMO" (Tb 7,2)

Portanto, se os "irmão do Senhor" fossem primos de Jesus, ao escrever o NT em grego, os autores sagrados usariam a palavra ANEPSIOS (primo), e não ADELPHOS (irmão). Porém, o NT sempre se refere aos "irmãos do Senhor" usando o termo ADELPHOS (irmão) e nunca ANEPSIOS (primo).

O que dizer?

Ocorre que os escritores sagrados quiseram preservar o sabor semítico da palavra aramaica "ah" ("irmão" para qualquer grau de parentesco próximo) ao fazer a tradução para o grego. A expressão semita "irmãos do Senhor" já era muito usual entre os cristãos (como demonstra as várias inserções no NT) e os apóstolos quiseram preservá-la, pois "ah" é diretamente traduzido para o grego por "ADELPHOS". Um contexto, portanto, bem diferente das passagens de Paulo e Tobias acima citadas, pois nestes casos Paulo e Tobias não estavam traduzindo um termo hebraico para o grego. Esta preservação do aramaico ou do sabor semita na tradução para o grego ocorre também em outras passagens do NT. Vejamos algumas:

- Pedro, em algumas passagens é chamado pelo nome CEFAS (pedra em aramaico), preservando assim o sabor semita com que os discípulos se acostumaram a chamar Pedro.

- Lc 14,26: "Se alguém vem a mim e não ODEIA seu pai, sua mãe, sua mulher, seus filhos, seus irmãos, suas irmãs, sim, até a própria vida, não pode ser meu discípulos"

Teria Jesus pregado o odio? Óbvio que não! Ocorre que o aramaico não tem estruturas de comparação, tipo "amar mais" ou "amar menos". Jesus, portanto, usou o vocábulo aramaico que traz a idéia de "amar menos" (ou seja, o mesmo que é traduzido por "odiar"), e que foi traduzido para o grego mantendo o sabor semita. Lucas podia usar a estrutura grega correspondente a "amar menos", mas tal como no caso dos "irmãos do Senhor", optou por manter o sabor semita do ensinamento, embora houvesse no grego termos mais apropriados.

- São Paulo cita Ml 1,2-3: "Eu amei Jacó e ODIEI Esaú" (Rm 9,13).

Obviamente, a tradução correta seria: "Eu amei mais a Jacó do que a Esaú". Porém, Paulo mantêm o semitismo, embora o grego em que escreveu lhe proporcionasse termos mais adequados.

- Em várias passagens, São Paulo frequentemente faz uso do termo grego "dikaiosyne" não na forma estrita utilizada pelo sentido grego, mas na forma ampla do sentido hebraico de "sedaqah".

- Lucas utiliza com frequencia o aditivo "kai" ("e", em português), que reflete o aditivo hebraico "wau". Ex: Lc 5,1 "... E ele se encontrava de pé ...". A palavra "e" poderia existir no hebraico, mas não no grego, nem mesmo no aramaico. Lucas nos diz que tomou grande cuidado, conversou com testemunhas oculares e checou relatos escritos sobre Jesus. Estes relatos escritos poderiam estar em grego, hebraico ou aramaico. Estas estranhas estruturas usada por Lucas em alguns pontos parece demonstrar que ele usou, em certos momentos, documentos hebraicos e os traduziu com extremo cuidado, tão extremo a ponto de manter a estrutura hebraica no texto grego. Lucas sabia como escrever em grego culto, como demonstra certas passagens. Mas por que escreveu assim? Certamente por causa de seu extremo cuidado, para ser fiel aos textos originais que usava.

Há muitos outros lugares no NT onde devemos considerar o fundamento hebraico para obter o sentido correto do grego. Demos apenas alguns exemplos que são suficientes para mostrar como os escritores do NT escreveram em grego mantendo o sabor semita das expressões, embora o grego tivesse estruturas e vocábulos mais apropriados, tais como "primos" em lugar de "irmãos".

Em acréscimo, podemos observar que quando o AT foi traduzido para o grego (versão dos Setenta), alguns séculos antes de Cristo, o termo aramaico "ah" sempre foi traduzido para o grego ADELPHOS (irmão), mesmo quando era evidente que não se tratava de filhos da mesma mãe, mas sim de parentes próximos. Por exemplo, conforme visto acima, em Gn 13,8 "ah" deveria ser traduzido para o grego correspondente a "parentes" (tio e sobrinho), mas preservou-se o sabor semita "irmãos". Portanto, não se deve admirar o fato do hagiógrafo do NT manter o sabor semita do vocábulo "ah" referente aos parentes, pois este também foi o critério usado na tradução do AT, alguns séculos antes de Cristo nascer. O linguajar grego da Versão dos Setenta, que conservava seu fundo semita, influiu profundamente na linguagem dos escritores do NT, familiarizados que estavam com a tradução dos Setenta. E quando se traduz a Bíblia para as línguas modernas, português, inglês, etc., o termo correspondente a "irmão" também é mantido mesmo nos casos onde é evidente que não se tratam de filhos dos mesmos pais, mas sim de parentes.

9. Mas o Profético Salmo 68 Afirma: "os filhos de sua mãe"!

O Salmo 68 é um salmo profético, pois o versículo 10 é aplicado à Jesus pelos discípulos em Jo 2,17: "O zelo pela tua casa me consumiu". Dessa forma, se o versículo 10 foi aplicado a Jesus, muitos sugerem que o versículo 9 também deve ser aplicado, pois está adjacente ao versículo 10. Vejamos o que diz o versículo 9:

"Tornei-me um estranho para meus irmãos, um desconhecido para os filhos de minha mãe."

Observe: "para os filhos de minha mãe"! Daí muitos concluem que Maria teve outros filhos além de Jesus.

O que dizer?

Ocorre, porém, que dado um contexto que contenha um versículo profético, se é verdade que todos os versículos deste contexto sejam todos igualmente proféticos, então o versículo 6 deste Salmo também deveria ser profético e aplicado a Jesus, pois pertence ao mesmo contexto dos versículos 9 e 10. Mas o que diz o versículo 6 ?

"Vós conheceis, ó Deus, a minha insipiência, e minhas faltas não vos são ocultas." (Sl 68,6)

No salmo 68, o sujeito dos versículos 9 e 10 é o mesmo sujeito do versículo 6. Se o versículo 9 deve ser aplicado a Jesus porque o versículo 10 foi, então o versículo 6 também teria que ser, pois pertencem ao mesmo contexto. Mas o versículo 6 é a confissão de um sujeito insipiente e pecador. Porém, o NT nos garante que Jesus jamais cometeu um pecado (Jo 8,46; Hb 4,15; 1Pd 2,22; Is 53,9; 1Jo 3,5). Logo, concluímos que se um versículo do At for aplicável a Jesus (ou a alguém ou a algum fato do NT) não significa que todo os versículos adjacentes a ele (ou todo o contexto onde ele está inserido), também sejam obrigatoriamente proféticos e igualmente aplicáveis. No caso citado, o versículo 10 é aplicado a Jesus, mas os versículos 6 e 9, não.

Em acréscimo, observe o versículo 22 deste mesmo salmo. Ele também é profético e aplicado a Jesus (Mt 27,34; Jo 19,29). Igualmente os versículos 23, 24 e 26 são todos proféticos. Porém, enquanto o 23 e 24 são aplicado a Israel (Rm 11,9s), o versículo 26 é aplicado a Judas (At 1,20). Isto também comprova que os versículos são aplicados a sujeitos distintos sem qualquer vínculo com o contexto onde se encontra. E ainda, neste mesmo contexto, observe como os versículos 25, 28 e 29 destoam profundamente de Lc 23,34. Novamente observamos que não é porque alguns versículos são proféticos e aplicáveis ao NT que todos os versículos adjacentes o devem ser. Portanto, o versículo do Sl 68,9 não garante que Maria tenha tido outros filhos.

Parte III: Ainda Respondendo às Objeções Protestantes

10. A Bíblia diz: "Até que..." (Mt 1,25)

"José não conheceu Maria (= não teve relações com Maria) ATÉ QUE ela desse à luz um filho (Jesus)".

Significa isto que, depois de ter dado à luz a Jesus, Maria teve relações conjugais com José?

Não necessariamente. A expressão "até que" corresponde ao grego "heos hou" e ao hebraico "ad ki". Esta partícula designa apenas o que se deu (ou não se deu) no passado, sem indicação do que havia de acontecer no futuro. Ou seja, a passagem quer afirmar que Jesus nasceu sem que José e Maria tivessem relações. O termo grego "heos hou" ("até que") nada insinua se depois que Jesus nasceu houve ou não relação entre Maria e José, mas simplesmente relata algo que ocorreu no passado, no caso, Mateus quis relatar o fato extraordinário de que Jesus nasceu estando sua mãe virgem. Vejamos diversos casos semelhantes:

2Sm 6,23: "Micol, filha de Saul, não teve filhos ATÉ a morte." Não significa que, após morrer, tenha tido filhos.

Sl 109,1: Deus Pai convida o Messias a sentar-se à sua direita ATÉ QUE Ele faça dos seus inimigos o escabêlo dos seus pés. Isto não significa que, após vencidos os inimigos, o Messias deixará de se assentar à direita do Pai.

Gn 28,15: "Diz o Senhor a Jacó: Não te abandonarei ATÉ QUE eu tenha realizado o que te prometi." Certamente Deus não abandonou Jacó depois de cumprir as suas promessas.

Dt 34,6: Moisés foi enterrado "e ATÉ hoje ninguém sabe onde se encontra sua sepultura". Isto era verdade no dia em que o autor do Deuteronômio relatou o fato; e continua sendo verdade ainda hoje.

1Tm 4,13: O Apóstolo pede para que Timóteo se devote à leitura, exortação e ensinamento "ATÉ eu (Paulo) chegar". Isso não quer dizer que Timóteo deveria parar de fazer tais coisas após a chegada de Paulo.

Mt 13,33: "O reino dos céus é semelhante ao fermento, que uma mulher toma e introduz em três medidas de farinha, até que [heos hou] tudo esteja levedado." Isso não quer dizer que depois que levedou ja não havia mais 3 medidas de farinha.

Mt 26,36: "Então chegou Jesus com eles a um lugar chamado Getsêmani, e disse a seus discípulos: Assentai-vos aqui, enquanto [heos hou] vou além orar." Observe que Jesus ordena para que os discípulos esperem sentados. Isto não significa que, ao retornar da oração, eles deveriam novamente se levantar. Não! Quando Jesus voltasse, eles poderiam permanecer sentados conversando, ou irem durmir ou se levantarem. Observe como o HEOS HOU nada nos informa sobre o estado futuro.

Lc 24,49: "E eis que sobre vós envio a promessa de meu Pai; ficai, porém, na cidade de Jerusalém, até que [heos hou] do alto sejais revestidos de poder." Quer dizer que, após Pentecostes, todos os apóstolos saíram de Jerusalém? De modo algum. Observe como HEOS HOU refere-se apenas ao passado, sem nada indicar sobre o futuro. A ordem de Jesus era para que antes de Pentecostes não saíssem de Jerusalém de modo algum. Depois, pouco lhe importa se permaneceriam ou se sairiam dali.

Alguns protestantes, porém, ainda contra-argumentam afirmando que no período entre 100 AC e 100 DC (época em que o NT foi escrito), a partícula "até que" (HEOS HOU, em grego) não era usada sem fazer referências ao futuro. Este argumento também é falso. Podemos citar, por exemplo, um escrito da época citada que diz:

"E Aseneth foi deixada com as sete virgens, e continuou a ser oprimida e a chorar ATÉ (HEOS HOU) o sol se pôr. E não comeu pão nem bebeu água. E a noite veio, e todos da casa dormiram, e somente ela estava acordada, continuando a se desesperar e a chorar."

Fonte: História "Joseph e Aneseth" de C. Burchard, que pode ser encontrada em Old Testament Pseudepigrapha. Vol. 2, Expansions of the Old Testament and Legends, Wisdom and Philosophical Literature, Prayers, Psalms, and Odes, Fragments of Lost Judeo-Hellenistic Works, ed. James H.Charlesworth, p. 215. New York: Doubleday, 1985.

Notamos pelo contexto que Aneseth chorou até o pôr do sol, mas que ela continuou a chorar pela noite. Eis um caso clássico, da época de Cristo, onde "heos hou" não implica em mudança de ação futura, pois o próprio contexto não dá margem a qualquer outra possibilidade. Portanto, ou "heos hou" termina o ato, ou o continua. Neste exemplo ele certamente não terminou o ato, senão é fato que Aneseth deveria ter parado de chorar, e não continuado, depois que o sol se pôs.

Todos esses exemplos são casos em que se faz referência ao passado, sem referências do futuro. Essa locução era frequente entre os semitas e foi usada em Mt 1,25. A tradução mais clara deste versículo seria "Sem que José tivesse tido relações com Maria, ela deu à luz um filho".

11. Se Jesus era o Primogênito, então foi o Primeiro de outros Filhos

Lc 2,7: "Maria deu à luz o seu filho primogênito"

Literalmente, "primogênito" é o primeiro filho, independente de haver ou não um segundo filho. Em hebrico "bekor" (primogênito) podia designar simplesmente "o bem-amado", pois o primogênito é certamente aquele dos filhos no qual durante certo tempo se concentra todo o amor dos pais. Além disto, os hebreus julgavam o primogênito como alvo de especial amor de Deus, pois devia ser consagrado ao Senhor (Lc 2,22; Ex 13,2; 34,19).

A palavra "primogênito" podia mesmo ser sinônima de "unigênito" (único filho), pois um e outro vocábulos na mentalidade semita designam "o bem-amado". Veja, por exemplo, Zc 12,10:

"Quanto àquele que transpassaram, irão chorá-lo como se chora um filho unigênito; irão chorá-lo amargamente como se chora um primogênito"

Da mesma forma, Maquir que é o único filho de Manassés é chamado de "primogênito" em Jos 17,1. A descendência de Manassés é descrita em Nm 26,29-34.

Observe como "primogênito" refere-se apenas a condição do primeiro filho, sem nada afirmar sobre outros filhos:

Ex 13,2: "Consagra-me todo primogênito, todo o que abre o útero materno entre os filhos de Israel. Homem ou animal será meu."

Ex 34,19: "Todo o que sair por primeiro do seio materno será meu: Todo macho, todo primogênito das tuas ovelhas e do teu gado."

Lc 2,23: "Todo macho que abre o útero será consagrado ao Senhor"

Numa inscrição sepulcral judaica datada de 5 AC e descoberta em Tell-el-Yedouhieh (Egito), em 1922, lê-se que uma jovem chamada Arsinoé MORREU "nas dores do parto do seu filho primogênito". Ora, se ela morreu, então não teve outros filhos além do filho dito "primogênito". E mais ainda: no apócrifo "Antiguidades Bíblicas", a filha de Jefté (Jz 11,29-39) ora é dita primogênita (primeira filha), ora é dita unigênita (única filha). Portanto, embora fosse a única filha, também era chamada de primogênita.

E para confirmar definitivamente que o primogênito não necessariamente têm outros irmãos, São Jerônimo apresenta Lc 2,22-24 que diz:

"Concluídos os dias da sua purificação, de acordo com a lei de Moisés, eles o levaram a Jerusalém para apresentá-lo ao Senhor [como está prescrito na lei do Senhor, todo macho que abre o útero deve ser consagrado ao Senhor] e para oferecer em sacrifício de acordo com o que é prescrito na lei do Senhor, um par de rolinhas ou duas pombas novas"

Como não havia tempo suficiente, até o dia da sua purificação, para Maria conceber novamente, é certo que Jesus foi consagrado ao Senhor (lei da primogenitura) antes de ter qualquer irmão. Ora, se o primogênito fosse restrito àqueles que possuem irmãos, ninguém estaria sujeito a lei da primogenitura, enquanto não nascesse seu irmão. Mas visto que, o primeiro filho (que ainda não tem irmãos mais novos), poucos dias depois de nascer já é sujeito à lei da primogênitura, deduzimos que é chamado primogênito aquele que abre o útero da mãe e que não foi precedido por ninguém, e não aquele cujo nascimento foi seguido por outro de irmão mais novo.

Vimos, portanto, que o primeiro filho homem será consagrado a Deus. Este é o primogênito. Mesmo que não seja o primeiro filho, mas se for o primeiro filho homem, ele é o primogênito. E, se for o único filho, ele também é o primogênito porque foi o primeiro e único. Enfim, o termo "primogênito" possui o mesmo modo de falar de Mt 1,25: "primogênito" vem a ser apenas o filho antes do qual não houve outro, não necessariamente aquele após o qual houve outros.

12. Se Maria fez voto de virgindade, como pode ter desposado José?

Santo Agostinho explica:

"O que tornou a virgindade de Maria tão santa e agradável a Deus não foi porque a concepção de Cristo a preservou, impedindo que sua virgindade fosse violada por um esposo, mas porque antes mesmo de conceber ela já a tinha dedicado a Deus e merecido, assim, ser escolhida, para trazer Cristo ao mundo.

É o que indicam as palavras de Maria em resposta ao anjo que lhe anunciava a maternidade: "Como é que vai ser isso, se eu não conheço homem algum?" (Lc 1,34). Por certo, ela não teria falado assim, se não houvesse consagrado anteriormente sua virgindade a Deus. Mas como esse voto ainda não tinha entrado nos costumes dos judeus, ela fora dada em casamento a um varão justo o qual, longe de lhe tirar o que ela já havia consagrado a Deus, seria ao contrário o seu fiel guardião. Ainda que ela apenas tivesse dito: "Como é que vai ser isso", sem acrescentar: "se eu não conheço homem algum", não ignorava que, como mulher, não precisaria perguntar como daria à luz esse filho prometido, no caso de estar casada para ter filhos.

Poderia também ter recebido uma ordem do céu de permanecer virgem, a fim de que o Filho de Deus tomasse nela a forma de escravo por algum grande milagre. Mas por estar destinada a servir de modelo às futuras virgens consagradas, era preciso não deixar parecer que unicamente ela deveria ser virgem, ela que merecera conceber fora do leito nupcial.

Assim, consagrou sua virgindade a Deus, enquanto ainda ignorava de quem havia sido chamada a ser mãe. Desse modo, ela ensinava, às outras, a possibilidade de imitação da vida do céu, em um corpo terrestre e mortal, em virtude de um voto e não de um preceito, e realizando-o por opção toda de amor, não por necessidade de obedecer. Cristo, assim, nascendo de uma virgem que, antes mesmo de saber de quem seria mãe, já tinha resolvido permanecer virgem, esse Cristo preferiu aprovar a santa virgindade a impô-la. Dessa maneira, mesmo na mulher da qual haveria de receber a forma de servo, ele quis que a virgindade fosse o efeito da vontade livre." (A Santa Virgindade - Santo Agostinho)

Vejamos, agora, o que nos diz o Papa João Paulo II:

"No momento da anunciação, Maria encontra-se então na situação de noiva. Podemos perguntar-nos porque ela tinha aceito o noivado, dado que havia feito o propósito de permanecer virgem para sempre. (...) Pode-se supor que entre José e Maria, no momento do noivado, houvesse um entendimento sobre o projeto de vida virginal.

De resto, o Espírito Santo, que tinha inspirado Maria à escolha da virgindade em vista do mistério da Encarnação, e queria que esta acontecesse num contexto familiar idôneo ao crescimento do Menino, pôde suscitar também em José o ideal da virgindade." (João Paulo II - Catequese - 17 a 24/08/1996)

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

"Preocupar-se com a pessoa, não somente com a crise", diz Papa


Papa Bento XVI recebeu no Vaticano todo o Corpo Diplomático ligado à Santa Sé
O Papa recebeu na manhã da segunda-feira, 09, no Palácio Apostólico do Vaticano, o corpo diplomático composto por embaixadores credenciados junto à Santa Sé. Esse encontro acontece todos os anos e, na ocasião, o Papa faz votos de Feliz ano Novo a todos os presentes.
Durante o discurso, o Pontífice fez um mapa de países que passaram a ter relações diplomáticas com a Santa Sé em 2011 e recordou os inúmeros encontros com chefes de estado, embaixadores e líderes de vários países do globo.



Discurso
Encontro com corpo diplomático ligado à Santa Sé
Palácio Apostólico - Vaticano
Segunda, 09 de janeiro de 2012



Senhoras e Senhores Embaixadores,

É sempre para mim um grande prazer poder receber-vos, ilustres Membros do Corpo Diplomático acreditados junto da Santa Sé, neste esplêndido cenário da Sala Régia, a fim de vos formular os meus ardentes votos para o ano que inicia. Desejo, em primeiro lugar, agradecer ao vosso Decano, o Embaixador Alejandro Valladares Lanza, bem como ao Vice-Decano, o Embaixador Jean-Claude Michel, pelas palavras deferentes com que se fizeram intérpretes dos vossos sentimentos e dirijo uma saudação especial a todos os que participam pela primeira vez no nosso encontro. E os meus votos estendem-se, por vosso intermédio, a todas as nações de que sois representantes e com as quais a Santa Sé mantém relações diplomáticas. Motivo de alegria para nós é o facto de a Malásia se ter juntado a esta comunidade no decurso do último ano. O diálogo que mantendes com a Santa Sé favorece a partilha de impressões e informações, bem como a colaboração em âmbitos de carácter bilateral ou multilateral de particular interesse. A vossa presença aqui hoje recorda a importante contribuição dada pela Igreja às vossas sociedades em sectores como a educação, a saúde e a assistência. Sinais da cooperação entre a Igreja Católica e os Estados são os Acordos que foram assinados, em 2011, com o Azerbaijão, Montenegro e Moçambique. O primeiro já foi ratificado; espero que em breve ocorra o mesmo com os outros dois, e cheguem a bom termo aqueles que estão em fase de negociação. De igual modo, a Santa Sé deseja estabelecer um diálogo profícuo com as Organizações internacionais e regionais; e, nesta linha, apraz-me sublinhar o facto de os países membros da Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) terem acolhido a nomeação dum Núncio Apostólico acreditado junto da organização. Não posso deixar de mencionar que a Santa Sé reforçou a sua longa colaboração com a Organização Internacional para as Migrações ao tornar-se membro pleno da mesma, no passado mês de Dezembro. Isto dá testemunho do empenhamento da Santa Sé e da Igreja Católica ao lado da comunidade internacional na busca de soluções adequadas para este fenómeno que se reveste de muitos aspectos, desde a proteção da dignidade das pessoas até à solicitude pelo bem comum das comunidades que os recebem e daquelas donde provêm.

Durante o ano findo, encontrei-me pessoalmente com numerosos Chefes de Estado e de Governo e também com destacados representantes das vossas nações que participaram na cerimónia da Beatificação do meu bem-amado Predecessor, o Papa João Paulo II. Também por ocasião do sexagésimo aniversário da minha Ordenação Sacerdotal houve diversos representantes dos vossos países que tiveram a amabilidade de estar presentes. A todos eles e a quantos encontrei nas minhas viagens apostólicas à Croácia, San Marino, Espanha, Alemanha e Benim, renovo a minha gratidão pela delicadeza manifestada. Além disso, dirijo uma saudação especial aos países da América Latina e das Caraíbas que festejaram, em 2011, o bicentenário da sua independência. No passado dia 12 de Dezembro, quiseram sublinhar a sua ligação à Igreja Católica e ao Sucessor do Príncipe dos Apóstolos com a participação de eminentes representantes da comunidade eclesial e de autoridades institucionais na solene celebração que teve lugar na Basílica de São Pedro, durante a qual dei a conhecer a minha intenção de visitar proximamente o México e Cuba. Desejo, por fim, saudar o Sudão do Sul que, no passado mês de Julho, se constituiu como um Estado soberano. Lamentando as tensões e confrontos que se foram sucedendo nestes últimos meses, espero que todos unam os seus esforços para que se abra finalmente um período de paz, liberdade e progresso para as populações do Sudão e do Sudão do Sul.

Senhoras e Senhores Embaixadores,

O encontro de hoje desenrola-se tradicionalmente no término das festas do Natal, quando a Igreja celebra a vinda do Salvador. Ele vem na obscuridade da noite, e no entanto a sua presença torna-se imediatamente fonte de luz e alegria (cf. Lc 2, 9-10). Verdadeiramente torna-se sombrio o mundo, quando não é iluminado pela luz divina! Verdadeiramente fica na escuridão o mundo, quando o homem deixa de reconhecer a sua ligação com o Criador, pondo assim em perigo também as suas relações com as outras criaturas e com a própria criação. Infelizmente, o momento atual está marcado por um profundo mal-estar, sendo uma expressão dramática disto mesmo as diversas crises econômicas, políticas e sociais.

A este respeito, não posso deixar de mencionar, antes de mais nada, as graves e preocupantes consequências da crise econômica e financeira mundial. Esta não atinge só as famílias e as empresas dos países economicamente mais avançados, onde a mesma teve origem, criando uma situação na qual muitos, sobretudo entre os jovens, se sentiram desorientados e frustrados nas suas aspirações por um futuro sereno, mas tal crise marcou profundamente também a vida dos países em vias de desenvolvimento. Não devemos desanimar, mas redesenhar decididamente o nosso caminho com novas formas de compromisso. A crise pode e deve ser um incentivo para meditar sobre a existência humana e a importância da sua dimensão ética, antes mesmo de refletir sobre os mecanismos que governam a vida económica: não só para procurar conter as perdas individuais ou das economias nacionais, mas para nos impormos novas regras que assegurem a todos a possibilidade de viver dignamente e desenvolver as suas capacidades em benefício da comunidade inteira.

Desejo ainda lembrar que os efeitos do atual momento de incerteza afetam particularmente os jovens. Do seu mal-estar nasceram os fermentos que nos últimos meses investiram, por vezes duramente, várias regiões. Refiro-me antes de mais ao Norte da África e ao Médio Oriente, onde os jovens – que, para além do mais, sofrem pobreza e desemprego e temem pela ausência de perspectivas seguras – lançaram aquilo que veio a tornar-se um amplo movimento de reivindicação de reformas e de participação mais activa na vida política e social. É difícil actualmente traçar um balanço definitivo dos recentes acontecimentos e compreender plenamente as suas consequências para os equilíbrios da Região. O otimismo inicial cedeu, entretanto, o passo ao reconhecimento das dificuldades deste momento de transição e mudança, e parece-me evidente que a senda adequada para prosseguir no caminho empreendido passe pelo reconhecimento da dignidade inalienável de toda a pessoa humana e dos seus direitos fundamentais. O respeito da pessoa deve estar no centro das instituições e das leis, deve conduzir ao fim de toda e qualquer violência e prevenir contra o risco de que a atenção devida às solicitações dos cidadãos e a necessária solidariedade social se transformem em meros instrumentos para manter ou conquistar o poder. Convido a comunidade internacional a dialogar com os actores dos processos em curso, no respeito dos povos e com a consciência de que a construção de sociedades estáveis e reconciliadas, contrapostas a toda a discriminação injusta, particularmente de ordem religiosa, constitui um horizonte mais amplo e transcendente que o dos prazos eleitorais. Sinto uma grande preocupação pelas populações dos países nos quais continuam tensões e violências, particularmente na Síria, onde espero que se ponha rapidamente termo ao derramamento de sangue e comece um diálogo frutuoso entre os actores políticos, favorecido pela presença de observadores independentes. Na Terra Santa, onde as tensões entre palestinianos e israelitas têm repercussões sobre os equilíbrios de todo o Médio Oriente, é preciso que os responsáveis destes dois povos adoptem decisões corajosas e clarividentes a favor da paz. Soube com satisfação que, na sequência duma iniciativa do Reino da Jordânia, foi retomado o diálogo; espero que o mesmo continue a fim de se chegar a uma paz duradoura, que garanta o direito de ambos os povos a viver em segurança em Estados soberanos e dentro de fronteiras seguras e, internacionalmente, reconhecidas. Por sua vez, a comunidade internacional deve estimular a sua criatividade e as iniciativas de promoção deste processo de paz, no respeito dos direitos de cada parte. Sigo também com grande atenção o desenrolar dos factos no Iraque, deplorando os atentados que ainda recentemente causaram a perda de numerosas vidas humanas, e encorajo as suas autoridades a continuarem, firmes, pelo caminho duma plena reconciliação nacional.

O Beato João Paulo II lembrava que «o caminho da paz é também o caminho dos jovens»1, constituindo eles «a juventude das nações e das sociedades, a juventude de todas as famílias e da humanidade inteira»2. Por isso, os jovens pressionam-nos para que sejam consideradas seriamente as suas exigências de verdade, justiça e paz. Nesta linha, foi a eles que dediquei a Mensagem anual para a celebração do Dia Mundial da Paz, intitulada Educar os jovens para a justiça e a paz. A educação é um tema crucial para todas as gerações, pois depende dela tanto o desenvolvimento saudável de cada pessoa como o futuro da sociedade inteira. Por isso mesmo, aquela constitui uma tarefa de primária grandeza num tempo difícil e delicado. Para além de um objectivo claro, como é o de levar os jovens a um pleno conhecimento da realidade e, consequentemente, da verdade, a educação tem necessidade de lugares. Dentre estes, conta-se em primeiro lugar a família, fundada sobre o matrimônio entre um homem e uma mulher; não se trata duma simples convenção social, mas antes da célula fundamental de toda a sociedade. Por conseguinte, as políticas que atentam contra a família ameaçam a dignidade humana e o próprio futuro da humanidade. O quadro familiar é fundamental no percurso educativo e para o próprio desenvolvimento dos indivíduos e dos Estados; consequentemente, são necessárias políticas que o valorizem e colaborem para a sua coesão social e diálogo. É na família que a pessoa se abre ao mundo e à vida e, como tive ocasião de lembrar durante a minha viagem à Croácia, «a abertura à vida é um sinal da abertura ao futuro»3. Neste contexto de abertura à vida, recebi com satisfação a recente sentença do Tribunal de Justiça da União Europeia, que proíbe atribuir alvarás em processos relativos às células estaminais embrionárias humanas, e também a Resolução da Assembleia parlamentar do Conselho da Europa que condena a selecção pré-natal em função do sexo.

Mais em geral, visando sobretudo o mundo ocidental, estou convencido de que se opõem à educação dos jovens e, consequentemente, ao futuro da humanidade as medidas legislativas que permitem, quando não incentivam, o aborto por motivos de conveniência ou por razões médicas discutíveis.

Continuando a nossa reflexão, um papel também essencial no desenvolvimento da pessoa é desempenhado pelas instituições educativas: estas são as primeiras instâncias que colaboram com a família e estão a cumprir mal a sua função precisamente quando falta uma harmonia de objectivos com a realidade familiar. É preciso implementar políticas de formação para que a educação escolar seja acessível a todos e que a mesma, mais do que promover o desenvolvimento cognoscitivo da pessoa, cuide do crescimento harmonioso da personalidade, incluindo nisso a sua abertura ao Transcendente. A Igreja Católica sempre esteve particularmente ativa no campo das instituições escolares e acadêmicas, cumprindo uma obra apreciável ao lado das instituições estatais. Por isso espero que esta contribuição seja reconhecida e valorizada também pelas legislações nacionais.

Nesta perspectiva, é bem compreensível que uma obra educativa eficaz exija igualmente o respeito da liberdade religiosa. Esta caracteriza-se por uma dimensão individual, bem como por uma dimensão coletiva e uma dimensão institucional. Trata-se do primeiro dos direitos do homem, porque expressa a realidade mais fundamental da pessoa. Muitas vezes, por variados motivos, este direito é ainda limitado ou espezinhado. Não posso evocar este tema sem começar por saudar a memória do ministro paquistanês Shahbaz Bhatti, cuja luta incansável pelos direitos das minorias terminou com uma morte trágica. E não se trata, infelizmente, dum caso único. Em numerosos países, os cristãos são privados dos direitos fundamentais e postos à margem da vida pública; noutros, sofrem ataques violentos contra as suas igrejas e as suas casas. Às vezes, vêem-se constrangidos a abandonar países que eles mesmos ajudaram a edificar, por causa de tensões contínuas e por políticas que frequentemente os relegam para a condição de espectadores secundários da vida nacional. Noutras partes do mundo, encontram-se políticas tendentes a marginalizar o papel da religião na vida social, como se ela fosse causa de intolerância em vez de uma apreciável contribuição na educação para o respeito da dignidade humana, para a justiça e a paz. O terrorismo religiosamente motivado ceifou, no ano passado, também numerosas vítimas, sobretudo na Ásia e na África. Por esta razão, como lembrei em Assis, os responsáveis religiosos devem repetir, com vigor e firmeza, que «esta não é a verdadeira natureza da religião. Ao contrário, é a sua deturpação e contribui para a sua destruição»4. A religião não pode ser usada como pretexto para pôr de lado as regras da justiça e do direito em favor do «bem» que ela persegue. Nesta perspectiva, tenho o gosto de recordar, como fiz no meu país natal, que a visão cristã do homem constituiu a verdadeira força inspiradora para os Pais constituintes da Alemanha, como aliás o foi para os Pais fundadores da Europa unida. Queria mencionar também alguns sinais encorajadores no campo da liberdade religiosa. Refiro-me à alteração legislativa, pela qual a personalidade jurídica pública das minorias religiosas foi reconhecida na Geórgia; penso também na sentença do Tribunal Europeu dos Direitos Humanos favorável à presença do Crucifixo nas salas de aulas italianas. E, precisamente falando da Itália, desejo dirigir-lhe uma saudação particular na conclusão dos 150 anos da sua unificação política. As relações entre a Santa Sé e o Estado italiano atravessaram momentos difíceis depois da unificação. Mas, com o passar do tempo, prevaleceram a concórdia e a vontade mútua de cooperar, cada qual no seu próprio campo, para favorecer o bem comum. Espero que a Itália continue a promover uma relação equilibrada entre a Igreja e o Estado, constituindo deste modo um exemplo para o qual as outras nações possam olhar com respeito e interesse.

Quanto ao continente africano, que visitei de novo indo recentemente ao Benim, é essencial que a cooperação entre as comunidades cristãs e os Governos ajude a percorrer um caminho de justiça, paz e reconciliação, onde os membros de todas as etnias e religiões sejam respeitados. É triste constatar como está ainda distante, em vários países deste continente, um tal objetivo. Penso, em particular, na recrudescência das violências que afectam a Nigéria – como o indicam os atentados perpetrados contra várias igrejas durante o período natalício –, nas sequelas da guerra civil na Costa do Marfim, na instabilidade que persiste na Região dos Grandes Lagos e na urgência humanitária nos países do Corno da África. Peço uma vez mais à comunidade internacional que ajude, com solicitude, a encontrar uma solução para a crise que há anos perdura na Somália.

Finalmente, sinto o dever de sublinhar que uma educação correctamente entendida não pode deixar de favorecer o respeito pela criação. Não podemos esquecer as graves calamidades naturais que, ao longo de 2011, afectaram várias regiões do Sudeste asiático e os desastres ecológicos como o da central nuclear de Fukushima no Japão. A salvaguarda do ambiente, a sinergia entre a luta contra a pobreza e a luta contra as alterações climáticas constituem áreas importantes para a promoção do desenvolvimento humano integral. Por isso espero que, depois da XVII sessão da Conferência dos Estados Membros da Convenção da ONU sobre as Alterações Climáticas, que recentemente terminou em Durban, a comunidade internacional se prepare para a Conferência da ONU sobre Desenvolvimento Sustentável («Rio+20») como uma autêntica «família das nações», ou seja, com grande sentido de solidariedade e responsabilidade para com as gerações presentes e as do futuro.

Senhoras e Senhores Embaixadores,

O nascimento do Príncipe da Paz ensina-nos que a vida não acaba no nada, que o seu destino não é a corrupção mas a imortalidade. Cristo veio para que os homens tenham a vida e a tenham em abundância (cf. Jo 10, 10). «Somente quando o futuro é certo como realidade positiva, é que se torna vivível também o presente»5. Animada pela certeza da fé, a Santa Sé continua a dar à Comunidade internacional o seu contributo próprio, guiada por um duplo intento que o Concílio Vaticano II – cujo cinquentenário se celebra este ano – definiu claramente: proclamar a sublime vocação do homem e a presença nele dum germe divino, e oferecer à humanidade uma cooperação sincera a fim de instaurar a fraternidade universal que a esta vocação corresponde6. Neste espírito, renovo a todos vós, extensivos aos membros das vossas famílias e aos vossos colaboradores, os meus votos mais cordiais para este novo ano. Obrigado pela vossa atenção.




Vaticano simplifica rito de consistório que elege cardeais


Boletim Sala de Imprensa da Santa Sé

Dom Raymundo Damasceno ao receber o barrete das mãos de Bento XVI, em novembro de 2010
A secretaria das celebrações litúrgicas do Sumo Pontífice introduziu diversas novidades nos consistórios ordinários públicos para a criação de novos cardeais. O rito que entra em vigor a partir de hoje, 10, foi revisto e simplificado, com aprovação do Papa Bento XVI. A partir das modificações, se unificam os três momentos que compreendem a imposição do barrete, a entrega do anel cardinalício e a entrega do título ou da diaconia, ou seja, igreja da diocese de Roma, cujo nome estará ligado ao novo cardeal. As orações de coleta e a oração conclusiva também mudarão. Além disso, a proclamação da Palavra será mais breve.

Novo Consistório


Bento XVI anunciou no dia 06 de janeiro a convocação de um novo consistório, o qual serã realizado no dia 18 de fevereiro e criará 22 novos cardeais para a Igreja.

Decálogo Franciscano


1.  Tomar a iniciativa: Ir ao encontro do outro - cristão ou não cristão.

2. Ser você mesmo: Encontro de duas pessoas. Francisco pede aos irmãos o diálogo com outras religiões.

3. Confiar no outro: Confiança e respeito diante das pessoas e de suas convicções.
4. Colaboração mútua: Espírito de colaboração e sentimento de pertença à mesma família humana.

5. Instrumento de Paz: Na pregação e no ser hospitaleiro, atencioso e respeitos.

6.  Agir pela vida e pela palavra: As duas formas de diálogo para Francisco.

7. No meio deles: Irmãos e irmãs com os outros, compartilhando de suas condições de vida.

8.  Como irmãos menores: Em posição mais baixa do que os outros.

9. Antes compreendendo do que ser compreendido: Na humildade e na disposição de escutar.

10.  Haurindo dinâmica na oração: Francisco rezou com força e confiança: na experiência de conversão.

sábado, 7 de janeiro de 2012

Dom João Braz de Aviz será o próximo cardeal do Brasil



Arquivo
Dom João Braz de Aviz está entre os 22 novos cardeais nomeados por Bento XVI
O Papa Bento XVI anunciou durante o Angelus, após a missa da Solenidade da Epifania do Senhor presidida por ele na quarta-feira, 06, no Vaticano, a convocação de um novo Consistório que criará novos cardeais para a Igreja.
Entre os nomeados, está Dom João Braz de Aviz, prefeito da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada desde o ano passado. O arcebispo, que durante muito tempo esteve à frente da arquidiocese de Brasília foi o único brasileiro nomeado desta vez, e a partir de fevereiro deste ano, passará a integrarar o grupo de cardeais brasileiros composto por Dom Eugênio Sales, Dom Evaristo Arns, Dom José Falcão, Dom Serafim Fernandes Araújo, Dom Claudio Hummes, Dom Geraldo Majella Agnelo, Dom Eusébio Sheid, Dom Odilo Pedro Sherer e Dom Raymundo Damasceno de Assis.

Trajetória episcopal de Dom João Braz
Em 1994, João Paulo II nomeou Dom João Braz, bispo auxiliar da Arquidiocese de Vitória do Espírito Santo, onde, desde então, adotou o lema episcopal: Todos sejam um (Jo 17,21). Depois, ele foi bispo de Ponta Grossa, Paraná; arcebispo de Arquidiocese de Maringá, também no Paraná, e por fim, arcebispo de Brasília, cargo que ocupou de 2004 até o fim de 2010.

Em 4 de janeiro de 2011, ele foi nomeado pelo Papa Bento XVI como prefeito da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e Sociedades de Vida Apostólica, no Vaticano. 

Papa criará 22 novos cardeais em fevereiro



panorama.it
''Gostaria de convocar a todos a rezar pelos novos eleitos'', salienta Papa
Finalmente, o anúncio tão esperado: a convocação de um novo consistório por parte do Papa Bento XVI. Nesta sexta-feira, Solenidade da Epifania do Senhor, o Santo Padre anunciou da sacada do Palácio Apostólico, durante a oração mariana do Angelus, no Vaticano, o 4º Consistório de seu Pontificado, que desta vez, criará 22 novos cardeais para a Igreja.

No dia 18 de fevereiro deste ano serão apresentados ao mundo os novos membros do Colégio Cardinalício, entre os quais, está o brasileiro Dom João Braz de Aviz que foi arcebispo de Brasília e hoje é prefeito da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada, no Vaticano. Na lista, também foram nomeados 3 padres, uma prática incomum, já que, geralmente, os pontífices dão o título cardinalício a bispos e arcebispos.

“Os cardeais tê a missão de ajudar o Sucessor do Apóstolo Pedro no desenvolvimento do seu Ministério de confirmar os irmãos na fé e de ser princípio e fundamento da unidade e da comunhão da Igreja”, disse Bento XVI hoje.

Eis a lista dos próximos cardeais, segundo a ordem lida por Bento XVI durante o Angelus:

1 – Dom Fernando Filoni, prefeito da Congregação para a Evangelização dos Povos
2 – Dom Manuel Monteiro de Castro, Penitenciário Maior
3 – Dom Santos Abril y Castelló, arcipreste da Basílica Papal de Santa Maria Maior
4 – Dom Antonio Maria Veglió, ´presidente do Pontificio Conselho da Pastoral para os Imigrantes e itinerantes
5 – Dom Giuseppe Bertello, Presidente da Pontifícia Comissão para o Estado da Cidade do Vaticano e Presidente do Governatorato do Estado
6 – Dom Francesco CoccoPalmerio, Presidente do Pontifício Conselho para os textos legislativos.
7 – Dom João Braz de Aviz, Prefeito da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e Sociedade de Vida Apostólica
8 – Dom Edwin Frederick O'Brien, Gran Mestre da Ordem Equestre do Santo Sepulcro de Jerusalém
9 – Dom Domenico Calcagno, Presidente da Administração do Patrimônio da Sé Apostólica
10 – Dom Giuseppe Versaldi, Presidente da Prefeitura dos assuntos Econômicos da Santa Sé
11 – Sua Beatitude George Alencherry, arcebispo Maior de Emakulan-Andamaly dos Siro-Malabareses (Índia)
12 – Dom Thomas Christopher Collins, arcebispo de Toronto (Canadá)
13 – Dom Dominik Duka, arcebispo de Praga (República Tcheca)
14 – Dom Willem Jacobus Eijk, arcebispo de Utrecht (Países baixos)
15 – Dom Giuseppe Betori, arcebispo de Firenze (Itália)
16 – Dom Timothy Michael Dolan, arcebispo de Nova Iorque (Estados Unidos da América)
17 – Dom Rainer Maria Woelki, arcebispo de Berlin (Alemanha)
18 – Dom Jonh tong Hon, bispo de Hong Kong (China)
19 – Sua Beatitude Lucian Muresan, arcebispo Maior de Fagaraas e Alba Iulia dos Romenso (Romania)

Padres que receberam título cardinalício

20 – Mons. Julien Ries, sacerdote na Diocese de Namur e professor emérito das religiões na Universidade Católica de Louvain
21 – Padre Prosper Grech O.S.A, professor de várias Universidades Romanas e Consultura da Congregação para a Doutrina da fé
22 – Padre Karl Becker S.I, docente emérito da Pontifícia Universiadade Gregoriana e por anos consultor da Congregação para a Doutrina da Fé.

A partir de 20 de fevereiro o Colégio Cardinalício terá 214 membros, entre os quais, 125 serão eleitores.

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